quarta-feira, fevereiro 02, 2011

De tudo...nada...

um dia falei de saudade...de como falar sobre o que nos dá saudade torna a ausência mais pesada...
um dia falei de força...de como pode ser audaz como uma espada que abre caminho e outras vezes essa mesma espada ter o peso de uma cruz dificil de transportar ao longo do caminho...
um dia falei do vazio...de como a sua presença consegue encher o espaço e esvaziar a alma...
uma vez falei de mim...de como abarco tanto e ao mesmo tempo não deixo que me limitem...
uma vez falei de ti, de quem me ama...de como isso me faz falta e mesmo assim não me acalma...

falei...falei...falei...e no entanto, por mais que escute, parece que não ouço...e a ausência entristece, e a cruz é arrastada pelo chão deixando marcas que ninguém vê, e o vazio sufoca, e o espaço livre não me conforta...e a calma não me satisfaz...

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Escolhas

1 ano desde que me afastei do meu mundo e parti...

...e eu ainda não sei se me sinto feliz ou infeliz...Quanto faltará para perceber isso?

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Mais um roubo...o último...mas tinha mesmo de ser!!!

Inteligência é o maior afrodisíaco que um homem pode oferecer...

Nem de longe é a beleza de um homem que encanta a mulher. Para a sorte de vocês (ou azar, vai saber...), nosso barato é diferente, e pode ser definido, entre outras coisas, como "virilidade". Essa definição tem muito pouco a ver com coçadas supostamente discretas nos testículos, cuspidelas na sarjeta ou exaltação do sistema nervoso diante de 22 homens suados correndo no gramado, imbuídos do espírito de encaçapar a gorduchinha.

Vai muito além da testosterona exacerbada.

Tem a ver com autoconfiança, sempre. E com perspicácia, qualidade muito rara num homem. Ou você pensou que seria fácil? Não ligamos pra barriga, careca ou pneuzinhos, até porque sabemos muito bem que nada disso atrapalha, tanto quanto o seu oposto pode ser absolutamente desprovido de encantos se não vier acompanhado de um perfil psicológico substancioso. Mas o que afinal de contas isso quer dizer, nunca te explicaram. Então lá vai.

Voltemos à virilidade.

Acho que poucas coisas nesta vida são mais eróticas e provocantes do que a inteligência. E quem a tem também possui senso de humor - porque somente os inteligentes não levam nada muito a sério e sabem se divertir mesmo com as intermináveis chatices cotidianas. Então temos inteligência e senso de humor, que somados à malícia (outro atributo dos neurologicamente privilegiados) arrebatam as mulheres e tornam um homem ainda maior aos nossos olhos. Porque não basta pregar a gente na parede. Isso todo ser munido de um bom falo é capaz. É preciso, para se diferenciar da varonil multidão, despertar nosso impulso primitivo racionalmente ativável.

Eternamente alunas.

Vocês olham uma mulher e pensam: "Meu Deus, que peitos, que nádegas, que cinturinha escultural, que boca mais lasciva...", e já começa o devaneio e o desejo de abater.
Nós, não. É impossível uma mulher (minimamente inteligente, claro) olhar para um homem esteticamente interessante e, sem nenhuma conversa, desejar ser invadida. Não. Eis aqui a diferença: nosso desejo de invasão não prescinde do intelecto (você já deve ter presenciado o olhar admirado e sensual das alunas de um grande professor). É preciso passar primeiro pela porta da razão para chegar à porta da alegria. E quanto melhor for o instrumento pensante do sujeito, maiores as chances de acolhida de um outro também interessante e mais mecânico agente.

Porque mulher gosta mesmo é de ser surpreendida, e isso só acontece quando se depara com alguém mais esperto do que ela. Todos sabem o jogo que estão jogando, esse interminável gato-atrás-do-rato que motiva nossa vidinha. E é preciso reconhecer as suas regras, o que requer maturidade. Homem que baba demais, no chance. Os que bajulam e não convencem, também. Os cafas, cruz-credo! A gente tem olho clínico pra eles e passa longe quando os vê. Os demasiadamente (ou precipitadamente) românticos têm grande chance de morrer na praia, porque acaba o desafio. Os posudos e pretensiosos não duram mais do que uma noite. Restam então os inteligentes.

Estes, sim, sabem do que somos feitas. E sabem que, por trás de toda empáfia, vaidade ou sedução, está um bichinho indefeso em busca de acolhimento, louco por um colo. A virilidade está nisso, na consciência masculina de que não somos assustadoras nem lascivas, mas apenas mulherzinhas assustadas e ávidas por um olhar que nos descubra. E nos devore, de preferência.


(Autoria dada a Kika Salvi)

...mais um furto!

tuas palavras, que eu nem ouço...

Tua atenção, que existe só por necessidade tua de mim, é tão somente suficiente quanto tuas palavras lançadas sem motivo algum apenas para embalar-me em teus braços, quando insistes em me convencer que sou tua, que somos iguais, que o que vivemos é belo.

Michele S.B.

Furto de outro blog...

A provocação é uma prova de intimidade.
A gente agride apenas quem é capaz de nos perdoar.

(Fabrício Carpinejar)

terça-feira, dezembro 28, 2010

Como nos filmes!

Foi só naquele momento que me apercebi da realidade dos factos.

Naquele momento, por uns breves instantes deixei de ouvir os ruidos da rua senti-me dentro de um filme! Vi o mundo de cima, aproximei-me do brasil, de são paulo e afundei em mim mesma, sozinha, no meio de uma rua de um bairro de São Paulo com uma senhora ao lado que desconhecia e que me perguntava, com aquele sentimento de protecção que as mães têm espelhado nos olhos:
- Mas voçê tem família aqui?
- Não...
- ...e amigos?
- ...Não...conheço umas pessoas...
- ...e veio para aqui fazer o quê?
- Vim trabalhar!
- Mas tem trabalho?
- Não...
- ...hum...Eu vou-lhe deixar o meu número de telefone prô caso di voçê precisar, anote ai...

