Naquele dia ela acordou triste...mal os primeiros raios de sol lhe tocaram o rosto deixou de conseguir manter os olhos fechados, ao contrário dos dias anteriores, em que se deixava ficar na cama meio dormente de cansaço e sono.
Nessa manha uma tristeza a sufocava apesar de ter ido para a cama em paz, apesar de ter feito amor com ele como nunca antes tinha feito e de lhe ter esvaziado os seus receios...talvez por isso tenha acordado triste, talvez por isso as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que pertenciam aos dois, esta manha lhe traziam nao o amor, nao a alegria, mas sim a saudade...
Levantou-se e seguiu para a casa de banho, onde começou mecânicamente a tratar de si, e só já dentro da banheira é que se apercebeu que estava escuro, e que apenas a luz que entrava pela janela iluminava o espaço. Estranhou...pensou que a lâmpada se tivésse fundido e que tinha a certeza que estava acesa quando estava a lavar os dentes...
Mesmo assim, na luz ténue, ligou a água e deixou-se lavar pelo seu quente...foi nesse momento que percebeu o nó que tinha na garganta, e que lhe apertava a alma...sentiu a solidao...sentiu-se vazia, perdida...
Quando saiu do banho tentou ligar a luz, e esta acendeu e aí apercebeu-se de que tinha sido ela que a tinha apagado enquanto estava inundada pela sua estranha melancolia...e perguntou-se como foi possivel nao se dar conta dos seus gestos...
Ao longo do dia vários foram os amigos que lhe perguntaram porque estava tao triste?
Tentou por varias vezes esconder a sombra que carregava no rosto com um sorriso mal cosido nos lábios...
Ao fim do dia, já no regresso a casa é que se apercebeu do que estava a fazer a si mesma, e de como nao se podia dar ao luxo de cair na tristeza...só ao fim do dia e sem motivo aparente, sem que ninguém tivésse acendido o botao da sua consciencia é que percebeu as palavras dele, e do quadro que tinha tido durante toda uma semana à sua frente e cuja frase lhe estava sempre na memória sem que verdadeiramente se tivésse deixado influenciar pelo seu significado.
Só aí é que percebeu que o passado feliz nao se pode tornar num presente infeliz, por ter passado...mas sim na certeza de que tocamos a felicidade muitas vezes e que essa felicidade está gravada em nós e nao se pode transformar em tristeza, em solidao, ou em saudade, mas sim na força que nos faz sorrir por a termos vivido e sentido, e por nos fazer sorrir cada vez que a recordamos e que temos consciencia de que está guardada em nós!
...E entao finalmente o nó que tinha a prender-lhe a alma se soltou, e finalmente sorriu com vontade enquanto olhava a rua e as pessoas que passavam...só ai compreendeu melhor a sorte de ter vivido o passado e de o poder continuar a levar consigo no presente, e sentiu vontade de sorrir...e as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que esta manha lhe trouxeram saudade, voltaram a trazer-lhe o seu amor, e a alegria de o ter sempre consigo.
"As veces se me ocurre que la tristeza no es mas que la alegria patas arriba"
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
...
As vezes ha palavras que preferimos calar dentro de nos para que nao se tornem realidade.
Sabemos perfeitamente que nao ha como escapar as consequencias das nossas escolhas.
Eu tenho sempre a sensacao de que dizer as coisas e meio caminho andado para as tornar realidade...dizer: Eu Vou!....ou Eu posso!...ou mesmo Eu consigo! e meio caminho andado para conseguirmos efectivamente realizar a nossa vontade...mas desta vez prefiro calar-me e nao dizer o que sei...na esperanca de que nao acabe e se estique ate ao dia em que talvez o possa reaproveitar, como ate a bem pouco tempo o fiz...
neste momento quase lamento a minha escolha...quase quero deitar tudo p o ar...quase...quase...
...que belas brincadeiras o destino nos prega...
Sabemos perfeitamente que nao ha como escapar as consequencias das nossas escolhas.
Eu tenho sempre a sensacao de que dizer as coisas e meio caminho andado para as tornar realidade...dizer: Eu Vou!....ou Eu posso!...ou mesmo Eu consigo! e meio caminho andado para conseguirmos efectivamente realizar a nossa vontade...mas desta vez prefiro calar-me e nao dizer o que sei...na esperanca de que nao acabe e se estique ate ao dia em que talvez o possa reaproveitar, como ate a bem pouco tempo o fiz...
neste momento quase lamento a minha escolha...quase quero deitar tudo p o ar...quase...quase...
...que belas brincadeiras o destino nos prega...
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Bagagem
A vida é feita de muita coisa...mas a principal coisa que retiramos dela, são as nossas experiências, e as pessoas que nos tocaram e nos modificaram.
Gosto de olhar p trás e ver que fui feliz, que sou feliz, que a história que escrevi até agora me agrada e que acima de tudo trago do meu passado muita coisa boa para o presente e para o futuro...muita coisa que me tornou no que sou...
As despedidas nunca me afectaram muito...sempre me afastei sem olhar uma vez sequer p trás, porque sempre achei que para a frente é que está o meu caminho, e o que ficou para trás não é para largar tristemente, mas para guardar e levar connosco para todo o lado. Não sou saudosista, nem gosto de me agarrar ao que já foi, mas gosto de guardar as coisas e saber que cada uma guarda uma história, uma pessoa, uma memória...talvez por isso não consiga deixar de trazer objectos das minhas viagens, em vez de roupa ou grandes adereços...talvez por isso me custe deixá-los à merçê de quem ocupe a minha casa, pois essas pessoas não conhecem as histórias, não ouvem as suas memórias e aquilo que contam sobre vários momentos do meu passado.
Hoje estou de novo em ponto de mudança, daqui a 7h horas estarei no aeroporto com uma mochila que de certeza pesará mais do que deve, mas que terá na história da sua composição, a lembrança das pessoas com quem falei esta noite enquanto a fazia, as lembranças das últimas horas nesta casa que tanto me custou a "construir", mas acima de tudo de tudo o que vivi nestes três anos em Portugal. Foram longos e no entanto tão curtos... dolorosos e no entanto felizes...pesados e afinal tão ligeiros...e agora, com o que estes três anos me ofereceram parto com a bagagem cheia do que sou e do que toda a gente que tive por perto me tornou...Mas tenho de admitir que desta vez parto com dificuldade e despedida afecta-me mais do que imaginei... será velhice?
Seja como fôr, tenho de dizer...
Estou feliz por te ter conhecido, mesmo que por um breve tempo...
Estou feliz por te ter reencontrado, depois de todo este tempo...
Estou feliz por nunca me teres largado, e esperado tanto tempo...
Estou feliz por te ter sempre por perto, e de ter tido tempo para te viver novamente, reconhecer-te na multidão e apertar os laços que nos unem e sempre unirão...
Estou feliz por me teres abraçado, beijado, tocado e sussurrado ao ouvido as palavras doces que precisava de ouvir...
Estou feliz por te ter feito sorrir, por me teres ouvido, por me teres enxugado as lágrimas que não consegui guardar...
Gosto de ti...e levo-te comigo para onde fôr...
Gosto de olhar p trás e ver que fui feliz, que sou feliz, que a história que escrevi até agora me agrada e que acima de tudo trago do meu passado muita coisa boa para o presente e para o futuro...muita coisa que me tornou no que sou...
As despedidas nunca me afectaram muito...sempre me afastei sem olhar uma vez sequer p trás, porque sempre achei que para a frente é que está o meu caminho, e o que ficou para trás não é para largar tristemente, mas para guardar e levar connosco para todo o lado. Não sou saudosista, nem gosto de me agarrar ao que já foi, mas gosto de guardar as coisas e saber que cada uma guarda uma história, uma pessoa, uma memória...talvez por isso não consiga deixar de trazer objectos das minhas viagens, em vez de roupa ou grandes adereços...talvez por isso me custe deixá-los à merçê de quem ocupe a minha casa, pois essas pessoas não conhecem as histórias, não ouvem as suas memórias e aquilo que contam sobre vários momentos do meu passado.
Hoje estou de novo em ponto de mudança, daqui a 7h horas estarei no aeroporto com uma mochila que de certeza pesará mais do que deve, mas que terá na história da sua composição, a lembrança das pessoas com quem falei esta noite enquanto a fazia, as lembranças das últimas horas nesta casa que tanto me custou a "construir", mas acima de tudo de tudo o que vivi nestes três anos em Portugal. Foram longos e no entanto tão curtos... dolorosos e no entanto felizes...pesados e afinal tão ligeiros...e agora, com o que estes três anos me ofereceram parto com a bagagem cheia do que sou e do que toda a gente que tive por perto me tornou...Mas tenho de admitir que desta vez parto com dificuldade e despedida afecta-me mais do que imaginei... será velhice?
Seja como fôr, tenho de dizer...
Estou feliz por te ter conhecido, mesmo que por um breve tempo...
Estou feliz por te ter reencontrado, depois de todo este tempo...
Estou feliz por nunca me teres largado, e esperado tanto tempo...
Estou feliz por te ter sempre por perto, e de ter tido tempo para te viver novamente, reconhecer-te na multidão e apertar os laços que nos unem e sempre unirão...
Estou feliz por me teres abraçado, beijado, tocado e sussurrado ao ouvido as palavras doces que precisava de ouvir...
Estou feliz por te ter feito sorrir, por me teres ouvido, por me teres enxugado as lágrimas que não consegui guardar...
Gosto de ti...e levo-te comigo para onde fôr...
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Primeiros Adeus
E é assim...tanto que eu esperei pelo dia em que finalmente iria deixar o trabalho para trás e passar a contar com o tempo todo livre para poder fazer as mil e uma coisas que agora só tenho tempo de fazer a correr...e afinal...são neste momento 22h, e eu ainda estou no atelier...
...a fazer??
...simplesmente a inventar coisas para adiar o momento em que vou fechar aquela porta atrás de mim, depois de desligar o computador e as luzes e dizer pela última vez um "boa noite" ao atelier que faz neste momento 3 anos que me acolheu...
Juro que não pensei que fôsse sentir este vazio...e o pior é imaginar que se aproximam dois dias de fim-de-semana em que vou ter um lanche/jantar de despedida dos meus amigos de faculdade, um jantar de reencontro e despedida com uma colega antiga de trabalho e hoje à noite ainda uma última saída descontraída com amigos vários...tudo festa e diversão, e no entanto cheira-me tudo a melancolia...cheira-me tudo a despedida e eu nunca gostei de despedidas! Mesmo aquelas do "até já"!
...sinto que tenho o coração pequenino...que se fecha um capítulo que gostava de prolongar...e está-me a custar muito mais do que me custou quando saí da holanda, onde estive 2 anos, onde fiz amigos, mas de onde vim com a certeza de que voltava para os braços de pessoas que me faziam falta na altura...e agora parto feliz, sim, mas sem uma imagem de futuro que me guie para além da viagem, e isso, se por um lado é invejável e fantástico, por outro lança dúvidas e incertezas...
Tudo à minha frente é branco, as possibilidades são mais que muitas e a excitação está ao rubro, mas não contava mesmo nada com o peso desta despedida que se alojou no meu cérebro e no meu coração.
Quero muito aproveitar todos os segundos que conseguir dispensar, no meio da correria de tratar dos últimos pormenores, para estar com o maior número possível de pessoas e ao mesmo tempo só me apetece sair daqui e ir-me enfiar directamente em casa debaixo de uma manta, enrolada no sofá, deitar a cabeça nas almofadas e adormecer...preferia que fosse rápida e indolor esta fase, que quando abrisse os olhos já estivésse a caminho do aeroporto a lamentar não ter tido hipótese de me despedir, e no entanto sinto constantemente que não me quero deixar adormecer, quero ligar a todos, falar com todos, estar e fazer tudo o que ainda puder até ao último minuto...
...O Ser Humano é de facto complicado...e eu sou claramente um exemplo disso!!! Viva a liberdade de poder partir á aventura e ser feliz, e viva tudo o mais que essa liberdade nos faz à cabeça...Bem, se conseguir conservar a sanidade depois desta, posso sem dúvida acreditar que sou capaz de tudo!! :D
...a fazer??
...simplesmente a inventar coisas para adiar o momento em que vou fechar aquela porta atrás de mim, depois de desligar o computador e as luzes e dizer pela última vez um "boa noite" ao atelier que faz neste momento 3 anos que me acolheu...
Juro que não pensei que fôsse sentir este vazio...e o pior é imaginar que se aproximam dois dias de fim-de-semana em que vou ter um lanche/jantar de despedida dos meus amigos de faculdade, um jantar de reencontro e despedida com uma colega antiga de trabalho e hoje à noite ainda uma última saída descontraída com amigos vários...tudo festa e diversão, e no entanto cheira-me tudo a melancolia...cheira-me tudo a despedida e eu nunca gostei de despedidas! Mesmo aquelas do "até já"!
...sinto que tenho o coração pequenino...que se fecha um capítulo que gostava de prolongar...e está-me a custar muito mais do que me custou quando saí da holanda, onde estive 2 anos, onde fiz amigos, mas de onde vim com a certeza de que voltava para os braços de pessoas que me faziam falta na altura...e agora parto feliz, sim, mas sem uma imagem de futuro que me guie para além da viagem, e isso, se por um lado é invejável e fantástico, por outro lança dúvidas e incertezas...
Tudo à minha frente é branco, as possibilidades são mais que muitas e a excitação está ao rubro, mas não contava mesmo nada com o peso desta despedida que se alojou no meu cérebro e no meu coração.
Quero muito aproveitar todos os segundos que conseguir dispensar, no meio da correria de tratar dos últimos pormenores, para estar com o maior número possível de pessoas e ao mesmo tempo só me apetece sair daqui e ir-me enfiar directamente em casa debaixo de uma manta, enrolada no sofá, deitar a cabeça nas almofadas e adormecer...preferia que fosse rápida e indolor esta fase, que quando abrisse os olhos já estivésse a caminho do aeroporto a lamentar não ter tido hipótese de me despedir, e no entanto sinto constantemente que não me quero deixar adormecer, quero ligar a todos, falar com todos, estar e fazer tudo o que ainda puder até ao último minuto...
...O Ser Humano é de facto complicado...e eu sou claramente um exemplo disso!!! Viva a liberdade de poder partir á aventura e ser feliz, e viva tudo o mais que essa liberdade nos faz à cabeça...Bem, se conseguir conservar a sanidade depois desta, posso sem dúvida acreditar que sou capaz de tudo!! :D
quinta-feira, janeiro 21, 2010
TTTRRRRRiiiiiiiiiiiiMMMMMMMMMM
Estou na recta final e não me apetece fazer nada...
só descansar e não pensar nos dias que ainda tenho pela frente...
só imaginar que não tenho nada para fazer e ir andando ao sabor da maré e só fazer o que me apetece...
só aproveitar o sol que renasceu...
só ficar em casa a ouvir música...
só não pensar...
só ter os pensamentos parados...
...alguém me cala o despertador que tenho constantemente a tocar na cabeça?!?!
só descansar e não pensar nos dias que ainda tenho pela frente...
só imaginar que não tenho nada para fazer e ir andando ao sabor da maré e só fazer o que me apetece...
só aproveitar o sol que renasceu...
só ficar em casa a ouvir música...
só não pensar...
só ter os pensamentos parados...
...alguém me cala o despertador que tenho constantemente a tocar na cabeça?!?!
quarta-feira, janeiro 20, 2010
mudar de rota!
Por mais que lhe tenha já dito que não posso ir carregada e que o número de peças de roupa que posso levar é limitado, acabo sempre por me ver nas lojas, diante de mil e uma coisas que ela gostaria que eu comprásse, e vezes sem conta me vejo com a preocupação de não saber como lhe dizer que não levo por não querer, mas por achar um desperdício o investimento que quer fazer em mim se depois não posso levar comigo...
Sei perfeitamente que tem gosto em me comprar as coisas que já não tem prazer em comprar para si, mesmo que depois se esqueça e acabe por elogiar as coisas que trazemos sem se aperceber que foi ela mesma que nos deu...A idade não perdoa, e ela transformou-se num daqueles Seres que o tempo deixou marinar para trazer ao de cimo tudo o que de melhor e complicado têm as avós.
Moderníssima, a consultar a caixa de entrada das mensagens do telemóvel para onde a minha irmã garantiu ter enviado a resposta que esperava...é o meu orgulho...matriarca e terror da família! Adoro-a!
Sabe que não sei se volto tão cedo e preocupa-se em garantir que não me apercebo do medo que carrega consigo...e eu precupo-me em garantir que não lhe passo as preocupações que tenho cada vez mais...Faço contas ao dinheiro para ver se chega, analiso as possibilidades de modo a garantir que não vou ter de depender do dinheiro de ninguém para pagar a casa que deixo para trás...ou o vôo de regresso...ou deixar preocupações com as pessoas que ficam encarregues do que deixo para trás, ou o que quer que seja...e questiono-me mais uma vez..cada vez mais nos últimos dias...porquê que vou? Ultimamente cada vez tenho menos certezas daquilo que ainda à um mês atrás afirmava fazer sentido e ser a razão que me guiava e perante a qual me curvava sem hesitar.