...Ainda não me tinha apercebido do que é estar assim...

Imaginei os emigrantes...que sensação!

...felizmente tudo passa...

...e tudo passou quase no mesmo instante em que começou!! :D

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Baila comigo - Shangrilá

Uma letra linda...

Se Deus quiser, um dia eu quero ser índio
Viver pelado, pintado de verde num eterno domingo
Ser um bicho preguiça e espantar turista

E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol

Se Deus quiser um dia acabo voando
Tão banal, assim como um pardal, meio de contrabando
Desviar de estilingue, deixar que me xinguem
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, banho de sol

Baila comigo, como se baila na tribo
Baila comigo, lá no meu esconderijo

Se Deus quiser um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim, ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra
E tomar banho de sol, banho de sol, banho de sol, sol

Se Deus quiser um dia eu morro bem velha
Na hora "H" quando a bomba estourar quero ver da janela
E entrar no pacote de camarote.

Se me der na telha sou capaz
De enlouquecer
E mandar tudo pr´aquele lugar
E fugir com você pra Shangrilá
E me deixar levar
Por um beijo eterno
Por seu corpo envolvente
Mais quente que o inferno

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Chega de Saudade

Já chegou...e eu fiquei.
30 anos passaram, quase 31. As expectativas e as possibilidades continuam cada vez mais altas, e o mundo continua enorme, mas eu, hoje, sinto-me pequenina e presa na liberdade que conquistei.

Continua por lá...e eu por cá andei.
1 ano passou, 12 meses certos desde que o mundo nos reaproximou. Mas o meu mundo continua enorme, e é tão dificil sair do circulo que instintivamente traço vezes sem conta à volta dele.

Ainda aqui estou...e por cá vou ter de permanecer.
10 meses passaram, quase 11. Tudo continua no lugar mas eu já não sei onde isso é, esse meu lugar, o meu lugar...estou sem abrigo, sem poiso, sem rota, sem raizes, sem nada... estou sozinha (e não estou)...mais uma vez...e mais uma vez por escolha minha, por saber tão bem o que quero e por não saber absolutamente nada do que realmente preciso.

Sou um reboliço, um monte de emoções, de conquistas e de perdas, de caminhos e encruzilhadas. Sou tudo e não sou nada. Sei o caminho e nele me perco vezes sem conta só por vontade de mais uma vez ir à procura de sei-lá-o-quê. Estou e não estou, quero e não quero, tenho e não tenho, preciso e não preciso, encontro e desencontro...Será possível existir mesmo alguém que na verdade não existe?

Chegou a hora de me encontrar, de me re-encontrar ou então de me perder de vez, de entrar de uma vez por todas no eixo que me faz rodar ou então de o partir e assumir o desgoverno do que sou.

Nada de penas ou piedades...conquistei a minha vida e nela vou sempre ser tudo o que sou. Tudo e nada.

...e há outros...

...há outros em que as palavras estão tão cheias que incham o meu corpo de pensamentos que de tão altos me sinto surda...

...nestes dias, prefiro apenas aceitar, calar, e esperar que os arrepios que as vibrações das palavras me provocam não me denunciem...

...pelo meio aproveito e vou comer, que com fome não se consegue pensar!

sábado, novembro 27, 2010

SEM PALAVRAS

Há dias em que me sinto assim...

No vazio das palavras que não são pronunciadas

... :(

quinta-feira, novembro 18, 2010

O princípio do fim da Primavera

As andorinhas sempre foram aves que me encantaram...a sua delicadeza e beleza alinhada sempre me fascinou! Não é uma ave igual ás outras, e só o seu desenho no céu basta para as conseguirmos diferenciar das outras avezinhas do quotidiano.

Desde pequenina que elas me rondam...lembro-me de, na minha infância, uma vez um filhote ter caído de um dos ninhos que elas ocupavam todos os anos mesmo por cima da nossa janela do quarto. A presença delas sempre me animou e eu ficava feliz que tivéssem escolhido a minha janela para abrigar o seu lar...ver aquele pequeno ser ainda de olhos fechados perdido e ao mesmo tempo ali tão perto de casa deu-me tanta pena que nunca me esqueci dele.
Tratámos dele como pudémos, mas não resistiu...na verdade, acho que nunca tive muito talento para cuidar de coisas frágeis...desde plantas a animais, tudo me morre nas mãos por muito que me dedique e essa andorinha foi um desses casos.

...Ultimamente tenho vivido muitas coisas que me mostram o quão grandiosa é a vida para nos prendermos a pequenas desilusões...e por isso aqui fica a minha dedicatória ás andorinhas...aves da minha vida, que vão e vêm ao sabor das estações...

sexta-feira, outubro 29, 2010

Até as borboletas säo venenosas...

Descobri isto há dias...existe uma espécie de borboleta que muito suavemente te espeta o seu veneno e lentamente se vai embora deixando a vitima a agoniar de dor...

Poderia fazer muitas analogias com esta historia...mas perdi-me no meio da quantidade de pensamentos que isto me trouxe...ainda me sinto a flutuar entre os espíritos que me acompanharam nesta ultima noite...estou em branco...o veneno está a fazer efeito e tudo se mistura...

quarta-feira, outubro 13, 2010

Passarinho no carrinho!!

Mais uma moedinha, mais uma voltinha...
Criança näo paga mas também näo anda...

Buuuum...mais um choque do carrinho e mais um salto no banquinho!!

Gosto dos carrinhos de choque...estou sempre a pôr mais uma moedinha e a recomeçar... E estranhamente parece-me sempre que já dei voltas suficientes para conhecer o processo e näo me assustar com os embates das viagens...mas sou sempre apanhada de surpresa!!

Quem foi que me pôs no corpo uma alma de condor e um coraçäo de passarinho?

quinta-feira, setembro 30, 2010

Há dias em que o silêncio percorre o meu pensamento de forma pesada.
É nestes dias que se arrastam imagens de variadas coisas, todas elas em silêncio, e com a serenidade de fotos tiradas há anos, que me dá para a saudade.
É nestes dias de silêncio que me sinto triste, vazia e com tanta coisa que ficou por dizer a flutuar por entre as imagens pesadas que passam na minha mente.
É fácil cairmos nas saudades de nós mesmos e das pessoas que nos rodeiam... é fácil dar por mim perdida em mim mesma, nos meus pensamentos, memórias e tudo o mais que fiz e não fiz, que gostava de dizer e não disse, que gostava de dar e não dei... e a parte do dar é sempre a pior...
Saber dar não é fácil, mas saber receber também é uma ciência. Hoje as minhas memórias e o meu silêncio vagueiam por pessoas a quem tive vontade de me dar e a quem no final não fiz, ou a quem fiz e que não souberam tirar o devido proveito da minha tão generosa oferta! Digo generosa porque considero que de tudo o que se pode dar, nós somos o melhor presente...estar disponível e disposta a estar com alguém ou a partilhar da sua vida, das suas dores e alegrias é, quanto a mim a mais generosa oferta que qualquer pessoa pode dar. É a isto que eu chamo amizade, mas também amor. Mas é preciso saber fazê-lo.
Obviamente que tem de existir um equilibrio entre o que um tem para dar e o que o outro quer receber, e se um quer receber pouco porque acha que tb não tem muito para dar não há maneira de o forçar a receber tudo o temos disponível...
Não se pode obrigar alguém a ser nosso amigo só porque nós achamos que podemos ser o seu melhor amigo...tal como não se pode forçar ninguém a receber-nos como nós achamos que deveria ser, ou como nós gostaríamos, e esse é para mim o maior desiquilibrio da natureza!
Temos de procurar e procurar até encontrar as pessoas que estejam dispostas a receber tudo o que temos para elas e mesmo assim isso pode correr mal.
Ás vezes lançamos o que temos de melhor para o ar há espera que alguém agarre, que note, que dê o valor e não nos aceite apenas porque sim...
Hoje as imagens do meu silêncio mostraram-me o que de melhor os outros me deram, e que eu acabei por não poder ou saber retribuir, mas mostraram-me também o que de melhor eu dei, ou quis dar de mim, e que não foi aceite...

sexta-feira, setembro 17, 2010

Bonsai

Ás vezes sinto-me assim, pequenina como uma bonsai.

Os ramos cortados a cada tentativa que faço. Moldados às mãos dos outros que acreditam que a forma que tenho por natureza não é a mais bonita ou a que mais lhes apraz, e assim, a cada tentativa que tenho de mostrar aquilo que realmente quero, gosto, ou me apetece, sinto a tesoura cortar e deixo cair por terras a minha vontade para ceder perante a vontade do outro.

E não é que o faça contra vontade, ou que me sinta presa a essas mãos que me moldam, é mesmo porque sei que se assim não for não estarei de acordo, não me olharão com a mesma ternura, deixarei de caber dentro do espaço exíguo que têm reservado para o meu pequeno vaso…

Às vezes sinto que tenho de me manter assim, pequenina…dentro dos limites previstos para a pequena árvore que é suposto eu ser…não interessa se tenho sangue de frondosa laranjeira ou generoso castanheiro…até poderia querer ser um pinheiro bravo e atirar pinhas por todos os lados…mas não…às vezes há que ser simplesmente a bonsai que os outros talham á sua medida e que se esquece de que o céu deveria ser sempre o seu limite…

quarta-feira, setembro 08, 2010

O enrolar das correntes

Ás vezes os dias correm e as noites voam e nós nem damos por isso...

Até ao dia em que o correr dos dias e o vôo das noites nos deixa com um nó na garganta...

O nó...
Aquele nó que não conseguimos desatar, aquele nó que já sentimos antes e que traz com ele ameaças de chuva, tormenta e tempestade...
Aquele nó que sabemos que traz com ele o peso que até agora não queríamos sentir...

Hoje foi evidente! O nó não escapou sem que o sentisse!
Tudo me fez borbulhar, tudo me fez retornar no tempo, tudo me fez sentir o que não queria sentir, e foi impossível escapar ao rebentar da corrente que já sabia que viria, mas que adiei por saber que mesmo estando à sua espera, preferia atirar-me de cabeça na onda que me puxou e me enrolou.
Queria afundar-me no fundo do mar, queria sentir o fresco das ondas, a vibração das correntes que vêm de outros mundos e que me arrastavam.
Queria sentir o perfume das flores, por muito intoxicantes que fossem.
Queria inundar-me nesse mundo que por uns tempos não tive, apesar de saber que seria uma ilusão e que o que queria ver na verdade não existia. E fui avisada...sim, sei que o fui, sei que tinham razão, sei que preferi tapar os ouvidos e olhar o céu com olhos de quem só vê estrelas cadentes e cheias de desejos.

Sabia...sim é verdade que sabia com a consciência de quem sabe que o ananás vai amargar naquele cantinho escondido da língua que nunca nos lembramos que está lá até ao momento em que o ácido escondido no doce se revela...

E hoje senti...senti finalmente esse arrepio e mais uma vez socumbi à consciência de quem é obrigado a ver a realidade do que escolheu por deliberada vontade...enrolada nas ondas do destino e das vontades deixei-me levar de olhos fechados, e hoje não pude deixar de os abrir e de admitir que não é suficiente.

Sei que não era o que procurava, mas deixei que a suavidade me acalmásse a pele ardente de vontade e a boca sedenta de saudade...