Decorridos três longos e ao mesmo tempo rápidos anos consegui a proeza de virar o meu mundo ao contrário, e agora que encontro um qualquer tipo de estabilidade, de rotina, e que tenho aquilo a que posso chamar "Home" está na hora de me despedir de tudo e virar as costas em direcção a um desconhecido, ao recomeço, à reconstrução de tudo novamente. Procuro acreditar nos sons que sussurram que não haverá problema, pois tudo estará cá quando regressar, mas sei que nada permanecerá igual...os amigos vão mudar as rotinas que agora conheço, alguns irão casar, outros ter filhos, outros deixar de sair e outros mudar até de rumo e quem sabe já cá não estar quando eu regressar... a família seguirá o seu rumo, unir-se-à e tornará mais uma vez a não contar comigo...e o meu coração adocicado voltará a ser apenas uma máquina que garante a minha sobrevivência... as pessoas passarão a ser vozes que oiço ao longe...
Hoje senti mais uma vez que estou a chegar ao fim, e que vou ter de deixar tudo o que construí, e que a partir desse dia já não vou ver as mesmas caras, já não vou poder falar do mesmo modo com aqueles que hoje me escutam e que um dia quando regressar vou ter uma nova realidade, diferente daquela que deixo e que neste momento tenho muita, mas mesmo muita pena de largar em troca desse vazio cheio de aventuras e paisagens e desconhecido... se tivésse de tomar a decisão neste momento, acho que a tomava novamente, mas precisava de tempo para poder gozar um pouco mais da paz que aqui encontrei finalmente no fim deste ano que passou.
Sinto-me como um animal, que encontrou um abrigo e uma cama após um longo percurso de obstáculos, e que quando finalmente conseguiu fechar os olhos e se aninhou para descansar, o relógio que trazia ao pescoço soou um alarme, e o abrigo e a cama fofa onde finalmente poderia descansar tinham desaparecido, e ele dá por si de novo de pé, na estrada, com os olhos colados de sono e o corpo ainda cansado e sem energia para seguir...Sinto-me assim, de pé, a olhar para a estrada, e sem forças para dar os passos que ainda tenho de dar até poder descansar... e olho constantemente para trás a tentar perceber porquê que não posso simplesmente descansar...
Sei perfeitamente que tem gosto em me comprar as coisas que já não tem prazer em comprar para si, mesmo que depois se esqueça e acabe por elogiar as coisas que trazemos sem se aperceber que foi ela mesma que nos deu...A idade não perdoa, e ela transformou-se num daqueles Seres que o tempo deixou marinar para trazer ao de cimo tudo o que de melhor e complicado têm as avós.
Moderníssima, a consultar a caixa de entrada das mensagens do telemóvel para onde a minha irmã garantiu ter enviado a resposta que esperava...é o meu orgulho...matriarca e terror da família! Adoro-a!
Sabe que não sei se volto tão cedo e preocupa-se em garantir que não me apercebo do medo que carrega consigo...e eu precupo-me em garantir que não lhe passo as preocupações que tenho cada vez mais...Faço contas ao dinheiro para ver se chega, analiso as possibilidades de modo a garantir que não vou ter de depender do dinheiro de ninguém para pagar a casa que deixo para trás...ou o vôo de regresso...ou deixar preocupações com as pessoas que ficam encarregues do que deixo para trás, ou o que quer que seja...e questiono-me mais uma vez..cada vez mais nos últimos dias...porquê que vou? Ultimamente cada vez tenho menos certezas daquilo que ainda à um mês atrás afirmava fazer sentido e ser a razão que me guiava e perante a qual me curvava sem hesitar.
Decorridos três longos e ao mesmo tempo rápidos anos consegui a proeza de virar o meu mundo ao contrário, e agora que encontro um qualquer tipo de estabilidade, de rotina, e que tenho aquilo a que posso chamar "Home" está na hora de me despedir de tudo e virar as costas em direcção a um desconhecido, ao recomeço, à reconstrução de tudo novamente. Procuro acreditar nos sons que sussurram que não haverá problema, pois tudo estará cá quando regressar, mas sei que nada permanecerá igual...os amigos vão mudar as rotinas que agora conheço, alguns irão casar, outros ter filhos, outros deixar de sair e outros mudar até de rumo e quem sabe já cá não estar quando eu regressar... a família seguirá o seu rumo, unir-se-à e tornará mais uma vez a não contar comigo...e o meu coração adocicado voltará a ser apenas uma máquina que garante a minha sobrevivência... as pessoas passarão a ser vozes que oiço ao longe...
Hoje senti mais uma vez que estou a chegar ao fim, e que vou ter de deixar tudo o que construí, e que a partir desse dia já não vou ver as mesmas caras, já não vou poder falar do mesmo modo com aqueles que hoje me escutam e que um dia quando regressar vou ter uma nova realidade, diferente daquela que deixo e que neste momento tenho muita, mas mesmo muita pena de largar em troca desse vazio cheio de aventuras e paisagens e desconhecido... se tivésse de tomar a decisão neste momento, acho que a tomava novamente, mas precisava de tempo para poder gozar um pouco mais da paz que aqui encontrei finalmente no fim deste ano que passou.
Sinto-me como um animal, que encontrou um abrigo e uma cama após um longo percurso de obstáculos, e que quando finalmente conseguiu fechar os olhos e se aninhou para descansar, o relógio que trazia ao pescoço soou um alarme, e o abrigo e a cama fofa onde finalmente poderia descansar tinham desaparecido, e ele dá por si de novo de pé, na estrada, com os olhos colados de sono e o corpo ainda cansado e sem energia para seguir...Sinto-me assim, de pé, a olhar para a estrada, e sem forças para dar os passos que ainda tenho de dar até poder descansar... e olho constantemente para trás a tentar perceber porquê que não posso simplesmente descansar...
terça-feira, janeiro 19, 2010
quinta-feira, janeiro 14, 2010
If today was your last day...
My best friend gave me the best advice
He said each day's a gift and not a given right
Leave no stone unturned, leave your fears behind
And try to take the path less traveled by
That first step you take is the longest stride
Against the grain should be a way of life
What's worth the prize is always worth the fight
Every second counts 'cause there's no second try
So live like you'll never live it twice
Don't take the free ride in your own life
If today was your last day
Would you make your mark by mending a broken heart?
You know it's never too late to shoot for the stars
Regardless of who you are
So do whatever it takes
'Cause you can't rewind a moment in this life
Let nothin' stand in your way
Cause the hands of time are never on your side
If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day
e como disse a sábia tartaruga do kung Fu Panda:
Yesterday is history,
Tomorrow a mistery,
today is a gift...enjoy it well!!
He said each day's a gift and not a given right
Leave no stone unturned, leave your fears behind
And try to take the path less traveled by
That first step you take is the longest stride
Against the grain should be a way of life
What's worth the prize is always worth the fight
Every second counts 'cause there's no second try
So live like you'll never live it twice
Don't take the free ride in your own life
If today was your last day
Would you make your mark by mending a broken heart?
You know it's never too late to shoot for the stars
Regardless of who you are
So do whatever it takes
'Cause you can't rewind a moment in this life
Let nothin' stand in your way
Cause the hands of time are never on your side
If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day
e como disse a sábia tartaruga do kung Fu Panda:
Yesterday is history,
Tomorrow a mistery,
today is a gift...enjoy it well!!
quarta-feira, janeiro 13, 2010
vivam os roubos!!
Faz amanhã uma semana que não tenho tempo nem para pensar em escrever no blog...vou guardando para mim os mil pensamentos e sensações que o dia vai trazendo à minha mente e vou guardando no saco da memória...quando finalmente o despejar até vou ter ficar tonta com a quantidade de informação retida!
De uma coisa me lembro e tenho sempre vontade de falar, do que sinto e vivo neste momento. Mas como mais uma vez o tempo escorre por entre os meus dedos, deixo apenas uma cópia de um pensamento roubado de um outro blog... enjoy
1.12.2010
coisas que fascinam (93)
Há uns dias, em conversa com uns amigos, discutia-se a distância que pode haver entre a capacidade de amar alguém e a vontade de envelhecer com esse alguém. É que às vezes há de facto uma distância entre ambos os estados.
Uma amiga minha apagou uma vela com a ponta dos dedos e, tal como esse fogo, também as suas palavras se esfumaram num sorriso que me pareceu triste: "já amei alguns homens a sério mas nunca quis envelhecer com nenhum".
Não gosto muito, numa primeira análise, da ideia de envelhecer com alguém, principalmente porque me parece que a ela está associado um certo divórcio da vida. Melhor dizendo, dos outros. De todos os outros. Mas não é assim. Pelo menos não tem que ser assim.
Actualmente estou a passar a fase profissional mais complicada de sempre na minha vida, não me apetece nem posso explicar aqui porquê. Sei no entanto que estou a fazer os possíveis para me manter à tona da felicidade e dar a volta a isto. No entanto hoje senti-me a afundar lentamente e ao princípio da noite decidi andar um pouco à deriva numa cidade que não é a minha, entre alguns ombros embrutecidos e a indiferença dos outros. De todos os outros.
Foi num bar de esquina qualquer que, guiado por curtas mensagens de telemóvel, me acabei por encontrar com a minha companheira. Bebemos duas cervejas e comemos uns pratos de polvo com molho verde. Agora não sei bem explicar mas estou bem disposto. Gostava de envelhecer com ela... se puder ser. Entre todos os outros.
By: Bagaço amarelo
De uma coisa me lembro e tenho sempre vontade de falar, do que sinto e vivo neste momento. Mas como mais uma vez o tempo escorre por entre os meus dedos, deixo apenas uma cópia de um pensamento roubado de um outro blog... enjoy
1.12.2010
coisas que fascinam (93)
Há uns dias, em conversa com uns amigos, discutia-se a distância que pode haver entre a capacidade de amar alguém e a vontade de envelhecer com esse alguém. É que às vezes há de facto uma distância entre ambos os estados.
Uma amiga minha apagou uma vela com a ponta dos dedos e, tal como esse fogo, também as suas palavras se esfumaram num sorriso que me pareceu triste: "já amei alguns homens a sério mas nunca quis envelhecer com nenhum".
Não gosto muito, numa primeira análise, da ideia de envelhecer com alguém, principalmente porque me parece que a ela está associado um certo divórcio da vida. Melhor dizendo, dos outros. De todos os outros. Mas não é assim. Pelo menos não tem que ser assim.
Actualmente estou a passar a fase profissional mais complicada de sempre na minha vida, não me apetece nem posso explicar aqui porquê. Sei no entanto que estou a fazer os possíveis para me manter à tona da felicidade e dar a volta a isto. No entanto hoje senti-me a afundar lentamente e ao princípio da noite decidi andar um pouco à deriva numa cidade que não é a minha, entre alguns ombros embrutecidos e a indiferença dos outros. De todos os outros.
Foi num bar de esquina qualquer que, guiado por curtas mensagens de telemóvel, me acabei por encontrar com a minha companheira. Bebemos duas cervejas e comemos uns pratos de polvo com molho verde. Agora não sei bem explicar mas estou bem disposto. Gostava de envelhecer com ela... se puder ser. Entre todos os outros.
By: Bagaço amarelo
quinta-feira, janeiro 07, 2010
momentos...
Entre vacinas, sinais, telemóvel, bancos e Decathlon...estes têm sido dias muito preenchidos!!
A apenas cerca de 25 dias de distância, parto para outro continente, para outra realidade...e por muito que isso me pareça uma opção acertada e à tanto esperada, não há como evitar ansiedades. Os desejos de ter mais tempo para usufruir do que tenho por cá assaltam-me cada vez com mais regularidade. De repente tudo passou e cheguei ao ponto em que me tenho mesmo de me começar a despedir, a marcar os últimos encontros, a apontar as coisas que não me posso mesmo esquecer de fazer, de tratar, de lembrar...
Os dias correm e quando damos por ela nem tempo tivémos de olhar para nós, ou de parar um bocadinho! Felizmente que o Ser Humano tem a capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e mesmo com o corpo ocupado, e a mente cheia, consegue-se sempre fugir para aqueles cantos remotos da memória e ir buscar um daqueles pensamentos ou momentos passados que do nada nos põem um sorriso no rosto!.. e ás vezes é tão ridículo estar a andar na rua ou estar numa sala de espera e simplesmente começar a sorrir... rídículo, mas ao mesmo tempo tão lindo!
Tomara poder, todos os dias, ter um deste momentos que nos apanha desprevenidos e nos aproxima de quem nos faz sorrir.
...E eu não me posso queixar! Tem sido um início de ano intenso, cheio de coisas, umas mais complicadas e chatas que outras, mas no total, com um saldo muito positivo!
Faz-me sentir feliz...e na verdade mais do que sentir, acho mesmo que estou feliz!
E só por isso, aqui vai uma música que embora melancólica, me recorda sempre uma história de amor...e eu, lamechas como sou quando estou contente lembro-me sempre destas histórias de amor...vá-se lá explicar!!!!
A apenas cerca de 25 dias de distância, parto para outro continente, para outra realidade...e por muito que isso me pareça uma opção acertada e à tanto esperada, não há como evitar ansiedades. Os desejos de ter mais tempo para usufruir do que tenho por cá assaltam-me cada vez com mais regularidade. De repente tudo passou e cheguei ao ponto em que me tenho mesmo de me começar a despedir, a marcar os últimos encontros, a apontar as coisas que não me posso mesmo esquecer de fazer, de tratar, de lembrar...
Os dias correm e quando damos por ela nem tempo tivémos de olhar para nós, ou de parar um bocadinho! Felizmente que o Ser Humano tem a capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e mesmo com o corpo ocupado, e a mente cheia, consegue-se sempre fugir para aqueles cantos remotos da memória e ir buscar um daqueles pensamentos ou momentos passados que do nada nos põem um sorriso no rosto!.. e ás vezes é tão ridículo estar a andar na rua ou estar numa sala de espera e simplesmente começar a sorrir... rídículo, mas ao mesmo tempo tão lindo!
Tomara poder, todos os dias, ter um deste momentos que nos apanha desprevenidos e nos aproxima de quem nos faz sorrir.
...E eu não me posso queixar! Tem sido um início de ano intenso, cheio de coisas, umas mais complicadas e chatas que outras, mas no total, com um saldo muito positivo!
Faz-me sentir feliz...e na verdade mais do que sentir, acho mesmo que estou feliz!
E só por isso, aqui vai uma música que embora melancólica, me recorda sempre uma história de amor...e eu, lamechas como sou quando estou contente lembro-me sempre destas histórias de amor...vá-se lá explicar!!!!
segunda-feira, janeiro 04, 2010
Julie and Julia
(Ouvir a música enquanto se lê)
Curioso foi dar comigo a rir-me ás gargalhadas com alguns gestos da personagem da Merryl Strip...e encantar-me com a relação que a cozinheira Julia e o seu marido tinham...
O apoio que ele lhe dava...ela seguia-o, desistiu de tudo para estar com ele e ele reconhecia isso e demonstrava que gostava dela apoiando-a na sua aventura culinária, sempre com muita doçura...e isso é tudo tão importante. É bonito ver duas pessoas que se tratam bem, que se cuidam e mimam...e que o demonstram...porque ás vezes são os gestos pequenos, como um pequeno almoço feito para satisfazer os desejos de quem se quer mimar levado à cama, pode ser tão fácil de realizar, e tão bom de saborear...
O que me faz vir aqui escrever a estas horas (01h00), quando já deveria estar no quarto, a pôr os lençóis lavados na cama desfeita ou a lavar a loiça que acumulei no lava-loiças, foi o facto de ter sentido a mesma satisfação que elas tiveram ao cozinhar e de reconhecer o valor que tem o tempo passado na confecção destes pequenos prazeres.
Adoro cozinhar, adoro ter para quem cozinhar...cheguei a casa e por entre sacos de compras para arrumar, roupa para tentar salvar do estendal onde ficou à chuva, e o caos em que se encontra a minha casa, a primeira coisa em que pensei foi em fazer uma sopa de caldo verde inventado, e pelo meio umas beringelas recheadas com soja para o almoço de amanhã, por entre as fatias de pão saloio cobertas com manteiga de alho, fiambre fumado e queijo gouda salpicado de ervas no forno que preparei para o jantar hoje...
...a minha delícia é cozinhar e imagino sempre, enquanto preparo estas minhas magias inventadas, mas que desde sempre se fizeram, que alguém o vai saborear...que não sou apenas eu e que no final vou partilhar estes sabores que vou inventando com a pessoa que está no meu pensamento e para quem dirijo todos aqueles aromas. Mesmo quando acabo por comer sozinha, penso sempre "huuummm, terias adorado..."
Penso em várias pessoas para quem o gostaria de fazer...mas reconheço que o prazer de cozinhar para alguém de quem se gosta, que nos trata bem, que nos ama e apoia incondicionalmente...o nosso companheiro...tem sempre outro sabor.
Foi um filme bonito, que adiciona de forma mais terra-a-terra o que o filme "Chocolate" nos mostra de forma mais mágica...amor e cozinha...dois temas interligados desde sempre...dois temas que adoro...dois temperos imprescindíveis à receita da vida que vou elaborando com uns toques de descoberta para dar sabor! ;D
...bem...e posto isto vou comer uma sopinha e fazer a cama...Bon apetit!
Curioso foi dar comigo a rir-me ás gargalhadas com alguns gestos da personagem da Merryl Strip...e encantar-me com a relação que a cozinheira Julia e o seu marido tinham...
O apoio que ele lhe dava...ela seguia-o, desistiu de tudo para estar com ele e ele reconhecia isso e demonstrava que gostava dela apoiando-a na sua aventura culinária, sempre com muita doçura...e isso é tudo tão importante. É bonito ver duas pessoas que se tratam bem, que se cuidam e mimam...e que o demonstram...porque ás vezes são os gestos pequenos, como um pequeno almoço feito para satisfazer os desejos de quem se quer mimar levado à cama, pode ser tão fácil de realizar, e tão bom de saborear...