Deixei, e hoje colho os frutos da minha saudade calada, hoje senti de novo o nó e hoje vou ter de admitir que não é suficiente, nunca o foi, mas sei que o escolhi assim...
Amanhã aqui estarei para sentir a lingua picar de novo...
Amanhã aqui estarei mais uma vez para me enrolar nas ondas e deixar que o corpo aceite a corrente...
Amanhã vou ver se desatei o nó ou se continuo a achar que é insuficiente...

terça-feira, agosto 17, 2010

O saco inchado

Há pessoas que transportam uma carga com elas, como se fôsse um saco que transportam às costas... Na verdade, acho que todos nós o transportamos.

Uns com sacos maiores, outros mais pequenos, mais vazios, mirrados...Mas há aqueles que têm sacos enormes, uns pesados, outros leves mas inchados, e outros, como o da minha amiga, é enorme, de tal maneira que o seu peso se faz sentir nos outros, e todos são afectados por ele...Não é uma carga má, pelo contrário, está cheio de energia positiva, tanta, tanta, que transborda, e de tal maneira que cai no saco dos outros, enchendo-o também um pouco...e isso não deixa de ser lindo...

Eu gosto da carga dela, tráz-me alegria, mas ao mesmo tempo é tanta que me impede de sentir, de ter vontade de transmitir ou até de interagir...fico só a escutar...e é bom escutar, porque é tudo lindo...mas isso faz-me esquecer a beleza que eu também transporto na minha carga, faz-me querer fechar o meu saco para que as histórias dela não se misturem com as minhas, para conservar o que fui recolhendo do mundo...e até já me apercebi que a força de tudo o que ela transporta abafa o som que as minhas palavras possam produzir, torna-as apenas mais umas iguais a tantas outras silenciosas ao seu redor...

...Eu até quero partilhar o que ele trás, quero que o vejam, mas não o consigo fazer se o peso do saco dela fechar a abertura do meu...

quinta-feira, agosto 05, 2010

Jantarada

Quando cheguei já ela ia a meio da garrafa de vinho tinto que tinha comprado no pingo doce...
- Caramba, já vais assim?
- Epá não digas nada...hoje é dia de festa..
- De festa? Então e o que festejamos nós?
- A morte do artista!
- Realmente ai está um bom motivo para festejar... e é só com vinho que se festeja nesta casa?
- Não..ia-te fazer um souflé, mas não tenho farinha...ás vezes o problema de falta de ingredientes pode ser um grande impedimento para uma receita perfeita!
- E porquê que não me pediste?
- Tentei...mas sabes quando ligas e chegas à conclusão, antes mesmo do outro atender, que não vale a pena?
- Sim, já me aconteceu, mas acho que vale sempre a pena tentar, afinal, não sabes se a outra pesso ainda te pode conseguir ajudar...
- É verdade...mas achei que não valia a pena...preferi seguir a festa com o que tinha e tentar fazer disso o nosso petisco!! Não ficará fantástico, na verdade nem te sei dizer se estará bom, pois não experimentei...
- Não te preocupes, como dizem, o que vale é a intenção!!
- Humm...não sei se me convences...isso é tudo muito giro em teoria, mas na verdade as coisas não funcionam assim...
- Epá não digas isso...mesmo que eu achásse que o souflé seria mil vezes melhor do que o que preparaste eu vou sempre ficar contente com o que conseguiste fazer só para me receber aqui!
- Ya, mas sabes quando sabes que podias ter algo melhor, que podias fazer algo melhor e no final apenas tens algo igual ao que te oferecem todas as outras pessoas?
- Sim, é verdade, tudo o que é demais enjoa, mas por outro lado o que é dado de bom grado...bolas, tem muito valor!!...é como quando alguém só diz a verdade...sabes quando ás vezes uma mentira simpática sabe bem ouvir, mas tu na verdade preferias era a verdade apesar de doer?
- Humm...sei onde queres chegar, mas sabes, tenho a sensação de que a verdade faz doer tanto como a descoberta dessa mentira piedosa, mas como é a verdade toda a gente acha que é melhor, mesmo que doa...a minha pergunta é: Será que eu prefiro sentir a dor todas as vezes que oiço a verdade, e que sei que não estou a ser enganada e agradeço por isso e aceito a dor que sinto todas as vezes que oiço a verdade ou preferirei eu ser enganda com mentiras piedosas até ao momento em que de uma vez só sei que tudo era mentira e que a realidade é outra? Não sei se prefiro saber a verdade todos os dias, em todos os momentos, se sabê-la toda de uma vez, no dia em que fizer sentido sabê-la!
- Epá...mas isso vai fazer com que um dia aches que viveste sempre uma ilusão...eu cá prefiro a verdade...custa, mas pelo menos sabes sempre com o que contas, não te iludes, não te magoas...
- Como não te magoas!?!? Magoas-te à mesma, mas aos bocadinhos, até ao dia em que te cansas ou em que aceitas e vives sempre com aquela amargura de que não tiveste nem um momento de ilusão na tua vida, em que não tiveste um dia em que tenhas sentido que tiveste a realidade que querias, mesmo que um dia venhas a saber que não foi verdade...até porque, se pensares bem, as pessoas têm sempre dificuldade em aceitar a realidade...se um dia me dissésses que tudo não tinha passado de uma mentira piedosa eu iria sempre achar que no fundo, no fundo algo de verdade aquela mentira devia ter, nem que fôsse pelo facto de me teres poupado por gostares um bocadinho que fôsse de mim...
- Sim, mas por gostar de ti é que te digo a verdade todo o tempo, mesmo que doa...
- Preferes ver a minhas lágrimas de desgosto dia-a-dia do que apenas uma vez uma tempestade de choro e dor...
-Sim...prefiro, porque as tuas lágrimas um dia irão secar, ou então tu vais perceber o que queres...se é ficar com esta verdade ou ir à tua vida...
- Isso é verdade...na ilusão acharás sempre que estás bem e não tens de mudar...
- Ora pois!!
- Humm...bem, então se calhar o melhor é não te iludir e avisar desde já que o jantar não é nada de especial...
- Na boa...de qualquer maneira acabaria por descobrir...

La estraña pareja

Eran conocidos en las calles del barrio,
conocidos en todos los bares y tabernas.
Él tan serio, tan alto, tan pálido y delgado,
ella morena y frágil, tan graciosa y pequeña.
Él rondaba, más o menos, los cincuenta,
y ella debía tener no más de veinticuatro.
Él daba clases, creo, en alguna academia,
y ella estudiaba, creo, un curso de italiano.
Bebían y se amaban, o eso parecía,
discutían a veces, a veces sonreían,
se besaban y odiaban, pero nadie es perfecto,
el amor es difícil y extraño en estos tiempos.


La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.


Él entró una noche en el bar de costumbre,
iba vestido todo de riguroso luto,
venía borracho y solo, traía el gesto serio,
y en las manos una corona de difuntos.
Ella le había dejado, nos explicó sereno,
y había decidido considerarla muerta,
y brindar por su olvido y su descanso eterno,
y celebrar su entierro de taberna en taberna.
Así que allá nos fuimos, y para qué contaros:
vasos, vinos y risas, alguna vomitona,
abrazos de amistad, eterna aquella noche.
Requiescat y brindemos por ella y su memoria.

La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.


Al salir de El Almendro ya iba muy borracho,
se cayó en el asfalto y me incliné a su lado.
Supe que estaba muriéndose de golpe,
dijo algo en mi oído, se deshizo en mis brazos.
Se lo llevó la ambulancia con su corona y todo,
y yo me fui a cumplir con su encargo maldito.
Llegué hasta el bar que él me había indicado
y busqué a la muchacha entre el humo y el ruido.
Por fin la vi, bailaba muy despacio,
refugiada en el cálido pecho de un muchacho.
Le conté, me escuchó, se abrazó a su pareja.
Yo no sé si lloró, no se veía apenas.


La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.



By Ismael Serrano

segunda-feira, agosto 02, 2010

Final kiss

what you feel only matters to you...it's what you do to others that counts!

quarta-feira, julho 28, 2010

Há que a proveitar!! :D

E é assim que se cai nos contos e nas histórias...
Acreditamos no que achamos que vemos à frente...acreditamos em nós, nos outros e acima de tudo acreditamos que o que achamos que sabemos é a verdade!!!

Desenganem-se meus amigos.
Hoje concluí que os muros que construí são o que realmente me protege, e que as ilusões e sonhos e histõrias que sempre gostei de criar são na verdade a realidade que prefiro ver...prefiro acreditar que o que acho que sei é verdade...

...Prefiro sem dúvida acreditar que tudo vale a pena... e que apesar de enganados, somos todos mais felizes assim.

...Um dia, quem sabe a verdade que não quisémos realmente ver, bate-nos como uma chapada dada a mão fechada e bem firme, daquelas secas, que ficam a latejar e nos fazem sentir a mão marcada durante o tempo todo que a nossa dor durar....

...Um dia quem sabe olharei para ti e sem rancor vou-te dizer...Eu já sabia, estava só a aproveitar enquanto dava!

quarta-feira, julho 21, 2010

O que somos...

Ontem vi um filme...e hoje acordei com aquilo a martelar-me na cabeça...e aquilo...bem...aquilo é segredo..porque há segredos que não se contam a ninguém...há segredos que ninguém quer dizer, segredos que o destino traz até nós durante algum momento da nossa vida, sabe-se lá porque caminhos e com que razões, mas que estão lá, e nem mesmo a pessoa mais próxima e nós, ou por quem temos mais afeição, ou que tudo sabe de nós sabe realmente tudo...

Há segredos que nos guardam e segredos que guardamos para nós e para o mundo...

Quanto mais vivo, mais descubro que não sei nada...quanto mais descubro que não sei nada, mais me sinto pequena, um instrumento nas mãos do mundo, das correntes do vento, e tudo o que tenho como adquirido na verdade não existe...
E na verdade existe tudo, e é mais real do que supomos, e tudo o que está por trás, tudo o que não se diz, está lá, mesmo que não se saiba, e tudo o que está la faz parte de nós, de quem somos e do modo como vivemos as nossas vidas...não esquecemos nada, embora queiramos esquece-lo, ou que se esqueçam os outros...

Está tudo lá...dizendo ou não, sabendo ou não, o que foi feito não se desfaz e o que somos vem disso também.

terça-feira, julho 13, 2010

If I could...

If I could put you in a frame I'd draw you smilling...
with a cigarret in you mouth and you hands reaching out for something...if I could...

If I could wear all your clothes I'd still be different
And if I had your speaking voice I'd never whisper...
...I'd talk and talk and talk...

domingo, maio 16, 2010

Cega, surda e muda

Nem sempre nos controlamos...
Nem sempre somos senhores de nos...e quando menos se espera, ainda menos somos senhores dos nossos sentidos ou das nossas vontades.

O que somos nem sempre deixamos ver, e o que sentimos nem sempre o vëm. Nem sempre somos capazes de dizer o que queremos, de despejar o nosso Ser, ou de nos fazermos sequer ouvir...

As vezes sinto-me cega, surda, e muda... outras vezes, secretamente, prefiro së-lo e esquecer as responsabilidades, as pessoas, as coisas ou mesmo o que me leva a ser como sou ou a fazer todas as coisas que faco e fiz e farei na minha vida...

As vezes prefiro nao ver, nao ouvir, nao querer e nem sequer sentir...

Tenho direito a isso???... ou nao?!?!?

quarta-feira, abril 14, 2010

Mais uma música escrita no Céu...

...se eu fosse a sua
e não mais uma
as quatro luas eu lhe daria
pra me tornar sua maria
uma canção eu cantaria
minha resposta ao que eu ouvi
a mais bela melodia
foi roubar pra minha hitória
sua poesia de outrora
não por jura ou promessa
nem perdão ou vaidade
debaixo da condesseira
sua maria de verdade...