O que me faz vir aqui escrever a estas horas (01h00), quando já deveria estar no quarto, a pôr os lençóis lavados na cama desfeita ou a lavar a loiça que acumulei no lava-loiças, foi o facto de ter sentido a mesma satisfação que elas tiveram ao cozinhar e de reconhecer o valor que tem o tempo passado na confecção destes pequenos prazeres.
Adoro cozinhar, adoro ter para quem cozinhar...cheguei a casa e por entre sacos de compras para arrumar, roupa para tentar salvar do estendal onde ficou à chuva, e o caos em que se encontra a minha casa, a primeira coisa em que pensei foi em fazer uma sopa de caldo verde inventado, e pelo meio umas beringelas recheadas com soja para o almoço de amanhã, por entre as fatias de pão saloio cobertas com manteiga de alho, fiambre fumado e queijo gouda salpicado de ervas no forno que preparei para o jantar hoje...
...a minha delícia é cozinhar e imagino sempre, enquanto preparo estas minhas magias inventadas, mas que desde sempre se fizeram, que alguém o vai saborear...que não sou apenas eu e que no final vou partilhar estes sabores que vou inventando com a pessoa que está no meu pensamento e para quem dirijo todos aqueles aromas. Mesmo quando acabo por comer sozinha, penso sempre "huuummm, terias adorado..."
Penso em várias pessoas para quem o gostaria de fazer...mas reconheço que o prazer de cozinhar para alguém de quem se gosta, que nos trata bem, que nos ama e apoia incondicionalmente...o nosso companheiro...tem sempre outro sabor.
Foi um filme bonito, que adiciona de forma mais terra-a-terra o que o filme "Chocolate" nos mostra de forma mais mágica...amor e cozinha...dois temas interligados desde sempre...dois temas que adoro...dois temperos imprescindíveis à receita da vida que vou elaborando com uns toques de descoberta para dar sabor! ;D
...bem...e posto isto vou comer uma sopinha e fazer a cama...Bon apetit!
quinta-feira, dezembro 31, 2009
A andorinha e o cebolinho
Ela tinha destas coisas...andorinha negra e luzidia, sempre gostou de voar e razar os campos em busca de aventuras.
Um dia passou perto de um campo de cebolas frescas e verdejantes...nunca gostou de cebolas, e no entanto naquele dia ali estava ver que novidades havia.
Nada de novo encontrou até ao momento em que resolveu pousar numa pedra e sacudir as penas. Naturalmente começou a cantar pelo prazer de se sentir livre dos pequenos pós que se lhe tinham acumulado nas penas e que carregou consigo durante uns tempos. Aquela limpeza deixou-a mais leve.
A leveza era tanta que sentiu vontade de libertar a alma e cantou...Quando se virou deu com uns olhos verdes muito abertos que a observavam sem se mover. Aproximou-se...o cebolinho ali estava, onde sempre esteve, agarrado à terra, emando o seu aroma e indagando que ave seria aquela que apenas vira ao longe voando no céu. Já tinha visto aves migratórias, a sua inconstância e permanente vontade de seguir voando para paises que nunca tinha visto davam-lhe alguma curiosidade. Invejava-lhes a liberdade e no entanto nunca a tinha desejado verdadeiramente. Sentia-se feliz consigo, com a sua realidade, sempre estável e era agradecido à terra que o acolhia e lhe permitia usufruir daquele cantinho. Houve tempos em que se tinha deixado encantar por uma cegonha, mais do que qualquer Ser da terra se deveria deixar encantar por Seres do ar e no entanto assim tinha sido!
A andorinha olhou-o com curiosidade, o seu verde era quase fluorescente, o seu aroma enebriante, e embora não fôsse bonito, viu nele um brilho que não via nas cebolas que tinha sobrevoado...era uma cebola pequena, e no entanto tão esguia e altiva.
Os olhos do cebolinho não se desviaram e a andorinha sentiu necessidade de se aproximar...roçou-lhe as folhas com a pequena cabeça e pescoço...fechou os olhos e sentiu o aroma, rodou em volta dele sem saber muito bem porque o fazia, mas quanto mais o fazia mais vontade tinha de continuar. Fechou os olhos e acreditou que voava com ele, todo o percurso que tinha feito até áquele sacudir de penas fizeram de repente sentido e deu por si entregue ao canto que lhe saía da alma.
Por momentos tudo fez sentido, até que abriu os olhos e viu que o cebolinho não se tinha mexido. Pensou que só ela tinha acreditado que aquele momento perfeito fazia sentido. E como o cebolinho permaneceu calado, apenas observando, a andorinha baixou os olhos, sacudiu as asas e voou...
Um dia passou perto de um campo de cebolas frescas e verdejantes...nunca gostou de cebolas, e no entanto naquele dia ali estava ver que novidades havia.
Nada de novo encontrou até ao momento em que resolveu pousar numa pedra e sacudir as penas. Naturalmente começou a cantar pelo prazer de se sentir livre dos pequenos pós que se lhe tinham acumulado nas penas e que carregou consigo durante uns tempos. Aquela limpeza deixou-a mais leve.
A leveza era tanta que sentiu vontade de libertar a alma e cantou...Quando se virou deu com uns olhos verdes muito abertos que a observavam sem se mover. Aproximou-se...o cebolinho ali estava, onde sempre esteve, agarrado à terra, emando o seu aroma e indagando que ave seria aquela que apenas vira ao longe voando no céu. Já tinha visto aves migratórias, a sua inconstância e permanente vontade de seguir voando para paises que nunca tinha visto davam-lhe alguma curiosidade. Invejava-lhes a liberdade e no entanto nunca a tinha desejado verdadeiramente. Sentia-se feliz consigo, com a sua realidade, sempre estável e era agradecido à terra que o acolhia e lhe permitia usufruir daquele cantinho. Houve tempos em que se tinha deixado encantar por uma cegonha, mais do que qualquer Ser da terra se deveria deixar encantar por Seres do ar e no entanto assim tinha sido!
A andorinha olhou-o com curiosidade, o seu verde era quase fluorescente, o seu aroma enebriante, e embora não fôsse bonito, viu nele um brilho que não via nas cebolas que tinha sobrevoado...era uma cebola pequena, e no entanto tão esguia e altiva.
Os olhos do cebolinho não se desviaram e a andorinha sentiu necessidade de se aproximar...roçou-lhe as folhas com a pequena cabeça e pescoço...fechou os olhos e sentiu o aroma, rodou em volta dele sem saber muito bem porque o fazia, mas quanto mais o fazia mais vontade tinha de continuar. Fechou os olhos e acreditou que voava com ele, todo o percurso que tinha feito até áquele sacudir de penas fizeram de repente sentido e deu por si entregue ao canto que lhe saía da alma.
Por momentos tudo fez sentido, até que abriu os olhos e viu que o cebolinho não se tinha mexido. Pensou que só ela tinha acreditado que aquele momento perfeito fazia sentido. E como o cebolinho permaneceu calado, apenas observando, a andorinha baixou os olhos, sacudiu as asas e voou...
just a little bit...
You can't see my heart beating
You can't see it through my chest
And I’m terrified but I’m not leaving
Know that I must must pass this test
So just pull the trigger...
não é pela música...é só por este pequeno trecho..ás vezes é mesmo assim que tem de ser!
You can't see it through my chest
And I’m terrified but I’m not leaving
Know that I must must pass this test
So just pull the trigger...
não é pela música...é só por este pequeno trecho..ás vezes é mesmo assim que tem de ser!
quarta-feira, dezembro 30, 2009
A troca
Entrei na loja...
Lá fora chovia a cântaros, mas eu entrava feliz naquele espaço alaranjado e cheio de movimento. Sentia-me feliz por estar tão seca!
Tinha descido o Chiado no meio de uma das maiores cargas de água do dia. Todos se afastavam e juntavam aos prédios enquanto eu passava serena com o meu chapéu de chuva desproporcinalmente grande e as minha galochas...sim, resolvi usar galochas...e sim...são pretas e têm caveirinhas! É daquelas coisas que já não consigo voltar atrás e desfazer a compra, mas na verdade, embora fosse o alvo de muitos olhares, naquele dia sentia-me feliz por as ter comigo e poder pisar todas as poças que encontrava pelo caminho sem me preocupar. Que sensação óptima!
Assim percorri parte do centro da cidade rumo à loja onde ia fazer a troca do presente de natal da minha avó! Tanto trabalho me tinha dado a comprar e no final não serviram!!
Mas enfim, resignada à minha sorte, ali estava novamente na loja para tratar das pantufas!
A rapariga já me conhecia de vista...esta era a terceira vez que lá ia para tratar tão somente daquilo.
Encostei-me ao balcão e à máquina registradora de metal trabalhado antiga...uma imitação provávelmente, mas sempre me perdi a analisar o recorte dos desenhos cravados no metal e na manivela que abre a gaveta do "ouro".
Começei a abrir os talões que me engordam a carteira até hoje com o objectivo de ter à mão os talões para as prendas falhadas de natal.
Um a um desdobrei-os a todos...Leroy, Ikea, Natura, BP, Jumbo, multibanco...um a um e nada do que precisava...começei a notar um sorriso trocista por parte da rapariga que me atendia e disse-lhe que sabia que o tinha ali, que era pequeno..."qual era o valor?". A rapariga sabia de cor: 14.95€. Encontrei!!! 14.30€....ainda não era este e o molho estava a acabar. Começei a tentar justificar-me e a perguntar se me trocariam o tamanho mesmo sem talão, e continuava a desdobrar talões...Centro de cópias, leroy, Gato Preto... e nada...do outro lado do balcão a rapariga já só se ria e eu tristemente ria com ela...o balcão estava neste momento completamente ocupado pelos talões que pareciam crescer a cada um que tirava.
Riamos as duas em conjunto da minha infelicidade, e agradecia o facto de não haver ninguém que quisésse pagar alguma coisa, pois não teria para onde afastar o monte de papel que se acumulava à minha frente.
Resolvi rever tudo novamente, um a um...nada de 14.95€...a rapariga ria-se como uma perdida do meu ar semi-infeliz a percorrer os papéis que religiosamente guardei para aquele momento e no final de nada me estava a servir ter carregado aquele fardo de talões para todo o lado...."veja na outra bolsa" dizia ela, "eu acho que me lembro de a ouvir dizer que ia guardar num sítio diferente para não o perder"...
Acabei por desistir...
A rapariga de bom humor foi à procura das pantufas...encontrou o último par com o número que eu precisava...um golpe de sorte!
Debaixo de chuva e sequinha, perder um talão e mesmo assim conseguir fazer uma troca envolvida em boa disposição e simpatia, ainda apanhar o último par do que precisava...e sair da loja com um sorriso. Não acontece sempre, mas quando acontece, tem de se registar!!
Lá fora chovia a cântaros, mas eu entrava feliz naquele espaço alaranjado e cheio de movimento. Sentia-me feliz por estar tão seca!
Tinha descido o Chiado no meio de uma das maiores cargas de água do dia. Todos se afastavam e juntavam aos prédios enquanto eu passava serena com o meu chapéu de chuva desproporcinalmente grande e as minha galochas...sim, resolvi usar galochas...e sim...são pretas e têm caveirinhas! É daquelas coisas que já não consigo voltar atrás e desfazer a compra, mas na verdade, embora fosse o alvo de muitos olhares, naquele dia sentia-me feliz por as ter comigo e poder pisar todas as poças que encontrava pelo caminho sem me preocupar. Que sensação óptima!
Assim percorri parte do centro da cidade rumo à loja onde ia fazer a troca do presente de natal da minha avó! Tanto trabalho me tinha dado a comprar e no final não serviram!!
Mas enfim, resignada à minha sorte, ali estava novamente na loja para tratar das pantufas!
A rapariga já me conhecia de vista...esta era a terceira vez que lá ia para tratar tão somente daquilo.
Encostei-me ao balcão e à máquina registradora de metal trabalhado antiga...uma imitação provávelmente, mas sempre me perdi a analisar o recorte dos desenhos cravados no metal e na manivela que abre a gaveta do "ouro".
Começei a abrir os talões que me engordam a carteira até hoje com o objectivo de ter à mão os talões para as prendas falhadas de natal.
Um a um desdobrei-os a todos...Leroy, Ikea, Natura, BP, Jumbo, multibanco...um a um e nada do que precisava...começei a notar um sorriso trocista por parte da rapariga que me atendia e disse-lhe que sabia que o tinha ali, que era pequeno..."qual era o valor?". A rapariga sabia de cor: 14.95€. Encontrei!!! 14.30€....ainda não era este e o molho estava a acabar. Começei a tentar justificar-me e a perguntar se me trocariam o tamanho mesmo sem talão, e continuava a desdobrar talões...Centro de cópias, leroy, Gato Preto... e nada...do outro lado do balcão a rapariga já só se ria e eu tristemente ria com ela...o balcão estava neste momento completamente ocupado pelos talões que pareciam crescer a cada um que tirava.
Riamos as duas em conjunto da minha infelicidade, e agradecia o facto de não haver ninguém que quisésse pagar alguma coisa, pois não teria para onde afastar o monte de papel que se acumulava à minha frente.
Resolvi rever tudo novamente, um a um...nada de 14.95€...a rapariga ria-se como uma perdida do meu ar semi-infeliz a percorrer os papéis que religiosamente guardei para aquele momento e no final de nada me estava a servir ter carregado aquele fardo de talões para todo o lado...."veja na outra bolsa" dizia ela, "eu acho que me lembro de a ouvir dizer que ia guardar num sítio diferente para não o perder"...
Acabei por desistir...
A rapariga de bom humor foi à procura das pantufas...encontrou o último par com o número que eu precisava...um golpe de sorte!
Debaixo de chuva e sequinha, perder um talão e mesmo assim conseguir fazer uma troca envolvida em boa disposição e simpatia, ainda apanhar o último par do que precisava...e sair da loja com um sorriso. Não acontece sempre, mas quando acontece, tem de se registar!!
terça-feira, dezembro 29, 2009
Cangote
Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui
(uh uh uh)
Te pego sorrindo num pensamento
Faz graça de onde fiz meu achego, meu alento
E nem lembro
Como pode, no silêncio, tudo se explicar?!
Vagarosa, me espreguiço
E o que sinto, feito bocejo, vai pegar
Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui
(uh uh uh)
By: Céu
Tão simples e tão bonita...que bom descobrir músicas bonitas!
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui
(uh uh uh)
Te pego sorrindo num pensamento
Faz graça de onde fiz meu achego, meu alento
E nem lembro
Como pode, no silêncio, tudo se explicar?!
Vagarosa, me espreguiço
E o que sinto, feito bocejo, vai pegar
Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui
(uh uh uh)
By: Céu
Tão simples e tão bonita...que bom descobrir músicas bonitas!
Trabalho, que vontade!!
O Natal já se acabou...
Vem aí a passagem de ano...
São João São João São João dá cá motivação para trabalhar...
Não rima, mas é sincero... :p
Vem aí a passagem de ano...
São João São João São João dá cá motivação para trabalhar...
Não rima, mas é sincero... :p
segunda-feira, dezembro 28, 2009
Vincos
É curioso como há pessoas que passam pela nossa vida sem deixar marca absolutamente nenhuma, e outras com as quais só nos cruzamos por um curto espaço e tempo e isso é suficiente para nos ligarmos para a vida.
Nunca consigo deixar de me espantar quando recebo mails ou mensagens dessas pessoas, e muito menos de me questionar por que carga de água é que estas ligações permanecem como se sempre nos tivéssemos conhecido há séculos se na verdade nem sequer nos conhecemos bem, quando moramos, em alguns casos, em países diferentes e as nossas realidades não se tocariam sequer se não fôsse o link que insistimos em manter e que veio do nada!
Mas gosto...gosto de saber que tudo é possível, de saber que há pessoas algures que mesmo sem estarem comigo, na verdade estão, e que existe um fio invisível que tudo une e faz com que tudo tenha um sentido, muito embora por vezes não se perceba o porquê, como é o caso destas pessoas. É lindo estar com alguém por minutos, umas horas, ou uns dias e sentir uma ligação tão forte como se fôsse o nosso melhor amigo, uma irmã...e que fantástico é termos a internet e telemóveis e etc, ao nosso serviço para manter o link sempre conectado.
Não há nada a fazer...desde que me libertei que pareço uma criança alucinada pelas coisas fantásticas e pequenas que a vida me apresenta! Adoro descobrir gente...adoro dar o nózinho no laço que nos une, pois sei que mesmo que o tenha de vir a desatar, e que me custe horrores a fazê-lo, o fio fica sempre vincado!! Adoro ver o teu sorriso que me acalma, receber o teu mail com duas palavras mas que no fundo dizem tudo, receber a tua mensagem de que estás por cá, ou o teu post no facebook que me diz que te lembraste de algo que temos em comum...
Adoro...Adoro...e acima de tudo Adoro-Vos por me darem tanto!
Nunca consigo deixar de me espantar quando recebo mails ou mensagens dessas pessoas, e muito menos de me questionar por que carga de água é que estas ligações permanecem como se sempre nos tivéssemos conhecido há séculos se na verdade nem sequer nos conhecemos bem, quando moramos, em alguns casos, em países diferentes e as nossas realidades não se tocariam sequer se não fôsse o link que insistimos em manter e que veio do nada!
Mas gosto...gosto de saber que tudo é possível, de saber que há pessoas algures que mesmo sem estarem comigo, na verdade estão, e que existe um fio invisível que tudo une e faz com que tudo tenha um sentido, muito embora por vezes não se perceba o porquê, como é o caso destas pessoas. É lindo estar com alguém por minutos, umas horas, ou uns dias e sentir uma ligação tão forte como se fôsse o nosso melhor amigo, uma irmã...e que fantástico é termos a internet e telemóveis e etc, ao nosso serviço para manter o link sempre conectado.