By Céu

segunda-feira, abril 12, 2010

No remoínho do tempo

O tempo dá-me medo...
Dá-me medo a forma como apaga as memórias, como arrefece as emoçöes e esquece os desejos...
O tempo tem o poder de apaziguar a dor, acalmar os pensamentos, consolidar as vontades...mas tempo demais pode ser o nosso maior obstáculo.
Os meses passam, as semanas, os dias e a cada hora, a cada segundo vamos mudando, e o rumo que tomamos pode ou näo ir de encontro ao que em tempos ansiámos.
Ás vezes gostava de ter a receita para parar o tempo...para viver aquele momento de felicidade por mais tempo, aumentar o tempo de exposiçäo de um sorriso, manter na pele aquela sensaçäo de prazer que um beijo nos dá...

Mas depois corríamos o risco de também ser possível ficarmos presos em momentos de dor, de prolongarmos a agonia de uma perda, ou relembrarmos eternamente o que preferimos por vezes esquecer...

Tenho medo, e sempre tive, de deixar escapar o que me parece certo, de perder o momento em que devia agir e isso tornou-me no que sou...

Hoje faço o exercício inverso, o de aceitar o ritmo das coisas, e de näo recear que o depois seja tarde demais, embora isso me passe tantas e tantas vezes pela cabeça, e talvez por isso me refugie no exercício de reavivar memórias, de escrever muito mais, de ouvir tantas vezes aquela música que afinal acaba por fazer parte do meu dia-a-dia e näo do meu passado ou do momento que quis recordar e que passou com o tempo..

Dou por mim cada vez mais enrolada no tempo, no de hoje, no de ontem e no do amanhä...porque te guardo na memória...e nas músicas que oiço...e nas paisagens que vejo e onde te encontro...

sexta-feira, março 26, 2010

palavras...

tanto tanto que escrever...
tanto tanto que dizer...
tanto tanto a sentir...

e tao pouco tempo para o poder fazer, para o absorver, para o transmitir...

sobra-me apenas a vontade de o fazer e o desejo de que mesmo longe e baixinho, que alguém possa ouvir as palavras que murmuro ao vento...

terça-feira, março 02, 2010

love and some verses

Love is a dress that you made
long to hide your knees
love to say this to your face,
"I'll love you only"
for your days and excitement,
what will you keep for to wear?
someday drawing you different,
may I be weaved in your hair?

Love and some verses you hear
say what you can't say
love to say this in your ear,
"I'll love you that way"
from your changing contentments,
what will you choose for to share?
someday drawing you different,
may I be weaved in your hair?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Patas arriba

Naquele dia ela acordou triste...mal os primeiros raios de sol lhe tocaram o rosto deixou de conseguir manter os olhos fechados, ao contrário dos dias anteriores, em que se deixava ficar na cama meio dormente de cansaço e sono.

Nessa manha uma tristeza a sufocava apesar de ter ido para a cama em paz, apesar de ter feito amor com ele como nunca antes tinha feito e de lhe ter esvaziado os seus receios...talvez por isso tenha acordado triste, talvez por isso as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que pertenciam aos dois, esta manha lhe traziam nao o amor, nao a alegria, mas sim a saudade...

Levantou-se e seguiu para a casa de banho, onde começou mecânicamente a tratar de si, e só já dentro da banheira é que se apercebeu que estava escuro, e que apenas a luz que entrava pela janela iluminava o espaço. Estranhou...pensou que a lâmpada se tivésse fundido e que tinha a certeza que estava acesa quando estava a lavar os dentes...

Mesmo assim, na luz ténue, ligou a água e deixou-se lavar pelo seu quente...foi nesse momento que percebeu o nó que tinha na garganta, e que lhe apertava a alma...sentiu a solidao...sentiu-se vazia, perdida...

Quando saiu do banho tentou ligar a luz, e esta acendeu e aí apercebeu-se de que tinha sido ela que a tinha apagado enquanto estava inundada pela sua estranha melancolia...e perguntou-se como foi possivel nao se dar conta dos seus gestos...

Ao longo do dia vários foram os amigos que lhe perguntaram porque estava tao triste?
Tentou por varias vezes esconder a sombra que carregava no rosto com um sorriso mal cosido nos lábios...

Ao fim do dia, já no regresso a casa é que se apercebeu do que estava a fazer a si mesma, e de como nao se podia dar ao luxo de cair na tristeza...só ao fim do dia e sem motivo aparente, sem que ninguém tivésse acendido o botao da sua consciencia é que percebeu as palavras dele, e do quadro que tinha tido durante toda uma semana à sua frente e cuja frase lhe estava sempre na memória sem que verdadeiramente se tivésse deixado influenciar pelo seu significado.

Só aí é que percebeu que o passado feliz nao se pode tornar num presente infeliz, por ter passado...mas sim na certeza de que tocamos a felicidade muitas vezes e que essa felicidade está gravada em nós e nao se pode transformar em tristeza, em solidao, ou em saudade, mas sim na força que nos faz sorrir por a termos vivido e sentido, e por nos fazer sorrir cada vez que a recordamos e que temos consciencia de que está guardada em nós!

...E entao finalmente o nó que tinha a prender-lhe a alma se soltou, e finalmente sorriu com vontade enquanto olhava a rua e as pessoas que passavam...só ai compreendeu melhor a sorte de ter vivido o passado e de o poder continuar a levar consigo no presente, e sentiu vontade de sorrir...e as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que esta manha lhe trouxeram saudade, voltaram a trazer-lhe o seu amor, e a alegria de o ter sempre consigo.

"As veces se me ocurre que la tristeza no es mas que la alegria patas arriba"

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

...

As vezes ha palavras que preferimos calar dentro de nos para que nao se tornem realidade.
Sabemos perfeitamente que nao ha como escapar as consequencias das nossas escolhas.

Eu tenho sempre a sensacao de que dizer as coisas e meio caminho andado para as tornar realidade...dizer: Eu Vou!....ou Eu posso!...ou mesmo Eu consigo! e meio caminho andado para conseguirmos efectivamente realizar a nossa vontade...mas desta vez prefiro calar-me e nao dizer o que sei...na esperanca de que nao acabe e se estique ate ao dia em que talvez o possa reaproveitar, como ate a bem pouco tempo o fiz...

neste momento quase lamento a minha escolha...quase quero deitar tudo p o ar...quase...quase...

...que belas brincadeiras o destino nos prega...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

no need to say goodbye...



...está a cortar um bocadinho o texto...but you get the point!! ;)

Bagagem

A vida é feita de muita coisa...mas a principal coisa que retiramos dela, são as nossas experiências, e as pessoas que nos tocaram e nos modificaram.
Gosto de olhar p trás e ver que fui feliz, que sou feliz, que a história que escrevi até agora me agrada e que acima de tudo trago do meu passado muita coisa boa para o presente e para o futuro...muita coisa que me tornou no que sou...

As despedidas nunca me afectaram muito...sempre me afastei sem olhar uma vez sequer p trás, porque sempre achei que para a frente é que está o meu caminho, e o que ficou para trás não é para largar tristemente, mas para guardar e levar connosco para todo o lado. Não sou saudosista, nem gosto de me agarrar ao que já foi, mas gosto de guardar as coisas e saber que cada uma guarda uma história, uma pessoa, uma memória...talvez por isso não consiga deixar de trazer objectos das minhas viagens, em vez de roupa ou grandes adereços...talvez por isso me custe deixá-los à merçê de quem ocupe a minha casa, pois essas pessoas não conhecem as histórias, não ouvem as suas memórias e aquilo que contam sobre vários momentos do meu passado.

Hoje estou de novo em ponto de mudança, daqui a 7h horas estarei no aeroporto com uma mochila que de certeza pesará mais do que deve, mas que terá na história da sua composição, a lembrança das pessoas com quem falei esta noite enquanto a fazia, as lembranças das últimas horas nesta casa que tanto me custou a "construir", mas acima de tudo de tudo o que vivi nestes três anos em Portugal. Foram longos e no entanto tão curtos... dolorosos e no entanto felizes...pesados e afinal tão ligeiros...e agora, com o que estes três anos me ofereceram parto com a bagagem cheia do que sou e do que toda a gente que tive por perto me tornou...Mas tenho de admitir que desta vez parto com dificuldade e despedida afecta-me mais do que imaginei... será velhice?

Seja como fôr, tenho de dizer...
Estou feliz por te ter conhecido, mesmo que por um breve tempo...
Estou feliz por te ter reencontrado, depois de todo este tempo...
Estou feliz por nunca me teres largado, e esperado tanto tempo...
Estou feliz por te ter sempre por perto, e de ter tido tempo para te viver novamente, reconhecer-te na multidão e apertar os laços que nos unem e sempre unirão...
Estou feliz por me teres abraçado, beijado, tocado e sussurrado ao ouvido as palavras doces que precisava de ouvir...
Estou feliz por te ter feito sorrir, por me teres ouvido, por me teres enxugado as lágrimas que não consegui guardar...

Gosto de ti...e levo-te comigo para onde fôr...

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Primeiros Adeus

E é assim...tanto que eu esperei pelo dia em que finalmente iria deixar o trabalho para trás e passar a contar com o tempo todo livre para poder fazer as mil e uma coisas que agora só tenho tempo de fazer a correr...e afinal...são neste momento 22h, e eu ainda estou no atelier...

...a fazer??

...simplesmente a inventar coisas para adiar o momento em que vou fechar aquela porta atrás de mim, depois de desligar o computador e as luzes e dizer pela última vez um "boa noite" ao atelier que faz neste momento 3 anos que me acolheu...

Juro que não pensei que fôsse sentir este vazio...e o pior é imaginar que se aproximam dois dias de fim-de-semana em que vou ter um lanche/jantar de despedida dos meus amigos de faculdade, um jantar de reencontro e despedida com uma colega antiga de trabalho e hoje à noite ainda uma última saída descontraída com amigos vários...tudo festa e diversão, e no entanto cheira-me tudo a melancolia...cheira-me tudo a despedida e eu nunca gostei de despedidas! Mesmo aquelas do "até já"!

...sinto que tenho o coração pequenino...que se fecha um capítulo que gostava de prolongar...e está-me a custar muito mais do que me custou quando saí da holanda, onde estive 2 anos, onde fiz amigos, mas de onde vim com a certeza de que voltava para os braços de pessoas que me faziam falta na altura...e agora parto feliz, sim, mas sem uma imagem de futuro que me guie para além da viagem, e isso, se por um lado é invejável e fantástico, por outro lança dúvidas e incertezas...
Tudo à minha frente é branco, as possibilidades são mais que muitas e a excitação está ao rubro, mas não contava mesmo nada com o peso desta despedida que se alojou no meu cérebro e no meu coração.

Quero muito aproveitar todos os segundos que conseguir dispensar, no meio da correria de tratar dos últimos pormenores, para estar com o maior número possível de pessoas e ao mesmo tempo só me apetece sair daqui e ir-me enfiar directamente em casa debaixo de uma manta, enrolada no sofá, deitar a cabeça nas almofadas e adormecer...preferia que fosse rápida e indolor esta fase, que quando abrisse os olhos já estivésse a caminho do aeroporto a lamentar não ter tido hipótese de me despedir, e no entanto sinto constantemente que não me quero deixar adormecer, quero ligar a todos, falar com todos, estar e fazer tudo o que ainda puder até ao último minuto...