Não há nada a fazer...desde que me libertei que pareço uma criança alucinada pelas coisas fantásticas e pequenas que a vida me apresenta! Adoro descobrir gente...adoro dar o nózinho no laço que nos une, pois sei que mesmo que o tenha de vir a desatar, e que me custe horrores a fazê-lo, o fio fica sempre vincado!! Adoro ver o teu sorriso que me acalma, receber o teu mail com duas palavras mas que no fundo dizem tudo, receber a tua mensagem de que estás por cá, ou o teu post no facebook que me diz que te lembraste de algo que temos em comum...
Adoro...Adoro...e acima de tudo Adoro-Vos por me darem tanto!
Créu
Não posso deixar de cá vir fazer referência ao post que acabei de pôr no blog da viagem: http://pedeventosa.blogspot.com/
O Créu ...Quem aqui vier, please vá lá espreitar!
O Créu ...Quem aqui vier, please vá lá espreitar!
domingo, dezembro 27, 2009
O enviado...
Acabei de sair do cinema...
Vi sem dúvida um dos melhores filmes de animação/ficção/aventura (nem sei bem como chamar!) dos últimos tempos.
As imagens são de uma imaginação feroz e fantástica, muito bem conseguida e embora a história se trate de uma receita já mais do que experimentada, continua a servir para nos fazer sonhar, ou pelo menos a mim...
Eu, experimentada sonhadora e lamechas, não verti uma lágrima, e no entanto saí de lá com uma profunda nostalgia.
Conseguir ver para além do que realmente existe, sentir a ligação entre as coisas, entendê-las, respeitá-las e aceitá-las são por vezes coisas que não conseguimos fazer fácilmente, ou que, no meu caso, me custa sempre perceber se realmente o estou ou não a fazer.
As coisas acontecem na nossa vida, ao longo do nosso percurso e por vezes não as vemos bem, ou então achamos que vemos e que démos o passo certo...mas na verdade nunca existe um corrector celestial que nos indique se acertámos em cheio no que devíamos fazer ou se foi um tiro ao lado.
O filme, cheio de ideologias e mensagens é, e será sempre perfeito, porque são mil cabeças a lutar por um fim, para o levar a um objectivo final, para responder a uma exigência ao fim ao cabo criada por nós próprios. Mas na vida isso não existe, e eu questiono-me...
No meu trilho em particular, sei que tenho de abrir os olhos, sei que tenho de Ver para além do óbvio e que tu me viéste ajudar.
A melodia que me emprestaste veio acordar um dos meus sentidos já existentes, mas sempre camuflados. Fizéste-o, e sem que me tenha apercebido aceitei por palavras o que outrora havia recusado do mesmo modo, e agora tenho receio de o ter despertado cedo demais, de não saber o que estou a fazer ou se realmente acredito no que disse.
Sei que me trouxeste de volta uma lição que não passei anteriormente, sei que tenho de saber esperar, aceitar e dar espaço. E sei-o porque é precisamente quando normalmente estaria a querer aproveitar o pouco tempo que me resta, sei-o porque me atrasas, porque me obrigas a aceitar os tempos que outrora atropelaria, porque me guias em silêncio e em silêncio atrevo-me a aguardar.
Tu és o sábio que me que me vai fazer Ver...eu guio e tu guias-me...cada um do seu modo.
Eu Vejo-te...e sim, esta foi a altura certa...
Vi sem dúvida um dos melhores filmes de animação/ficção/aventura (nem sei bem como chamar!) dos últimos tempos.
As imagens são de uma imaginação feroz e fantástica, muito bem conseguida e embora a história se trate de uma receita já mais do que experimentada, continua a servir para nos fazer sonhar, ou pelo menos a mim...
Eu, experimentada sonhadora e lamechas, não verti uma lágrima, e no entanto saí de lá com uma profunda nostalgia.
Conseguir ver para além do que realmente existe, sentir a ligação entre as coisas, entendê-las, respeitá-las e aceitá-las são por vezes coisas que não conseguimos fazer fácilmente, ou que, no meu caso, me custa sempre perceber se realmente o estou ou não a fazer.
As coisas acontecem na nossa vida, ao longo do nosso percurso e por vezes não as vemos bem, ou então achamos que vemos e que démos o passo certo...mas na verdade nunca existe um corrector celestial que nos indique se acertámos em cheio no que devíamos fazer ou se foi um tiro ao lado.
O filme, cheio de ideologias e mensagens é, e será sempre perfeito, porque são mil cabeças a lutar por um fim, para o levar a um objectivo final, para responder a uma exigência ao fim ao cabo criada por nós próprios. Mas na vida isso não existe, e eu questiono-me...
No meu trilho em particular, sei que tenho de abrir os olhos, sei que tenho de Ver para além do óbvio e que tu me viéste ajudar.
A melodia que me emprestaste veio acordar um dos meus sentidos já existentes, mas sempre camuflados. Fizéste-o, e sem que me tenha apercebido aceitei por palavras o que outrora havia recusado do mesmo modo, e agora tenho receio de o ter despertado cedo demais, de não saber o que estou a fazer ou se realmente acredito no que disse.
Sei que me trouxeste de volta uma lição que não passei anteriormente, sei que tenho de saber esperar, aceitar e dar espaço. E sei-o porque é precisamente quando normalmente estaria a querer aproveitar o pouco tempo que me resta, sei-o porque me atrasas, porque me obrigas a aceitar os tempos que outrora atropelaria, porque me guias em silêncio e em silêncio atrevo-me a aguardar.
Tu és o sábio que me que me vai fazer Ver...eu guio e tu guias-me...cada um do seu modo.
Eu Vejo-te...e sim, esta foi a altura certa...
quinta-feira, dezembro 24, 2009
Madrugada natalícia
7h da manhã! Foi a essa hora que ontem consegui estabilizar as prendas que me faltavam fazer... dormi 3h, corri para o centro de cópias e cheguei 4 horas atrasada ao trabalho! Se não fosse a flexibilidade que tenho em termos de horários bem podia dizer adeus ao meu salário!! Felizmente hoje é a consoada e toda a gente é mais benevolente...menos o Sr. do centro de cópias, que me cobrou o couro e o cabelo! Felizmente também, que tenho muito cabelo!! :D
Tenho de admitir que foi uma noite estranha...muita música, chocolates, chá, chuva, e depois ouvir o acordar de Alfama. Quando finalmente fechei os olhos já o café em baixo estava aberto e a vida começava a agitar-se nas ruas.
Mas foi fácil e já está praticamente tudo! Só falta colar umas coisinhas que terei de fazer depois do trabalho, no primeiro café que encontrar aberto antes de seguir para casa, onde a dona do presente já estará a perfumar a casa com petiscos apetitosos!
Consegui! Estou contente! Viva o Natal...vai ser muito bom descontrair finalmente!
Tenho de admitir que foi uma noite estranha...muita música, chocolates, chá, chuva, e depois ouvir o acordar de Alfama. Quando finalmente fechei os olhos já o café em baixo estava aberto e a vida começava a agitar-se nas ruas.
Mas foi fácil e já está praticamente tudo! Só falta colar umas coisinhas que terei de fazer depois do trabalho, no primeiro café que encontrar aberto antes de seguir para casa, onde a dona do presente já estará a perfumar a casa com petiscos apetitosos!
Consegui! Estou contente! Viva o Natal...vai ser muito bom descontrair finalmente!
quarta-feira, dezembro 23, 2009
Natal...tormento anual!
Os anos passam, os dias correm e eu dou por mim sempre na mesma por mais que evite!!
Planeia-se o Natal, evitam-se os centros comerciais, escolhem-se prendas originais mas fáceis para evitar cair na tentação do banal ou do excesso de trabalho, e no fim continuamos todos a correr e a fazer coisas de última hora!
Amanhã é a tão esperada Véspera...e pela primeira vez na minha vida, vai ser em minha casa!!! Algo tão especial e tão envolto em tormentos...não tenho as prendas todas, os pratos escolhidos ainda estão em fase preparatória, que se prevê longa...abençoada irmãzinha que está de folga e correu em meu auxílio senão não sei o que seria de mim... e a casa ainda está de pantanas.
Véspera de Natal...amanhã...e hoje, vai ser uma noite longa longa longa...
...não fôsse a minha adoração por esta época do ano e acho que dava em doida!!!!
Feliz Natal a todos!!!!

:D
Planeia-se o Natal, evitam-se os centros comerciais, escolhem-se prendas originais mas fáceis para evitar cair na tentação do banal ou do excesso de trabalho, e no fim continuamos todos a correr e a fazer coisas de última hora!
Amanhã é a tão esperada Véspera...e pela primeira vez na minha vida, vai ser em minha casa!!! Algo tão especial e tão envolto em tormentos...não tenho as prendas todas, os pratos escolhidos ainda estão em fase preparatória, que se prevê longa...abençoada irmãzinha que está de folga e correu em meu auxílio senão não sei o que seria de mim... e a casa ainda está de pantanas.
Véspera de Natal...amanhã...e hoje, vai ser uma noite longa longa longa...
...não fôsse a minha adoração por esta época do ano e acho que dava em doida!!!!
Feliz Natal a todos!!!!

:D
terça-feira, dezembro 22, 2009
Assimilar mudanças
De tudo o que me passa pela cabeça constantemente, muitas coisas não interessam, outras interessam demais para partilhar, e outras são simplesmente pensamentos e preocupações que me interessam registar...
Hoje lembrei-me dela...lembrei-me da imagem que sempre guardei, lembrei-me especialmente de um momento de troca de ofensas numa aula, de como me chamou Leão e Girafa, e de como eu lhe respondi com um Macaco (que sempre julguei demasiado ofensivo, bem mais do que o Leão ou a Girafa, bem mais marcante e determinate para o modo como as raparigas se vêm...depois de o ter dito, arrependi-me, mas já estava dito e eu estava zangada!).
Esta imagem que guardei acima de todas as outras sempre afectou o modo como me relacionei com ela...das poucas vezes que o fiz fiquei contente de perceber que não se lembrava desta cena, e que felizmente me guardava mais amizade do que julgava.
Hoje lembrei-me dela porque me senti próxima, porque partilho da sua dor, porque sei o que sente, e sei que não quero que passe por isso.
Perder um amigo que se julga eterno, por quem se tem, acima do amor que se partilha enquanto casal, uma amizade que sempre estruturou essa relação, pode ser das piores coisas que nos acontecem...e pode revoltar-nos por acharmos que não é preciso tanto, que estamos a ser mal-entendidas, e que apenas queremos manter a amizade que tanto prezamos.
Eu nunca fui entendida neste sentido...ele sempre achou que eu não conseguia assimilar a mudança, que de algum modo o continuava a querer comigo, e afastou-se pelo bem dessa amizade que no fundo recusou com a desculpa de ser melhor para nós. Esteve sempre enganado e eu nunca consegui que entendêsse que só queria manter o que construímos, as fundações, a amizade que nunca encontrarei noutra pessoa da mesma maneira, porque somos todos diferentes...
Após tanto tempo reconstruimos ambos as nossas vidas, mas a um preço quanto a mim caro demais... continuo a lamentar que tenha quebrado o que de mais precioso havia sido construido ao longo de tanto tempo...a nossa amizade...perdi nessa altura um dos meus maiores amigos na vida, porque ele assim o quis, porque queria seguir em frente e a minha presença parecia-lhe sempre um pedido de atenção e não uma oferta do que dou de melhor aos meus amigos, a minha intimidade, o meu Ser sem segredos...ele era o meu apoio, quem me compreendia acima de todos, quem me viu crescer, quem eu jamais poderia julgar que fosse capaz de me virar as costas...mas virou...e hoje vejo-o assim...
Hoje lembrei-me dela e recordei-me a mim...e tive pena de mentalmente a ver passar pelo mesmo que eu, porque na verdade não a ajudará a ela, mas tão somente a ele, e todos sabemos que não é por mal...é mesmo assim...ela ficará magoada e uma amizade pode vir a desaparecer...
Hoje lembrei-me dela...lembrei-me da imagem que sempre guardei, lembrei-me especialmente de um momento de troca de ofensas numa aula, de como me chamou Leão e Girafa, e de como eu lhe respondi com um Macaco (que sempre julguei demasiado ofensivo, bem mais do que o Leão ou a Girafa, bem mais marcante e determinate para o modo como as raparigas se vêm...depois de o ter dito, arrependi-me, mas já estava dito e eu estava zangada!).
Esta imagem que guardei acima de todas as outras sempre afectou o modo como me relacionei com ela...das poucas vezes que o fiz fiquei contente de perceber que não se lembrava desta cena, e que felizmente me guardava mais amizade do que julgava.
Hoje lembrei-me dela porque me senti próxima, porque partilho da sua dor, porque sei o que sente, e sei que não quero que passe por isso.
Perder um amigo que se julga eterno, por quem se tem, acima do amor que se partilha enquanto casal, uma amizade que sempre estruturou essa relação, pode ser das piores coisas que nos acontecem...e pode revoltar-nos por acharmos que não é preciso tanto, que estamos a ser mal-entendidas, e que apenas queremos manter a amizade que tanto prezamos.
Eu nunca fui entendida neste sentido...ele sempre achou que eu não conseguia assimilar a mudança, que de algum modo o continuava a querer comigo, e afastou-se pelo bem dessa amizade que no fundo recusou com a desculpa de ser melhor para nós. Esteve sempre enganado e eu nunca consegui que entendêsse que só queria manter o que construímos, as fundações, a amizade que nunca encontrarei noutra pessoa da mesma maneira, porque somos todos diferentes...
Após tanto tempo reconstruimos ambos as nossas vidas, mas a um preço quanto a mim caro demais... continuo a lamentar que tenha quebrado o que de mais precioso havia sido construido ao longo de tanto tempo...a nossa amizade...perdi nessa altura um dos meus maiores amigos na vida, porque ele assim o quis, porque queria seguir em frente e a minha presença parecia-lhe sempre um pedido de atenção e não uma oferta do que dou de melhor aos meus amigos, a minha intimidade, o meu Ser sem segredos...ele era o meu apoio, quem me compreendia acima de todos, quem me viu crescer, quem eu jamais poderia julgar que fosse capaz de me virar as costas...mas virou...e hoje vejo-o assim...
Hoje lembrei-me dela e recordei-me a mim...e tive pena de mentalmente a ver passar pelo mesmo que eu, porque na verdade não a ajudará a ela, mas tão somente a ele, e todos sabemos que não é por mal...é mesmo assim...ela ficará magoada e uma amizade pode vir a desaparecer...
segunda-feira, dezembro 21, 2009
tempo...tempo...tempo
O vento perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.
O tempo respondeu ao vento que não tem tempo para dizer que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem...
...Tempinho difícil de entender!!! LOL :D
Bem...enquanto o tempo for de Sol há que aproveitar todo o tempo que o tempo tem!! :D
O tempo respondeu ao vento que não tem tempo para dizer que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem...
...Tempinho difícil de entender!!! LOL :D
Bem...enquanto o tempo for de Sol há que aproveitar todo o tempo que o tempo tem!! :D
quarta-feira, dezembro 16, 2009
Indiscritível
O frio que sinto é indescritível.
Os aquecedores que me rodeiam, que ainda são 3, deitam o calor no máximo e mesmo assim não consigo tirar o cachecol e os dedos estão enregelados!
As paredes deste convento que me abriga funcionam ao contrário, guardam o frio no inverno e o calor no verão.
Hoje estou GELADA! Consigo sentir os músculos na zona dos ombros, pescoço e omoplatas tão tensos que parece que se uniram num só!!
Que desconforto!!
Não há condições de trabalho...vou aproveitar e vou aquecer os dedos a escrever no blog o frio que estou a sentir!
Os aquecedores que me rodeiam, que ainda são 3, deitam o calor no máximo e mesmo assim não consigo tirar o cachecol e os dedos estão enregelados!
As paredes deste convento que me abriga funcionam ao contrário, guardam o frio no inverno e o calor no verão.
Hoje estou GELADA! Consigo sentir os músculos na zona dos ombros, pescoço e omoplatas tão tensos que parece que se uniram num só!!
Que desconforto!!
Não há condições de trabalho...vou aproveitar e vou aquecer os dedos a escrever no blog o frio que estou a sentir!
Acorda menina linda
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda ver que lindo presente
A aurora trouxe para te prendar
Uma coroa de brilhantes para iluminar
O teu cabelo revolto como o mar
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda a ver o gato vadio
À caça do pássaro cantor
Vem respirar o perfume
Das amendoeiras em flor
Salta da cama
Anda viver, meu amor
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
by: O grande Jorge Palma
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda ver que lindo presente
A aurora trouxe para te prendar
Uma coroa de brilhantes para iluminar
O teu cabelo revolto como o mar
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?
Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda a ver o gato vadio
À caça do pássaro cantor
Vem respirar o perfume
Das amendoeiras em flor
Salta da cama
Anda viver, meu amor
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
by: O grande Jorge Palma
terça-feira, dezembro 15, 2009
Pedaços de um conto
O vento e a terra encontraram-se...
E a terra perguntou ao vento quando se iam a separar: "O que é que eu posso fazer por ti?"
A terra tinha este jeito atencioso e preocupado.
"Nada" respondeu o vento, livre e independente como sempre.
Mas a terra mesmo assim aqueceu a água na temperatura certa e com ela o vento lavou a alma.
E a terra perguntou ao vento quando se iam a separar: "O que é que eu posso fazer por ti?"
A terra tinha este jeito atencioso e preocupado.
"Nada" respondeu o vento, livre e independente como sempre.
Mas a terra mesmo assim aqueceu a água na temperatura certa e com ela o vento lavou a alma.
segunda-feira, dezembro 14, 2009
ao teu ouvido...
É que não sei se estás a perceber...é mais grave do que isso...é mais intenso e mais profundo.
É algo que nos une, que nos uniu e que agora reapareceu. Somos um só reencontrado e o que foste e que eu fui encontrou novamente o caminho para nos aproximar.
Não é só um momento...é uma eternidade reencontrada. Será que percebes isso?
Será que eu o percebo? Será que as imagens que tenho são apenas imaginação ou uma realidade por acontecer? vamos mesmo ser isso tudo? Fomos mesmo uma vez? Porquê agora...logo agora?!!?
Que confusão...será que estou mesmo a ver o que vejo?
até tenho medo....
É algo que nos une, que nos uniu e que agora reapareceu. Somos um só reencontrado e o que foste e que eu fui encontrou novamente o caminho para nos aproximar.
Não é só um momento...é uma eternidade reencontrada. Será que percebes isso?
Será que eu o percebo? Será que as imagens que tenho são apenas imaginação ou uma realidade por acontecer? vamos mesmo ser isso tudo? Fomos mesmo uma vez? Porquê agora...logo agora?!!?
Que confusão...será que estou mesmo a ver o que vejo?
até tenho medo....
o vento e a terra
Somos o vento e a terra...
tocamo-nos constantemente, mas nunca me consegues agarrar...
vou ter de me condensar em nevoeiro e deixar-me transformar em água para correr pela tua terra...
tocamo-nos constantemente, mas nunca me consegues agarrar...
vou ter de me condensar em nevoeiro e deixar-me transformar em água para correr pela tua terra...
sexta-feira, dezembro 11, 2009
O Conde ...continuação do texto anterior...
O aperto no peito voltou quando o vi dobrar a curva do estacionamento e desaparecer novamente no meu carro. Desta vez não regressou. O sorriso que tinha no rosto fechou-se e os meus pés aceleraram na direcção que seguiu, e mais uma vez...a culpa é tua tola, a pôr tudo nas mãos de um desconhecido...
O alívio que se seguiu ao ver o carro parado e de capot aberto com uma cabeça lá enfiada só pode ser comparável com a alegria de quem ganha o totoloto ou a lotaria! Afinal não fugiu!
Rodou o motor como um animal que encara a presa vezes sem conta até descobrir o problema e em pouco tempo não só o carro pegou, como me tinha sido dado uma aula de mecânica. Disse-me também o que eu já sabia, que o motor estava a "babar" e que teria de trocar uma borracha que nunca tinha visto na vida. Ofereceu-se para o fazer mais barato do que faria uma oficina
Finalmente apresentou-se...
" Vem ter comigo à feira da ladra, eu estou sempre por lá. O meu negócio são velharias, sou bom naquilo, sabes! Vai lá ter e leva a borracha que arranjo-te isso!"
"E como é que o encontro" - perguntei mantendo sempre o "voçê" pelo meio.
"Encontras-me fácilmente...Procura pelo Conde, o cigano Conde!"
O alívio que se seguiu ao ver o carro parado e de capot aberto com uma cabeça lá enfiada só pode ser comparável com a alegria de quem ganha o totoloto ou a lotaria! Afinal não fugiu!
Rodou o motor como um animal que encara a presa vezes sem conta até descobrir o problema e em pouco tempo não só o carro pegou, como me tinha sido dado uma aula de mecânica. Disse-me também o que eu já sabia, que o motor estava a "babar" e que teria de trocar uma borracha que nunca tinha visto na vida. Ofereceu-se para o fazer mais barato do que faria uma oficina
Finalmente apresentou-se...
" Vem ter comigo à feira da ladra, eu estou sempre por lá. O meu negócio são velharias, sou bom naquilo, sabes! Vai lá ter e leva a borracha que arranjo-te isso!"
"E como é que o encontro" - perguntei mantendo sempre o "voçê" pelo meio.
"Encontras-me fácilmente...Procura pelo Conde, o cigano Conde!"
quinta-feira, dezembro 10, 2009
O Conde
Os olhos dele eram verde água...de uma imensidão tão grande que pareciam vazios...profundos demais para poder fixar por mais de uns segundos...
Quando o vi partir só ouvia o silêncio e o barulho do motor que se afastava. De braços caídos ao lado do corpo e os pés a pararem lentamente de andar, vi-o desaparecer na curva com o meu carro. Naquele momento só conseguia ouvir o meu próprio pensamento...é bem feita, a culpa é tua...
Já de manhã tinha tentado ligar o carro e nenhum ruído havia saído da bateria. Um toque num fio ao lado do motor e quando voltei a dar à chave o carro pegou. O prazer de sentir que percebia alguma coisa do meu próprio carro foi desaparecendo quando mais tarde, já em Algés, depois de pôr o saco-cama na lavandaria e de ir ao minipreço, o tentei ligar de novo e nenhum som apareceu ao rodar a chave. Nem um engasgão, nem um abanão...nada...roda a chave, volta a rodar...nada...nem um som.
"Estou em Algés...aqui há oficinas e eu sei onde ficam...não será dificil encontrar ajuda"...fecho tudo e sigo rumo ao centro. Ao passar por três homens de cabeça enfiada no capot de um carro saem-me as palavras: "Algum dos senhores é mecênico? É que preciso de ajuda..." e quando dei por ela já o Sr. me acompanhava ao carro para dar uma ajuda..." já não faço mecânica à muito tempo..." Quando dou por ela estou a correr atrás do carro, do alto dos saltos que hoje resolvi usar, e num segundo vejo o homem dos olhos de água saltar para dentro do carro e partir rua abaixo até desaparecer e deixando-me no silêncio...
É uma sensação angustiante a de saber que oferecemos um dos nossos bens mais preciosos à boa-vontade de alguém que nesse momento não só tem o carro, como o porta-chaves com todas as nossas chaves, as compras de supermercado que acabámos de fazer e as roupas velhas, que reunimos para dar ao mais desfavorecidos, dentro da bagageira, e que nos desaparece com tudo, deixando-nos de mãos a abanar. E a culpa é tão somente nossa, por confiarmos em alguém que nos ofereceu ajuda...
Regressa com um sorriso nos lábios cheios que preenchem a cara redonda e lhe mostra os dentes afastados e amarelados..." Este carro é teu?!?!"...Só consigo soltar uma gargalhada e deixo que se afaste de novo enquanto roda com o carro no estacionamento como uma criança que brinca com um brinquedo novo.
Quando o vi partir só ouvia o silêncio e o barulho do motor que se afastava. De braços caídos ao lado do corpo e os pés a pararem lentamente de andar, vi-o desaparecer na curva com o meu carro. Naquele momento só conseguia ouvir o meu próprio pensamento...é bem feita, a culpa é tua...
Já de manhã tinha tentado ligar o carro e nenhum ruído havia saído da bateria. Um toque num fio ao lado do motor e quando voltei a dar à chave o carro pegou. O prazer de sentir que percebia alguma coisa do meu próprio carro foi desaparecendo quando mais tarde, já em Algés, depois de pôr o saco-cama na lavandaria e de ir ao minipreço, o tentei ligar de novo e nenhum som apareceu ao rodar a chave. Nem um engasgão, nem um abanão...nada...roda a chave, volta a rodar...nada...nem um som.
"Estou em Algés...aqui há oficinas e eu sei onde ficam...não será dificil encontrar ajuda"...fecho tudo e sigo rumo ao centro. Ao passar por três homens de cabeça enfiada no capot de um carro saem-me as palavras: "Algum dos senhores é mecênico? É que preciso de ajuda..." e quando dei por ela já o Sr. me acompanhava ao carro para dar uma ajuda..." já não faço mecânica à muito tempo..." Quando dou por ela estou a correr atrás do carro, do alto dos saltos que hoje resolvi usar, e num segundo vejo o homem dos olhos de água saltar para dentro do carro e partir rua abaixo até desaparecer e deixando-me no silêncio...
É uma sensação angustiante a de saber que oferecemos um dos nossos bens mais preciosos à boa-vontade de alguém que nesse momento não só tem o carro, como o porta-chaves com todas as nossas chaves, as compras de supermercado que acabámos de fazer e as roupas velhas, que reunimos para dar ao mais desfavorecidos, dentro da bagageira, e que nos desaparece com tudo, deixando-nos de mãos a abanar. E a culpa é tão somente nossa, por confiarmos em alguém que nos ofereceu ajuda...
Regressa com um sorriso nos lábios cheios que preenchem a cara redonda e lhe mostra os dentes afastados e amarelados..." Este carro é teu?!?!"...Só consigo soltar uma gargalhada e deixo que se afaste de novo enquanto roda com o carro no estacionamento como uma criança que brinca com um brinquedo novo.
terça-feira, dezembro 08, 2009
Castelo de Vide
Regressar...
Cair novamente na realidade que nos rodeia, na rotina que criámos, no mundo que conhecêmos...
E sem darmos por ela estamos sentados numa lata de tinta, na confusão de uma casa plena de actos inacabados e de vontades recheada.
O desconforto da lata leva-me de volta ao conforto de um sofá perdido e exposto ao frio da Serra que nos acolheu, e à realidade que por momentos abraçámos...
Frio, chuva, pés a latejar e refeições onde se fez a magia da multiplicação dos mantimentos...e a vista, e o céu cinzento e o cão que brinca e o gato que se enrosca...a casa dos sonhos perdida ao longe, o som da minha alma tocada bem fundo e o sorriso de três fundido num só...
...todos démos um pouco e desse pouco foi tanto o que ficou...
Já tenho saudades
Cair novamente na realidade que nos rodeia, na rotina que criámos, no mundo que conhecêmos...
E sem darmos por ela estamos sentados numa lata de tinta, na confusão de uma casa plena de actos inacabados e de vontades recheada.
O desconforto da lata leva-me de volta ao conforto de um sofá perdido e exposto ao frio da Serra que nos acolheu, e à realidade que por momentos abraçámos...
Frio, chuva, pés a latejar e refeições onde se fez a magia da multiplicação dos mantimentos...e a vista, e o céu cinzento e o cão que brinca e o gato que se enrosca...a casa dos sonhos perdida ao longe, o som da minha alma tocada bem fundo e o sorriso de três fundido num só...
...todos démos um pouco e desse pouco foi tanto o que ficou...
Já tenho saudades
quarta-feira, dezembro 02, 2009
o valor das coisas
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
(Fernando Pessoa)
(Fernando Pessoa)
quinta-feira, novembro 26, 2009
O quadro da ilusão
A ilusão é algo fantástico...
Faz-nos sonhar sem motivos,
Delirar sem sermos loucos,
Inventar com a criatividade de um artista...e quando damos por ela temos um quadro pintado.
E depois nunca é apenas um simples quadro, com ideias vagas do que poderia ser...poder-se-ia dizer que se tratam de verdadeiros Dalís os delírios da nossa ilusão...verdadeiras pérolas pintadas ao mínimo pormenor com pincéis de um pêlo cujo risco numa mão menos precisa sairía um borrão...mas nas mãos de quem vive a ilusão, o quadro branco transforma-se da cor dos nossos sonhos, e a realidade deixa de ter o tom cinzento que a rotina nos dá, para nos encher o rosto com o brilho do sol que a partir desse momento brilha nos nossos corações.
Abençoados os que se iludem, os que sonham, os que divagam...que pena é que não dura muito essa ilusão...
Faz-nos sonhar sem motivos,
Delirar sem sermos loucos,
Inventar com a criatividade de um artista...e quando damos por ela temos um quadro pintado.
E depois nunca é apenas um simples quadro, com ideias vagas do que poderia ser...poder-se-ia dizer que se tratam de verdadeiros Dalís os delírios da nossa ilusão...verdadeiras pérolas pintadas ao mínimo pormenor com pincéis de um pêlo cujo risco numa mão menos precisa sairía um borrão...mas nas mãos de quem vive a ilusão, o quadro branco transforma-se da cor dos nossos sonhos, e a realidade deixa de ter o tom cinzento que a rotina nos dá, para nos encher o rosto com o brilho do sol que a partir desse momento brilha nos nossos corações.
Abençoados os que se iludem, os que sonham, os que divagam...que pena é que não dura muito essa ilusão...
quarta-feira, novembro 25, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
se a cidade fosse uma mulher...
"Se uma mulher for uma cidade tenho uma estratégia para ti.
Percorrer-te as avenidas, as ruas e os caminhos numa noite fria até encontrar um bar onde me abrigue do meu amor por ti.
Talvez peça um copo de vinho quente com ervas aromáticas, pegue num lápis e no meu bloco e escreva que às vezes me perco na desordem dessa cidade grande e que, aí perdido, me pretendo ficar durante anos até talvez te encontrar.
Até talvez me encontrares."
...está bonito...
in" não compreendo as mulheres" by bagaço amarelo
Percorrer-te as avenidas, as ruas e os caminhos numa noite fria até encontrar um bar onde me abrigue do meu amor por ti.
Talvez peça um copo de vinho quente com ervas aromáticas, pegue num lápis e no meu bloco e escreva que às vezes me perco na desordem dessa cidade grande e que, aí perdido, me pretendo ficar durante anos até talvez te encontrar.
Até talvez me encontrares."
...está bonito...
in" não compreendo as mulheres" by bagaço amarelo
quinta-feira, novembro 12, 2009
toca e foge
Estou sempre perdida no meio das pessoas, das minhas vontades e das vontades dos outros!!
E que bom que é poder chegar a todos e em todos tocar, mas o problema persiste sempre...o tempo não estica para poder chegar a todos e ainda chegar até mim...
E que bom que é poder chegar a todos e em todos tocar, mas o problema persiste sempre...o tempo não estica para poder chegar a todos e ainda chegar até mim...
terça-feira, novembro 10, 2009
Fragilidades
Tanta coisa para dizer...de hoje, de ontem...do amanhã..
De tudo faltam-me as palavras e fica a noção de que nem tudo se pode dizer, de que o poder argumentativo das pessoas, e de dar a volta ás questões de forma a defenderem-se é muito grande e portanto ás vezes mais vale calar aquilo que se sabe que não será admitido de livre vontade, pois pode-se sempre justificar ou argumentar noutro caminho, dar a volta e parecer que não era bem assim...e aí a nossa verdade cai por terra pois não há nada a fazer para provar que não existem vontades contrárias...apenas modos de explicar as coisas de forma a influenciar um opinião, uma razão.
As palavras por vezes ajudam a esconder ... Falamos, contamos histórias, inventamos desculpas...
Complicado? Talvez não... ou talvez sim, se não se quiser admitir a falta de vontade que ás vezes temos de mostrar as nossas fragilidades.
Quem quer ser frágil, vulnerável, fraco? .... Ninguém!
De tudo faltam-me as palavras e fica a noção de que nem tudo se pode dizer, de que o poder argumentativo das pessoas, e de dar a volta ás questões de forma a defenderem-se é muito grande e portanto ás vezes mais vale calar aquilo que se sabe que não será admitido de livre vontade, pois pode-se sempre justificar ou argumentar noutro caminho, dar a volta e parecer que não era bem assim...e aí a nossa verdade cai por terra pois não há nada a fazer para provar que não existem vontades contrárias...apenas modos de explicar as coisas de forma a influenciar um opinião, uma razão.
As palavras por vezes ajudam a esconder ... Falamos, contamos histórias, inventamos desculpas...
Complicado? Talvez não... ou talvez sim, se não se quiser admitir a falta de vontade que ás vezes temos de mostrar as nossas fragilidades.
Quem quer ser frágil, vulnerável, fraco? .... Ninguém!
sexta-feira, novembro 06, 2009
Bairro do Amor
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar.
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais
No bairro do amor cada um tem de tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.

Jorge Palma
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar.
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais
No bairro do amor cada um tem de tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.

Jorge Palma
quinta-feira, novembro 05, 2009
mais um dia...
Mais um dia de trabalho...
Mais um dia sem fazer nada...
Mais um dia a ver as horas passar lentamente enquanto a internet me tenta entreter de modo a compensar a falta de entretém que o trabalho tem...
Mais um dia em que faço tudo o que não é suposto fazer entre estas 4 paredes...
Mais um dia...e a pergunta é...quando é que isto muda?
Quando é que volta a vontade de traçar linhas e a vontade de aqui estar porque tenho coisas para concluir, porque estou entusiasmada...porque na verdade até tenho trabalho para fazer...mas e a vontade?!
Ridiculo é ter coisas para fazer, ter o poder de só as fazer quando se quer e ainda nos queixarmos disso...Será que nunca me sentirei satisfeita?!!?
Mais um dia sem fazer nada...
Mais um dia a ver as horas passar lentamente enquanto a internet me tenta entreter de modo a compensar a falta de entretém que o trabalho tem...
Mais um dia em que faço tudo o que não é suposto fazer entre estas 4 paredes...
Mais um dia...e a pergunta é...quando é que isto muda?
Quando é que volta a vontade de traçar linhas e a vontade de aqui estar porque tenho coisas para concluir, porque estou entusiasmada...porque na verdade até tenho trabalho para fazer...mas e a vontade?!
Ridiculo é ter coisas para fazer, ter o poder de só as fazer quando se quer e ainda nos queixarmos disso...Será que nunca me sentirei satisfeita?!!?
terça-feira, novembro 03, 2009
nessa mão onde cabia perfeito o meu coração..
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
segunda-feira, novembro 02, 2009
Há dias...
Há dias em que a alegria nos enche, e sorrimos por tudo e por nada...sem nos apercebermos lançamos sorrisos a tudo, e tudo nos parece bonito. Nesses dias um sorriso é um gesto fácil e parece-nos injusto guardá-lo só para nós...queremos partilhá-lo com todos e sabemos que será bem aceite e o mundo sorrirá connosco porque temos a certeza de que o vamos contagiar!!
Outros dias acordamos com a alma triste, e um laço à volta do coração, que nos aperta com um nó suave, mas ainda assim nos tira um pouco o fôlego.
Nesses dias o sol pode brilhar, e a brisa ser generosa, que a nós nos vai parecer sempre grande o nosso aperto...sempre injusto, sempre solitário.
Nestes dias também queremos mostrar ao mundo a nossa mágoa, a nossa dor, ainda que infundada e temporária...mas é a nossa dor. Aquela que ninguém compreende, aquela que nos faz sentir sozinhos, aquela que nos entristece e emudece.
Tentamos olhar para o mundo e convencer-nos de que não faz sentido, de que temos tudo para sermos felizes, e no entanto o laço não se desaperta...precisamos sempre dos outros para nos puxar aquela pontinha da fita que nos condiciona, e nos mostrar que isso não nos impedia de sorrir, nem de respirar, nem de continuar a mostrar ao mundo o quanto o amamos....porque podemos sofrer e ainda assim dar...
Mas as pessoas não seguem assim...e hoje também eu tenho uma fita... cor de rosa velho...
Outros dias acordamos com a alma triste, e um laço à volta do coração, que nos aperta com um nó suave, mas ainda assim nos tira um pouco o fôlego.
Nesses dias o sol pode brilhar, e a brisa ser generosa, que a nós nos vai parecer sempre grande o nosso aperto...sempre injusto, sempre solitário.
Nestes dias também queremos mostrar ao mundo a nossa mágoa, a nossa dor, ainda que infundada e temporária...mas é a nossa dor. Aquela que ninguém compreende, aquela que nos faz sentir sozinhos, aquela que nos entristece e emudece.
Tentamos olhar para o mundo e convencer-nos de que não faz sentido, de que temos tudo para sermos felizes, e no entanto o laço não se desaperta...precisamos sempre dos outros para nos puxar aquela pontinha da fita que nos condiciona, e nos mostrar que isso não nos impedia de sorrir, nem de respirar, nem de continuar a mostrar ao mundo o quanto o amamos....porque podemos sofrer e ainda assim dar...
Mas as pessoas não seguem assim...e hoje também eu tenho uma fita... cor de rosa velho...
sexta-feira, outubro 23, 2009
bbbrrrrrrrr......
Há dias assim...em que o silêncio se abate sobre nós e a solidão nos esmaga.
Hoje estou assim. Dou um grito do fundo do meu Ser e só se houve a vibração surda do ar que passa no meu didgeridoo. O seu som acompanha o meu sentir, e levá-lo-ei para onde o meu Ser fôr.
Hoje estou assim. Mergulho na hipnose de um som que sinto reverberar no meu esófago, no meu peito, no meu coração ôco, porque hoje está assim, vazio.
Hoje estou assim e pergunto-me porquê. Se o tempo passou, se o meu Ser renasceu, se o sentimento é afastado e o coração calado, porque estou eu assim?
O silêncio enche-me a alma e a sala onde o rádio soa enche-se do meu silêncio, e estou sozinha.
Só eu e o meu silêncio.
Hoje estou assim. Dou um grito do fundo do meu Ser e só se houve a vibração surda do ar que passa no meu didgeridoo. O seu som acompanha o meu sentir, e levá-lo-ei para onde o meu Ser fôr.
Hoje estou assim. Mergulho na hipnose de um som que sinto reverberar no meu esófago, no meu peito, no meu coração ôco, porque hoje está assim, vazio.
Hoje estou assim e pergunto-me porquê. Se o tempo passou, se o meu Ser renasceu, se o sentimento é afastado e o coração calado, porque estou eu assim?
O silêncio enche-me a alma e a sala onde o rádio soa enche-se do meu silêncio, e estou sozinha.
Só eu e o meu silêncio.
quarta-feira, outubro 21, 2009
beijos quentes
Está tudo meio adormecido...
Nenhum blog com novidades, nenhuma conversa a desvendar desejos, e eu também meio adormecida.
Volta meia volta o pensamento voa para o carinho que não tenho, o abraço que não chega, ou o beijo suave que não sinto.
O meu olhar perde-se em sons de silêncio enquanto observa um rapaz que agarra a namorada pela cintura e a chega para si, abrigando-na naquele chepéu de chuva mínimo e com o qual faz promessas de protecção eterna.
Na rádio a música chora uma melodia sofrida de quem diz que mesmo que ela se entregue ao desespero, ele lá estará para não a deixar cair. As imagens desenham-se no meu pensamento, e flutuo para o meu desejo de também eu sentir esse aconchego, de também eu ser puxada da chuva por uma mão protectora, de também eu sentir um beijo que lentamente escorrega por entre os cabelos para se depositar no quente do pescoço.
Esse dia virá certamente. Esses dias aconteceram em tempos, e eu gosto de os recordar. Gosto de recordar que um dia senti o que os apaixonados sentem, e que novamente isso vai acontecer. Estou pronta.
Nenhum blog com novidades, nenhuma conversa a desvendar desejos, e eu também meio adormecida.
Volta meia volta o pensamento voa para o carinho que não tenho, o abraço que não chega, ou o beijo suave que não sinto.
O meu olhar perde-se em sons de silêncio enquanto observa um rapaz que agarra a namorada pela cintura e a chega para si, abrigando-na naquele chepéu de chuva mínimo e com o qual faz promessas de protecção eterna.
Na rádio a música chora uma melodia sofrida de quem diz que mesmo que ela se entregue ao desespero, ele lá estará para não a deixar cair. As imagens desenham-se no meu pensamento, e flutuo para o meu desejo de também eu sentir esse aconchego, de também eu ser puxada da chuva por uma mão protectora, de também eu sentir um beijo que lentamente escorrega por entre os cabelos para se depositar no quente do pescoço.
Esse dia virá certamente. Esses dias aconteceram em tempos, e eu gosto de os recordar. Gosto de recordar que um dia senti o que os apaixonados sentem, e que novamente isso vai acontecer. Estou pronta.
segunda-feira, outubro 12, 2009
terça-feira, outubro 06, 2009
cheia delas...
palavras cobrem-me a alma...
escondidas, expostas, simples e complexas...
remoínham e entrelaçam-se como num novelo de lã...
estou cheia delas...
vou juntá-las e organizá-las na direcção que segue a água do meu rio
e esperar que o percurso do rio as leve a um mar onde os sentidos façam sentido.
escondidas, expostas, simples e complexas...
remoínham e entrelaçam-se como num novelo de lã...
estou cheia delas...
vou juntá-las e organizá-las na direcção que segue a água do meu rio
e esperar que o percurso do rio as leve a um mar onde os sentidos façam sentido.
terça-feira, setembro 01, 2009
Sempre-em-pé, Pinhão e Palhaço
O meu coração tem pedaços...são pedaços
Compõe-se de tudo e de nada
Como um conjunto de gomas de vários formatos e feitios que se colaram entre elas à custa do açucar que as reveste
São gomas agri-doce, ou apenas ácidas, algumas tão doces como o leite condençado...
Todas têm um nome, todas tem uma característica que as torna únicas, mas todas me completam, me complementam...cada uma com um sabor, com um odor, um som e uma textura exacta.
Cada uma á sua maneira, cada uma com o seu cheiro, a sua cor, o seu sabor.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequenas, de formatos distintos, que me perturbam...
Uma sabe à lembrança, tem um aroma doce mas indestinto, soa-me a um bater de asas de colibri, constante e frágil...dei-lhe o nome de Sempre-em-pé, por ser redonda.
Outra sabe a café, tem um aroma cativante, mas que normalmente não me agrada. Tal como o café, preciso sempre de um pouco do sabor do leite para que me agrade o seu sabor, mas de tão enebriante como o cheiro do café acabado de moer não consigo deixá-la de parte...soa-me aos ramos de um pinheiro enorme que se agita nos ventos de uma tempestade, que me deixa os nervos em franja, e os pêlos eriçados...dei-lhe o nome de Pinhão, por ser difícil de descascar.
A última goma de que falei sabe a aventura, tem o aroma distante da terra molhada, onde apetece rebolar e adormecer, soam-me ao crepitar dos ramos na floresta, ora aqui, ora ali, uma curiosidade fulminante, uma atracção constante...dei-lhe o nome de Palhaço, por ter cores alegres que me fazem sorrir e sonhar.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequeninas, de formatos distintos, que me perturbam...ontem descobri que a Sempre-em-pé me enternece e entristece, que o Pinhão me confunde, anima e dá luta, e que o Palhaço me excita e me dá a certeza de que nenhuma destas gomas poderá um dia ser saboreada por mim...porque afinal compõem o meu coração, mas não me preenchem a alma...
Compõe-se de tudo e de nada
Como um conjunto de gomas de vários formatos e feitios que se colaram entre elas à custa do açucar que as reveste
São gomas agri-doce, ou apenas ácidas, algumas tão doces como o leite condençado...
Todas têm um nome, todas tem uma característica que as torna únicas, mas todas me completam, me complementam...cada uma com um sabor, com um odor, um som e uma textura exacta.
Cada uma á sua maneira, cada uma com o seu cheiro, a sua cor, o seu sabor.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequenas, de formatos distintos, que me perturbam...
Uma sabe à lembrança, tem um aroma doce mas indestinto, soa-me a um bater de asas de colibri, constante e frágil...dei-lhe o nome de Sempre-em-pé, por ser redonda.
Outra sabe a café, tem um aroma cativante, mas que normalmente não me agrada. Tal como o café, preciso sempre de um pouco do sabor do leite para que me agrade o seu sabor, mas de tão enebriante como o cheiro do café acabado de moer não consigo deixá-la de parte...soa-me aos ramos de um pinheiro enorme que se agita nos ventos de uma tempestade, que me deixa os nervos em franja, e os pêlos eriçados...dei-lhe o nome de Pinhão, por ser difícil de descascar.
A última goma de que falei sabe a aventura, tem o aroma distante da terra molhada, onde apetece rebolar e adormecer, soam-me ao crepitar dos ramos na floresta, ora aqui, ora ali, uma curiosidade fulminante, uma atracção constante...dei-lhe o nome de Palhaço, por ter cores alegres que me fazem sorrir e sonhar.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequeninas, de formatos distintos, que me perturbam...ontem descobri que a Sempre-em-pé me enternece e entristece, que o Pinhão me confunde, anima e dá luta, e que o Palhaço me excita e me dá a certeza de que nenhuma destas gomas poderá um dia ser saboreada por mim...porque afinal compõem o meu coração, mas não me preenchem a alma...
quarta-feira, agosto 26, 2009
Borboleta
Perguntam voçês e muito bem...30 anos...e agora?
Epá e agora....sei lá...está quase realmente...está demasiado quase!!
O cerco começa a apertar-se para as raparigas da minha idade. Começa a mãe a dizer para ter atenção, a avó a revelar tristeza por não ter visto ainda um neto, e nós a olharmos à volta e a questionarmo-nos o que está errado?!?!
Sim, são 30 anos...30!!! Os 20 já lá vão, e com eles aquela imagem de que há tempo...há tempo para tudo...e na verdade é assim que uma trintona como eu ainda se sente...o problema é o peso que o mundo começa a colocar sobre os ombros de quem tem 30 e ainda pensa como uma pessoa de 20.
É como se estivésse na hora de fechar algumas portas e de abrir outras. De fazer planos sólidos como pedras que se afundam no chão e não apenas de voar com a leveza de uma borboleta que agita as suas asas ao sabor do vento.
O vento já começou a soprar com força, e a borboleta já sente a direcção para onde ele sopra, mas só ela o sente... o vento, só a ela soprou o seu destino, as flores em redor não sabem onde ela vai pousar, ou se vai sequer pousar...
...ah...mas a borborleta sabe...e por isso voa...
Epá e agora....sei lá...está quase realmente...está demasiado quase!!
O cerco começa a apertar-se para as raparigas da minha idade. Começa a mãe a dizer para ter atenção, a avó a revelar tristeza por não ter visto ainda um neto, e nós a olharmos à volta e a questionarmo-nos o que está errado?!?!
Sim, são 30 anos...30!!! Os 20 já lá vão, e com eles aquela imagem de que há tempo...há tempo para tudo...e na verdade é assim que uma trintona como eu ainda se sente...o problema é o peso que o mundo começa a colocar sobre os ombros de quem tem 30 e ainda pensa como uma pessoa de 20.
É como se estivésse na hora de fechar algumas portas e de abrir outras. De fazer planos sólidos como pedras que se afundam no chão e não apenas de voar com a leveza de uma borboleta que agita as suas asas ao sabor do vento.
O vento já começou a soprar com força, e a borboleta já sente a direcção para onde ele sopra, mas só ela o sente... o vento, só a ela soprou o seu destino, as flores em redor não sabem onde ela vai pousar, ou se vai sequer pousar...
...ah...mas a borborleta sabe...e por isso voa...
terça-feira, agosto 25, 2009
fixação!!
Tive o prazer de conhecer este Sr. no Festival de Artes tribais e Tradicionais...no Ameixial... Foi realmente um prazer e será a partir de agora uma inspiração!!!
Está decidido, vou aprender didgeridoo!!!!
quarta-feira, agosto 19, 2009
muros
(...) entre duas pessoas que se amam surgem constantemente muros invisíveis que, embora não acabem com a vontade de abraçar, impedem que esses abraços aconteçam. É o que acontece, por exemplo, com uma simples discussão por um motivo absurdo qualquer. O muro cresce... até que um dos dois tenha a coragem de o demolir.
In, "Não compreendo as mulheres"
....Caramba... estes muros ás vezes são autênticas montanhas intransponíveis...algumas nem numa vida inteira se consegue ultrapassar.
No entanto sem dúvida que o prazer do abraço que quebra o muro é um sentimento forte e pelo qual se deve sempre lutar.
In, "Não compreendo as mulheres"
....Caramba... estes muros ás vezes são autênticas montanhas intransponíveis...algumas nem numa vida inteira se consegue ultrapassar.
No entanto sem dúvida que o prazer do abraço que quebra o muro é um sentimento forte e pelo qual se deve sempre lutar.
sexta-feira, agosto 07, 2009
quarta-feira, agosto 05, 2009
Guia
O que custa não é o que está para a frente...essa parte não sabemos, não me assusta...
Não é a escuridão,
o vazio ou o incerto.
Não é a dúvida
Não é a insegurança
É o que fica que eu lamento
É o largar
É ter andado a dar laços e nós a todas as pontas soltas para agora as ter de desatar
É aguentar as pedras da barragem que construí em torno do lago que tenho no peito
É o abraço, as mãos, o sorriso e o coração torcido
São as noticias no ar
É a ausência
É a distância
Já percorri este caminho antes
Nessa altura a barragem jorrou
mas os laços já estavam quebrados
Foi para aprender a refazê-los que parti
E agora que os atei tão bem o mar chama de novo
e o rio que sou para lá vai seguir
Não é um início, uma aventura, um caminho por percorrer
Não é um objectivo,
não é uma fuga,
não é uma busca
Na verdade não é nada
É apenas o repisar de algo que conheço, que sabia que teria de repetir
Que queria repetir mesmo sem o querer...
Adornei-o de mais encanto
de mais brilho,
de mais mistério para ver se me convence.
Guia do meu caminho e dos outros
É este o teu destino
Encaminhar, seguir, amparar, e ter de largar.
Não o lamento.
É uma escolha feita sem mim, embora por minha escolha a siga.
Nada me prende, nada me orienta, não tenho objectivos ou rumos
Sigo...
...Vincos de nós esticados esticados sob a pele
Estiquei-os ao máximo para que não possam ser desatados,
embora apertem
embora marquem
Prefiro senti-los, escondidos sob a pele,
Fingir que os desato...
...ainda não aprendi a largar...mas tenho de seguir
Não é a escuridão,
o vazio ou o incerto.
Não é a dúvida
Não é a insegurança
É o que fica que eu lamento
É o largar
É ter andado a dar laços e nós a todas as pontas soltas para agora as ter de desatar
É aguentar as pedras da barragem que construí em torno do lago que tenho no peito
É o abraço, as mãos, o sorriso e o coração torcido
São as noticias no ar
É a ausência
É a distância
Já percorri este caminho antes
Nessa altura a barragem jorrou
mas os laços já estavam quebrados
Foi para aprender a refazê-los que parti
E agora que os atei tão bem o mar chama de novo
e o rio que sou para lá vai seguir
Não é um início, uma aventura, um caminho por percorrer
Não é um objectivo,
não é uma fuga,
não é uma busca
Na verdade não é nada
É apenas o repisar de algo que conheço, que sabia que teria de repetir
Que queria repetir mesmo sem o querer...
Adornei-o de mais encanto
de mais brilho,
de mais mistério para ver se me convence.
Guia do meu caminho e dos outros
É este o teu destino
Encaminhar, seguir, amparar, e ter de largar.
Não o lamento.
É uma escolha feita sem mim, embora por minha escolha a siga.
Nada me prende, nada me orienta, não tenho objectivos ou rumos
Sigo...
...Vincos de nós esticados esticados sob a pele
Estiquei-os ao máximo para que não possam ser desatados,
embora apertem
embora marquem
Prefiro senti-los, escondidos sob a pele,
Fingir que os desato...
...ainda não aprendi a largar...mas tenho de seguir
terça-feira, agosto 04, 2009
Abarcar o mundo
É frequente sentir que estou a dar-me demais, que não messo as consequências e dou os passos sempre grandes demais para as pernas que tenho, e que por isso acabo por me desiquilibrar sobre mim mesma e cair numa pancada seca.
A liberdade tem destas coisas...ás vezes sentimo-nos tão livres, e queremos tanto abarcar o mundo e as pessoas fantásticas que conhecemos, que mais parece que lhes estamos a sugar a energia com toda a nossa sôfrega oferta e vontade de as conhecer e absorver.
Onde se situa o limite da nossa actuação!? Será demais convidar alguém que mal se conhece, mas que se tem curiosidade em conhecer melhor, para um café? Será isso mal entendido?
Alguém entra em contacto connosco e nós, afávelmente abrimos os braços e procuramos o convívio, oferecemos a nossa companhia e procuramos a do próximo...até que ponto não o devemos fazer? Parecerá sempre que nos estamos a oferecer!?
Teremos mesmo de ser sempre contidos, ou mostrar-nos desinteressados para que os outros nos procurem mais? Porque não simplesmente mostrar que simpatizámos com alguém e mostrá-lo!? Porquê que sempre que isto acontece com o sexo oposto é confundido com algo que não tem nada a ver com uma simples amizade!? ou será que só a mim me parece que é entendido assim?
Estarei assim tão confusa e disponível para abraçar o próximo que isso se torna demais?
...bem diz o ditado:" quando a esmola é demais o santo desconfia" ... :( ... onde está a fé na boa vontade?!? Na pureza dos sentimentos? .....baaaahhh
A liberdade tem destas coisas...ás vezes sentimo-nos tão livres, e queremos tanto abarcar o mundo e as pessoas fantásticas que conhecemos, que mais parece que lhes estamos a sugar a energia com toda a nossa sôfrega oferta e vontade de as conhecer e absorver.
Onde se situa o limite da nossa actuação!? Será demais convidar alguém que mal se conhece, mas que se tem curiosidade em conhecer melhor, para um café? Será isso mal entendido?
Alguém entra em contacto connosco e nós, afávelmente abrimos os braços e procuramos o convívio, oferecemos a nossa companhia e procuramos a do próximo...até que ponto não o devemos fazer? Parecerá sempre que nos estamos a oferecer!?
Teremos mesmo de ser sempre contidos, ou mostrar-nos desinteressados para que os outros nos procurem mais? Porque não simplesmente mostrar que simpatizámos com alguém e mostrá-lo!? Porquê que sempre que isto acontece com o sexo oposto é confundido com algo que não tem nada a ver com uma simples amizade!? ou será que só a mim me parece que é entendido assim?
Estarei assim tão confusa e disponível para abraçar o próximo que isso se torna demais?
...bem diz o ditado:" quando a esmola é demais o santo desconfia" ... :( ... onde está a fé na boa vontade?!? Na pureza dos sentimentos? .....baaaahhh
sexta-feira, julho 31, 2009
Here's to you!!
As pessoas surpreendem-me...
Quase todos os dias sou encantada com características que nunca desconfiaria que esta ou aquela pessoa tivéssem. Ora é um que afinal adora sushi e quer aprender a fazê-lo, ora é outro que faz mergulho, ora outro que já viajou que se fartou e o revela, ora é outro que todos os anos no verão brinca durante duas semanas com as crianças, revelando um instinto mais maternal do que aquele que uma rapariga como eu alguma vez terá!
Todos temos algo que para nós é normal, mas que ás vezes surpreende quem o descobre em nós.
Temos várias faces, somos o que somos, mas nem sempre se proporciona revelá-lo na totalidade, ou ás vezes só revelamos até onde achamos que o outro estará disposto a descobrir, e quando um dia falamos do nosso outro lado, dos nossos gostos, das nossas ideias, da nossa ambição ou até do nosso quotidiano, acende-se uma luz que aponta para nós um ângulo diferente daquele que até ali nos caracterizava.
Adoro descobrir estes novos mundos que cada um encerra...é maravilhoso descobrir as diversas faces dos astros que nos rodeiam. Que nunca deixem de me revelar mais uma falha, mais um reflexo, mais uma luz, que eu estarei cá para os apreciar insaciávelmente.
Here's to you...
Quase todos os dias sou encantada com características que nunca desconfiaria que esta ou aquela pessoa tivéssem. Ora é um que afinal adora sushi e quer aprender a fazê-lo, ora é outro que faz mergulho, ora outro que já viajou que se fartou e o revela, ora é outro que todos os anos no verão brinca durante duas semanas com as crianças, revelando um instinto mais maternal do que aquele que uma rapariga como eu alguma vez terá!
Todos temos algo que para nós é normal, mas que ás vezes surpreende quem o descobre em nós.
Temos várias faces, somos o que somos, mas nem sempre se proporciona revelá-lo na totalidade, ou ás vezes só revelamos até onde achamos que o outro estará disposto a descobrir, e quando um dia falamos do nosso outro lado, dos nossos gostos, das nossas ideias, da nossa ambição ou até do nosso quotidiano, acende-se uma luz que aponta para nós um ângulo diferente daquele que até ali nos caracterizava.
Adoro descobrir estes novos mundos que cada um encerra...é maravilhoso descobrir as diversas faces dos astros que nos rodeiam. Que nunca deixem de me revelar mais uma falha, mais um reflexo, mais uma luz, que eu estarei cá para os apreciar insaciávelmente.
Here's to you...
quinta-feira, julho 30, 2009
O canto da sereia...consegues ouvi-lo?!
do you hear me!??!
I'm talking to you...
Across the water, across the deep... blue ...ocean
Under the open sky
Oh my baby I'm trying!!!
Boy I hear you in my dreams...I feel your whisper...across the sea
I keep you with me, in my heart
you make it easier when life gets hard!
...
And so i'm sailing Through the sea
To an island where we'll meet
You'll hear the music fill the air...
I'll put a flower in your hair
...
Just wait for me...I'm coming! :D
I'm talking to you...
Across the water, across the deep... blue ...ocean
Under the open sky
Oh my baby I'm trying!!!
Boy I hear you in my dreams...I feel your whisper...across the sea
I keep you with me, in my heart
you make it easier when life gets hard!
...
And so i'm sailing Through the sea
To an island where we'll meet
You'll hear the music fill the air...
I'll put a flower in your hair
...
Just wait for me...I'm coming! :D
terça-feira, julho 28, 2009
SA boy...
Há momentos em que gostaríamos de poder regressar atrás no tempo, de recapitular o passado e de prestar bem atenção ao ponto em que as coisas fugiram ao nosso controlo...
Fui apanhada na esquina com uma destas situações...e neste momento vivo com a sensação de que algo importante se passou e eu apesar de estar em cima do acontecimento, não sei de nada e agora pouco posso fazer para alterar a situação, com medo de a piorar.
So sad SA boy ...SOOO sad...
Fui apanhada na esquina com uma destas situações...e neste momento vivo com a sensação de que algo importante se passou e eu apesar de estar em cima do acontecimento, não sei de nada e agora pouco posso fazer para alterar a situação, com medo de a piorar.
So sad SA boy ...SOOO sad...
sexta-feira, julho 24, 2009
segunda-feira, julho 20, 2009
Aquário
Ontem fui ao Oceanário!
Quem espera sempre alcança, e ontem usufrui de uma entrada grátis que há tanto esperava!
O mundo marinho...azul...infinito...distante...uma tranquilidade que nos esvazia...a vida marinha cheia de uma energia controlada, como se tudo tivésse o seu lugar e se compusésse num ecossitema equilibrado que só o homem poderá arruinar como faz com tudo. Um aquário central cheio. Criaturas que andam sem rumo num espaço superlotado.
O Eusébio e a Amália, doces Seres, reduzidos a um curto espaço, entretiam-se a nadar em círculos, como se aquele mini-circuito fosse uma rotina agradável ...para a frente...de barriga para baixo...para trás, de barriga para cima e olhos perdidos nos olhos de quem observa embevecido duas criaturas de patas aninhadas no peito e pés de barbatanas.
Um cardume de peixes que passa constantemente vindo de um dos lados do rectângulo de vidro e desaparece no outro. Ainda me perguntei se aquilo seria como um circuito fechado que eles percorrem constantemente...
Dois dragões marinhos fantásticos, lindos, num convívio entre três algas amarelas dentro de um cilindro de vidro com cerca de 1m3.
Lampreias aninhadas, um polvo gigante solitário, um caranguejo gigante entre peixes, anémonas, estrelas do mar, algumas espécies da família dos pinguins cujos nomes não fixei, e uma panóplia de tubarões, peixes e seres inatingíveis para um comum mortal como eu.
...Adorei vê-los mas a sensação com que saí foi nítidamente de desilusão... é fantástico poder ver os animais ao vivo, principalmente aqueles que não conseguiríamos ver por serem raros ou que obrigam a ter qualificações que nem todos temos para nos podermos aproximar deles...mas continuo a preferir vê-los apenas na televisão ou nos livros do que os retirar do seu ambiente e reduzí-los a espaços pequenos demais para eles.
Imaginem o que seria passar anos num T0, equipado com tudo o que precisarias para viver e te divertires...livros, televisão, filmes, comida e livros de receitas, rádio... mas sem te ser permitido sair para além dali...nunca chegares a sentir um arrepio de frio ou o quente do sol na pele... as paredes sempre pintadas e a janela sempre com a mesma paisagem...e os dias a passarem lentamente...quanto tempo serias capaz de estar assim sem entrares em depressão?
Quem espera sempre alcança, e ontem usufrui de uma entrada grátis que há tanto esperava!
O mundo marinho...azul...infinito...distante...uma tranquilidade que nos esvazia...a vida marinha cheia de uma energia controlada, como se tudo tivésse o seu lugar e se compusésse num ecossitema equilibrado que só o homem poderá arruinar como faz com tudo. Um aquário central cheio. Criaturas que andam sem rumo num espaço superlotado.
O Eusébio e a Amália, doces Seres, reduzidos a um curto espaço, entretiam-se a nadar em círculos, como se aquele mini-circuito fosse uma rotina agradável ...para a frente...de barriga para baixo...para trás, de barriga para cima e olhos perdidos nos olhos de quem observa embevecido duas criaturas de patas aninhadas no peito e pés de barbatanas.
Um cardume de peixes que passa constantemente vindo de um dos lados do rectângulo de vidro e desaparece no outro. Ainda me perguntei se aquilo seria como um circuito fechado que eles percorrem constantemente...
Dois dragões marinhos fantásticos, lindos, num convívio entre três algas amarelas dentro de um cilindro de vidro com cerca de 1m3.
Lampreias aninhadas, um polvo gigante solitário, um caranguejo gigante entre peixes, anémonas, estrelas do mar, algumas espécies da família dos pinguins cujos nomes não fixei, e uma panóplia de tubarões, peixes e seres inatingíveis para um comum mortal como eu.
...Adorei vê-los mas a sensação com que saí foi nítidamente de desilusão... é fantástico poder ver os animais ao vivo, principalmente aqueles que não conseguiríamos ver por serem raros ou que obrigam a ter qualificações que nem todos temos para nos podermos aproximar deles...mas continuo a preferir vê-los apenas na televisão ou nos livros do que os retirar do seu ambiente e reduzí-los a espaços pequenos demais para eles.
Imaginem o que seria passar anos num T0, equipado com tudo o que precisarias para viver e te divertires...livros, televisão, filmes, comida e livros de receitas, rádio... mas sem te ser permitido sair para além dali...nunca chegares a sentir um arrepio de frio ou o quente do sol na pele... as paredes sempre pintadas e a janela sempre com a mesma paisagem...e os dias a passarem lentamente...quanto tempo serias capaz de estar assim sem entrares em depressão?
sexta-feira, julho 10, 2009
desculpa...
Por não conseguir ficar
Por não me habituar
Por não estar bem em lado nenhum
Por não descansar nem te dar descanso a ti
Desculpa pelo peso que te pus aos ombros
Desculpa por te deixar apegar
Por te querer por perto mesmo quando te devia era afastar
Desculpa pela minha ansiedade
Pela minha insaciedade
Por não saber quem sou nem porque o faço
Desculpa por mim...
Desculpa por ti...
Desculpa...
Por não me habituar
Por não estar bem em lado nenhum
Por não descansar nem te dar descanso a ti
Desculpa pelo peso que te pus aos ombros
Desculpa por te deixar apegar
Por te querer por perto mesmo quando te devia era afastar
Desculpa pela minha ansiedade
Pela minha insaciedade
Por não saber quem sou nem porque o faço
Desculpa por mim...
Desculpa por ti...
Desculpa...
6/7

Mais ou menos 6/7 meses...é o que falta...estou quase a acabar e com isso começa a ansiedade a apoderar-se...o tempo a escacear e as portas a terem de ser fechadas!
Já o fiz algumas vezes, mais do que muitos, mas a sensação continua a mesma.
O indefenido, o indescrito, o passado e presente a reunirem-se rumo a uma negritude com o efeito de sucção do buraco negro. Gosto de me deixar levar por essa sucção, mas arrasto sempre comigo a âncora que me prende ao que deixo para trás...arrasto-a...obrigo-a a deixar-me seguir, por muito que me pese e que se agarre ao que ficou...
Mais uma etapa, mais uma escolha...e pergunto-me porque continuo a fazer estas escolhas, porque não quero ficar, porquê correr o risco, porquê o abismo em vez do chão seguro e já tão marcado pelos passos de quem o fez antes de mim... Só uma resposta vem em meu auxílio...porque não é aqui...porque não estou satisfeita, porque ainda não consegui preencher o vazio que carrego sempre comigo...de onde virá?
terça-feira, julho 07, 2009
eu sei que tu compreendes bem!!!!
Bairro do Amor
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis nem hospitais
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem
Jorge Palma
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis nem hospitais
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem
Jorge Palma
terça-feira, junho 30, 2009
As marés e os marinheiros
Ás vezes acordamos bem dispostos...outras, com aquele humor de cortar à faca!
Hoje estou bem disposta, mas o mau humor de um outro alguém mostrou-me como ás vezes a combinação dos astros pode ser de tal forma caótica que nos confunde a mente e depois, nós, Seres Humanos já de si confusos e influenciáveis, temos o poder de nos embrenharmos tanto no enredo do filme que vivemos que o tornamos numa tragédia...um simples balançar maior e o barco inunda de forma irreversível!
Ás vezes são precisos dias para conseguir tirar a água do convés e sentir o deck seco e os pés firmes novamente.
Nos dias em que estou lúcida e o meu barco não está no meio da tempestade, tenho a capacidade de ver o barco dos outros em tormentas que me parecem desnecessárias, confusas e exageradas, e chego a ter pena da confusão que ali vai...esqueço-me que também eu tenho estas fases, complicadas e despoletadas por vezes apenas por falta de uma mensagem, um tok de telemóvel, ou um olá no MSN...Na verdade somos todos frágeis...
Mas nestas alturas em que estou perante a tormenta deste outro alguém quase que se me desenrola a língua num: " eu sei bem o que tu precisas...na minha casa, esta noite!" ...e depois penso...se calhar não é do que ele precisa...e páro a olhar para o ecrãn e deixo a imaginação apoderar-se...
Hoje estou bem disposta, mas o mau humor de um outro alguém mostrou-me como ás vezes a combinação dos astros pode ser de tal forma caótica que nos confunde a mente e depois, nós, Seres Humanos já de si confusos e influenciáveis, temos o poder de nos embrenharmos tanto no enredo do filme que vivemos que o tornamos numa tragédia...um simples balançar maior e o barco inunda de forma irreversível!
Ás vezes são precisos dias para conseguir tirar a água do convés e sentir o deck seco e os pés firmes novamente.
Nos dias em que estou lúcida e o meu barco não está no meio da tempestade, tenho a capacidade de ver o barco dos outros em tormentas que me parecem desnecessárias, confusas e exageradas, e chego a ter pena da confusão que ali vai...esqueço-me que também eu tenho estas fases, complicadas e despoletadas por vezes apenas por falta de uma mensagem, um tok de telemóvel, ou um olá no MSN...Na verdade somos todos frágeis...
Mas nestas alturas em que estou perante a tormenta deste outro alguém quase que se me desenrola a língua num: " eu sei bem o que tu precisas...na minha casa, esta noite!" ...e depois penso...se calhar não é do que ele precisa...e páro a olhar para o ecrãn e deixo a imaginação apoderar-se...
terça-feira, junho 23, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
o silêncio das palavras
A informação chega até nós de diversas maneiras, e sempre, sempre filtrada através dos olhos, e expressão de quem a diz, pelos seus crítérios de justiça, moral e sensibilidade.
Ao conversar, ao expressar o que nos vai na alma e na mente tudo vem de acordo com o que pensamos, claro, o problema é quando chega ao receptor, que o recebe de acordo com os seus próprios critérios e que pode ou não deturpar o que ouve... e mais dificil se torna quando se tenta fazê-lo por escrita, pois perdem-se entoações, sorrisos, expressões de gozo ou tristeza.
Conclusão, não é fácil comunicar...não é fácil fazermo-nos entender...valerá a pena o desafio se não houver um motivo válido p o fazer?
...Vou manter-me calada, ás vezes o silêncio fala melhor por nós...
Ao conversar, ao expressar o que nos vai na alma e na mente tudo vem de acordo com o que pensamos, claro, o problema é quando chega ao receptor, que o recebe de acordo com os seus próprios critérios e que pode ou não deturpar o que ouve... e mais dificil se torna quando se tenta fazê-lo por escrita, pois perdem-se entoações, sorrisos, expressões de gozo ou tristeza.
Conclusão, não é fácil comunicar...não é fácil fazermo-nos entender...valerá a pena o desafio se não houver um motivo válido p o fazer?
...Vou manter-me calada, ás vezes o silêncio fala melhor por nós...
sexta-feira, junho 05, 2009
actos de loucura
...e se um desconhecido te oferecer flores...isso nem sempre é um impulso...pode ser um gesto premeditado...pode...mas e se não fôr? Se fôr apenas loucura?! Será loucura fazer o que nos apetece!?
Gosto de sentir as coisas à flôr da pele...e dentro dela...Sentir só por sentir não nos desperta, não nos acaricia os sentidos, apenas nos sopra o que poderia ser, o que nos passa ao lado. Para se estar vivo é preciso sentir na carne, vibrar, agarrar e entranhar! É preciso pular, gritar, rodar, rodar até flutuar sem peso, até o nosso riso se perder no som do vento, é preciso querer!!!
Hoje estou assim...anseio pelo atordoar do movimento, da energia em excesso, do acto de loucura!

Há quem opte pela estabilidade, pela aceitação dos momentos mortos...eu prefiro os vivos! Prefiro a surpresa!! Hoje estou assim...amanhã sou capaz de querer menos, de me contentar, mas hoje só quero ser surpreendida por mim mesma e pelos outros.
Gosto de sentir as coisas à flôr da pele...e dentro dela...Sentir só por sentir não nos desperta, não nos acaricia os sentidos, apenas nos sopra o que poderia ser, o que nos passa ao lado. Para se estar vivo é preciso sentir na carne, vibrar, agarrar e entranhar! É preciso pular, gritar, rodar, rodar até flutuar sem peso, até o nosso riso se perder no som do vento, é preciso querer!!!
Hoje estou assim...anseio pelo atordoar do movimento, da energia em excesso, do acto de loucura!

Há quem opte pela estabilidade, pela aceitação dos momentos mortos...eu prefiro os vivos! Prefiro a surpresa!! Hoje estou assim...amanhã sou capaz de querer menos, de me contentar, mas hoje só quero ser surpreendida por mim mesma e pelos outros.
quinta-feira, junho 04, 2009
Ilusões
Habituamo-nos às coisas e muitas vezes de tal forma que as começamos a idealizar, a criar uma imagem da realidade que por vezes pode ser completamente distorcida da realidade.
Esperar por alguém, dedicarmo-nos, ou muitas vezes apenas imaginar essa pessoa pode ser bom e mau...Apoiamo-nos nessa existência, depositamos nela os pensamentos que flutuavam pela nossa cabeça sem dono ou objecto de paixão...São bengalas fortes, retiradas dos mais antigos carvalhos e que nos ajudam a não dobrar e a manter os ramos altos e viçosos. O perigo está em habituarmo-nos a este apoio, e como os relógios do Dalí, passarmos a ser uma imagem mole, que sem a bengala de suporte se espalharia pelo chão com os ponteiros a contar os minutos que passam com lentidão entediante.
Mas o Dalí nunca soube ser entediante...e agarramo-nos à ideia de que se um dia perdermos a bengala poderemos sempre escorregar para outro apoio e assim seguimos perdidos por realidades surrealistas, criadas por nós e fundamentadas apenas na nossa vontade de ver as coisas como as queremos ver.
O cérebro precisa de ser estimulado...precisamos de criar ilusões para que as células não morram e sejam constantemente renovadas.
Não tenho feito eu outra coisa senão isso mesmo...o meu cérebro deve estar tão estimulado que já deve até ter inchado! Só não me sai pelas orelhas porque de tanta ilusão já se compactou dentro da caixa craniana...talvez isto explique os mil e um pensamentos que teimam em reaparecer como luzes de néon insistentes e ofuscantes...
Esperar por alguém, dedicarmo-nos, ou muitas vezes apenas imaginar essa pessoa pode ser bom e mau...Apoiamo-nos nessa existência, depositamos nela os pensamentos que flutuavam pela nossa cabeça sem dono ou objecto de paixão...São bengalas fortes, retiradas dos mais antigos carvalhos e que nos ajudam a não dobrar e a manter os ramos altos e viçosos. O perigo está em habituarmo-nos a este apoio, e como os relógios do Dalí, passarmos a ser uma imagem mole, que sem a bengala de suporte se espalharia pelo chão com os ponteiros a contar os minutos que passam com lentidão entediante.
Mas o Dalí nunca soube ser entediante...e agarramo-nos à ideia de que se um dia perdermos a bengala poderemos sempre escorregar para outro apoio e assim seguimos perdidos por realidades surrealistas, criadas por nós e fundamentadas apenas na nossa vontade de ver as coisas como as queremos ver.
O cérebro precisa de ser estimulado...precisamos de criar ilusões para que as células não morram e sejam constantemente renovadas.
Não tenho feito eu outra coisa senão isso mesmo...o meu cérebro deve estar tão estimulado que já deve até ter inchado! Só não me sai pelas orelhas porque de tanta ilusão já se compactou dentro da caixa craniana...talvez isto explique os mil e um pensamentos que teimam em reaparecer como luzes de néon insistentes e ofuscantes...
terça-feira, junho 02, 2009
tu e mim
(vídeo péssimo...mas só p não esquecer, ei-lo!
Amamos
Não estamos
Não somos
Deixamos
Sobramos
Às vezes
Amamos
Encalhamos
Afastamos-nos
Vamos-nos
Tu e mim
Bom assim
( Do blog 5 minutes for everything)
quinta-feira, maio 28, 2009
o peso da gravidade!!! :D
Embora neste momento não me identifique com a letra, porque efectivamente não me encontro neste estado de espírito, a verdade é que já me identifiquei e continuo a achar esta música linda...e sim...continuo uma romântica!!!
Viva o amor!
Viva o amor!
terça-feira, maio 26, 2009
Sublime desabafo do homem das mil caras...
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro de Campos
quinta-feira, maio 21, 2009
Hoje

...e como se não houvésse mais nada para fazer...aqui estou!
E estou só por estar, por um compromisso comigo mesma...por mim, por ti, por ela, por elas, por nós!
Estou mas podia não estar, mas estou!! Hoje estou...e se tudo correr bem amanhã também...e depois, e depois...estou simplesmente! Hoje estou!
E porquê perguntas tu? Simplesmente porque sim!! Porque basta, porque me apetece, porque já estava na hora e mais atrasos são intoleráveis!
Pega nesta flor e guarda-a...é sinal de que hoje estou contigo...e enquanto a imagem dela viver, eu com ela estarei também e assim sendo estarei contigo, porque me guardaste!!
Amarela, vermelha, laranja, roxa, rosa, violeta...todas as cores numa só alma! Hoje estou!!
sexta-feira, maio 15, 2009
terça-feira, maio 12, 2009
segunda-feira, maio 11, 2009
quinta-feira, maio 07, 2009
Carvalho
Contudo continuo fula... possessa...enraivecida e magoada...
Carvalho dobrado por força de mãos humanas que o mantêm assim...o vento sopra e tanta libertá-lo, mas as cordas humanas são mais fortes. A sensação de pescoço dobrado em direcção ao chão...uma só mão que agarra o pescoço e que por mais que te esforçes por te levantar não dá mostras de qualquer tipo de hesitação...tens de continuar a olhar para o chão até que deixes de ter vontade de olhar novamente o céu, e aí, talvez a mão te largue e consigas escapar e erguer-te novamente.
O problema, é que como qualquer planta, assim te moldas às cordas e ramos que usaram para lhes definir uma forma, uma direcção, um ar de arvoreta desenhada ao gosto dos outros.... Demora tempo até que os raminhos livres finalmente vão crescendo e alargando os seus limites.
Carvalho dobrado, sem cordas nem limites, mas dobrado por força própria, pela tentativa de contrariar o seu crescimento normal...porque assim talvez seja melhor...porque assim talvez seja mais fácil....mas não é! Não é mesmo!....Este carvalho dobrou demais e vai partir o ramo...Cuidado que é pesado, e quando cair vai doer...
Carvalho dobrado por força de mãos humanas que o mantêm assim...o vento sopra e tanta libertá-lo, mas as cordas humanas são mais fortes. A sensação de pescoço dobrado em direcção ao chão...uma só mão que agarra o pescoço e que por mais que te esforçes por te levantar não dá mostras de qualquer tipo de hesitação...tens de continuar a olhar para o chão até que deixes de ter vontade de olhar novamente o céu, e aí, talvez a mão te largue e consigas escapar e erguer-te novamente.
O problema, é que como qualquer planta, assim te moldas às cordas e ramos que usaram para lhes definir uma forma, uma direcção, um ar de arvoreta desenhada ao gosto dos outros.... Demora tempo até que os raminhos livres finalmente vão crescendo e alargando os seus limites.
Carvalho dobrado, sem cordas nem limites, mas dobrado por força própria, pela tentativa de contrariar o seu crescimento normal...porque assim talvez seja melhor...porque assim talvez seja mais fácil....mas não é! Não é mesmo!....Este carvalho dobrou demais e vai partir o ramo...Cuidado que é pesado, e quando cair vai doer...
quinta-feira, abril 16, 2009
Flutuar...
Titi...Titi...onde andas tu que nunca mais te ouvi?
Titi percorre hoje um caminho novo...está feliz pois deixou-se levar pela Brisa finalmente, e desta vez a Brisa está a ser gentil e suave em vez de vento forte..hoje a Brisa é um sopro que a faz percorrer o caminho a flutuar, sem sentir as pedras da calçada, sem se preocupar com as curvas erradas do caminho...Hoje, só por hoje, deixa-se levar de olhos fechados sem se perguntar sequer qual o rumo que a Vida percorre, qual a estrada que segue o seu Destino...não se desvia das pedras do caminho...sabe que estão lá e que se tiverem de a picar enquanto flutua pelo caminho assim o farão, e nem um vôo mais alto da brisa a poderá salvar da marca que a pedra deixará nos seus pés...
Só por hoje ouve o som do seu cantar...sussura para si mesmo as melodias da sua vida e gosta do que ouve em silêncio...
Só po hoje Titi está feliz...a caixa das memórias fechada...as pernas penduradas e os pés soltos ao vento... hoje sente o seu cabelo esvoaçar...hoje gosta do que sente...
Hoje...
Titi percorre hoje um caminho novo...está feliz pois deixou-se levar pela Brisa finalmente, e desta vez a Brisa está a ser gentil e suave em vez de vento forte..hoje a Brisa é um sopro que a faz percorrer o caminho a flutuar, sem sentir as pedras da calçada, sem se preocupar com as curvas erradas do caminho...Hoje, só por hoje, deixa-se levar de olhos fechados sem se perguntar sequer qual o rumo que a Vida percorre, qual a estrada que segue o seu Destino...não se desvia das pedras do caminho...sabe que estão lá e que se tiverem de a picar enquanto flutua pelo caminho assim o farão, e nem um vôo mais alto da brisa a poderá salvar da marca que a pedra deixará nos seus pés...
Só por hoje ouve o som do seu cantar...sussura para si mesmo as melodias da sua vida e gosta do que ouve em silêncio...
Só po hoje Titi está feliz...a caixa das memórias fechada...as pernas penduradas e os pés soltos ao vento... hoje sente o seu cabelo esvoaçar...hoje gosta do que sente...
Hoje...
terça-feira, abril 14, 2009
Princesa Desalento
Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!
É fágil como o sonho dum momento;
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh'alma é a Princesa Desalento...
Altas horas da noite ela vagueia...
E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!
O luar ouve minh'alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz à tua porta...
Florbela Espanca
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!
É fágil como o sonho dum momento;
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh'alma é a Princesa Desalento...
Altas horas da noite ela vagueia...
E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!
O luar ouve minh'alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz à tua porta...
Florbela Espanca
sexta-feira, março 27, 2009
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
quarta-feira, março 18, 2009
Para ser grande, sê inteiro
quinta-feira, março 12, 2009
Curvas...
Um dia, ao dobrar a curva do seu caminho, Titi passou por uma casa...pareceu-lhe semelhante a outra onde tinha estado antes...
Entrou.
Da janela dessa casa olhou para o pátio que esta encerrava. Um corredor com plantas verdes, uma ou outra flor, jarros brancos, uma mangueira que deixa escapar um fio de água...e recordou-se de já lá ter estado...de já ter visto aquela mesma vista noutra ocasião, noutra realidade...
Travamos lutas por nós e pelos outros, em nosso nome e no nome dos outros. Aquela luta tinha-a travado por si, por eles, por um futuro à medida das suas expectativas... lembra-se que lutou, que refilou, que não baixou as mangas e que os seus braços sempre se ergueram, prontos a enfrentar os obstáculos que se apresentássem à sua frente.
Repara em si e vê que nada mudou...continua a mesma Titi, continua de mangas arregaçadas e mãos prontas a desbravar caminho... Mas a sua caixinha de memórias insiste em recordá-la de uma imagem passada em que lutou por eles...em que lutou por ela...Lembra-se que lutou sozinha em várias ocasiões...era seu o desejo de levar o sonho adiante, mesmo que o outro lado não demonstrásse tanto interesse...afinal, fora sua a vontade de seguir em frente...e não consegue deixar de se perguntar: Para quê?
Porquê?
Para quê?
As batalhas que travou, pelo seu sonho, hoje são o sonho de outro alguém, são a realização de outro alguém.... as suas palavras e vontades feitas nas palavras e realizações de alguém que se afasta...de alguém que não quer estar por perto...
Arrependes-te do teu caminho? - perguntam as pernas que nunca a deixaram ficar mal...
Não -diz Titi - Só lamento estar sozinha...só lamento que o novo caminho que hoje percorro seja sem...
...percorria o meu caminho de novo...sei que sim... talvez se soubésse o resultado final da batalha o fizésse sem tanto entusiasmo, sem tanta luta...acho que merecia pelo menos a presença...
As mangas continuam arregaçadas.... as mãos continuam prontas a derrubar barreiras... mesmo que sejam para outro alguém... Será?
Titi recomeça o seu caminho... a imagem que a caixinha de memórias evocou não chegou para a fazer parar por muito tempo naquela casa, a olhar para aquela janela a partir de onde se abre o pátio das suas recordações...
Vai-se embora
A caixinha fechou-se... Titi levanta os olhos e caminha...
À sua frente abre-se um caminho com flores coloridas nas margens, e o sol brilha aquecendo-lhe a cara, encandeando-lhe os olhos que fecha delicadamente enquanto se deixa guiar pela Brisa...
Um novo dia à sua frente... é o recomeço de um novo caminho...está feliz por ter conseguido chegar até este ponto e seguir...simplesmente seguir para ver o que a próxima curva lhe revelará de novo....
Entrou.
Da janela dessa casa olhou para o pátio que esta encerrava. Um corredor com plantas verdes, uma ou outra flor, jarros brancos, uma mangueira que deixa escapar um fio de água...e recordou-se de já lá ter estado...de já ter visto aquela mesma vista noutra ocasião, noutra realidade...
Travamos lutas por nós e pelos outros, em nosso nome e no nome dos outros. Aquela luta tinha-a travado por si, por eles, por um futuro à medida das suas expectativas... lembra-se que lutou, que refilou, que não baixou as mangas e que os seus braços sempre se ergueram, prontos a enfrentar os obstáculos que se apresentássem à sua frente.
Repara em si e vê que nada mudou...continua a mesma Titi, continua de mangas arregaçadas e mãos prontas a desbravar caminho... Mas a sua caixinha de memórias insiste em recordá-la de uma imagem passada em que lutou por eles...em que lutou por ela...Lembra-se que lutou sozinha em várias ocasiões...era seu o desejo de levar o sonho adiante, mesmo que o outro lado não demonstrásse tanto interesse...afinal, fora sua a vontade de seguir em frente...e não consegue deixar de se perguntar: Para quê?
Porquê?
Para quê?
As batalhas que travou, pelo seu sonho, hoje são o sonho de outro alguém, são a realização de outro alguém.... as suas palavras e vontades feitas nas palavras e realizações de alguém que se afasta...de alguém que não quer estar por perto...
Arrependes-te do teu caminho? - perguntam as pernas que nunca a deixaram ficar mal...
Não -diz Titi - Só lamento estar sozinha...só lamento que o novo caminho que hoje percorro seja sem...
...percorria o meu caminho de novo...sei que sim... talvez se soubésse o resultado final da batalha o fizésse sem tanto entusiasmo, sem tanta luta...acho que merecia pelo menos a presença...
As mangas continuam arregaçadas.... as mãos continuam prontas a derrubar barreiras... mesmo que sejam para outro alguém... Será?
Titi recomeça o seu caminho... a imagem que a caixinha de memórias evocou não chegou para a fazer parar por muito tempo naquela casa, a olhar para aquela janela a partir de onde se abre o pátio das suas recordações...
Vai-se embora
A caixinha fechou-se... Titi levanta os olhos e caminha...
À sua frente abre-se um caminho com flores coloridas nas margens, e o sol brilha aquecendo-lhe a cara, encandeando-lhe os olhos que fecha delicadamente enquanto se deixa guiar pela Brisa...
Um novo dia à sua frente... é o recomeço de um novo caminho...está feliz por ter conseguido chegar até este ponto e seguir...simplesmente seguir para ver o que a próxima curva lhe revelará de novo....
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