...O Ser Humano é de facto complicado...e eu sou claramente um exemplo disso!!! Viva a liberdade de poder partir á aventura e ser feliz, e viva tudo o mais que essa liberdade nos faz à cabeça...Bem, se conseguir conservar a sanidade depois desta, posso sem dúvida acreditar que sou capaz de tudo!! :D

quinta-feira, janeiro 21, 2010

TTTRRRRRiiiiiiiiiiiiMMMMMMMMMM

Estou na recta final e não me apetece fazer nada...
só descansar e não pensar nos dias que ainda tenho pela frente...
só imaginar que não tenho nada para fazer e ir andando ao sabor da maré e só fazer o que me apetece...
só aproveitar o sol que renasceu...
só ficar em casa a ouvir música...
só não pensar...
só ter os pensamentos parados...

...alguém me cala o despertador que tenho constantemente a tocar na cabeça?!?!

quarta-feira, janeiro 20, 2010

mudar de rota!

Por mais que lhe tenha já dito que não posso ir carregada e que o número de peças de roupa que posso levar é limitado, acabo sempre por me ver nas lojas, diante de mil e uma coisas que ela gostaria que eu comprásse, e vezes sem conta me vejo com a preocupação de não saber como lhe dizer que não levo por não querer, mas por achar um desperdício o investimento que quer fazer em mim se depois não posso levar comigo...
Sei perfeitamente que tem gosto em me comprar as coisas que já não tem prazer em comprar para si, mesmo que depois se esqueça e acabe por elogiar as coisas que trazemos sem se aperceber que foi ela mesma que nos deu...A idade não perdoa, e ela transformou-se num daqueles Seres que o tempo deixou marinar para trazer ao de cimo tudo o que de melhor e complicado têm as avós.

Moderníssima, a consultar a caixa de entrada das mensagens do telemóvel para onde a minha irmã garantiu ter enviado a resposta que esperava...é o meu orgulho...matriarca e terror da família! Adoro-a!

Sabe que não sei se volto tão cedo e preocupa-se em garantir que não me apercebo do medo que carrega consigo...e eu precupo-me em garantir que não lhe passo as preocupações que tenho cada vez mais...Faço contas ao dinheiro para ver se chega, analiso as possibilidades de modo a garantir que não vou ter de depender do dinheiro de ninguém para pagar a casa que deixo para trás...ou o vôo de regresso...ou deixar preocupações com as pessoas que ficam encarregues do que deixo para trás, ou o que quer que seja...e questiono-me mais uma vez..cada vez mais nos últimos dias...porquê que vou? Ultimamente cada vez tenho menos certezas daquilo que ainda à um mês atrás afirmava fazer sentido e ser a razão que me guiava e perante a qual me curvava sem hesitar.

Decorridos três longos e ao mesmo tempo rápidos anos consegui a proeza de virar o meu mundo ao contrário, e agora que encontro um qualquer tipo de estabilidade, de rotina, e que tenho aquilo a que posso chamar "Home" está na hora de me despedir de tudo e virar as costas em direcção a um desconhecido, ao recomeço, à reconstrução de tudo novamente. Procuro acreditar nos sons que sussurram que não haverá problema, pois tudo estará cá quando regressar, mas sei que nada permanecerá igual...os amigos vão mudar as rotinas que agora conheço, alguns irão casar, outros ter filhos, outros deixar de sair e outros mudar até de rumo e quem sabe já cá não estar quando eu regressar... a família seguirá o seu rumo, unir-se-à e tornará mais uma vez a não contar comigo...e o meu coração adocicado voltará a ser apenas uma máquina que garante a minha sobrevivência... as pessoas passarão a ser vozes que oiço ao longe...

Hoje senti mais uma vez que estou a chegar ao fim, e que vou ter de deixar tudo o que construí, e que a partir desse dia já não vou ver as mesmas caras, já não vou poder falar do mesmo modo com aqueles que hoje me escutam e que um dia quando regressar vou ter uma nova realidade, diferente daquela que deixo e que neste momento tenho muita, mas mesmo muita pena de largar em troca desse vazio cheio de aventuras e paisagens e desconhecido... se tivésse de tomar a decisão neste momento, acho que a tomava novamente, mas precisava de tempo para poder gozar um pouco mais da paz que aqui encontrei finalmente no fim deste ano que passou.

Sinto-me como um animal, que encontrou um abrigo e uma cama após um longo percurso de obstáculos, e que quando finalmente conseguiu fechar os olhos e se aninhou para descansar, o relógio que trazia ao pescoço soou um alarme, e o abrigo e a cama fofa onde finalmente poderia descansar tinham desaparecido, e ele dá por si de novo de pé, na estrada, com os olhos colados de sono e o corpo ainda cansado e sem energia para seguir...Sinto-me assim, de pé, a olhar para a estrada, e sem forças para dar os passos que ainda tenho de dar até poder descansar... e olho constantemente para trás a tentar perceber porquê que não posso simplesmente descansar...

quinta-feira, janeiro 14, 2010

If today was your last day...

My best friend gave me the best advice
He said each day's a gift and not a given right
Leave no stone unturned, leave your fears behind
And try to take the path less traveled by
That first step you take is the longest stride

Against the grain should be a way of life
What's worth the prize is always worth the fight
Every second counts 'cause there's no second try
So live like you'll never live it twice
Don't take the free ride in your own life

If today was your last day
Would you make your mark by mending a broken heart?
You know it's never too late to shoot for the stars
Regardless of who you are
So do whatever it takes
'Cause you can't rewind a moment in this life
Let nothin' stand in your way
Cause the hands of time are never on your side


If today was your last day
And tomorrow was too late
Could you say goodbye to yesterday?
Would you live each moment like your last?
Leave old pictures in the past
Donate every dime you have?
Would you call old friends you never see?
Reminisce old memories
Would you forgive your enemies?
Would you find that one you're dreamin' of?
Swear up and down to God above
That you finally fall in love
If today was your last day

e como disse a sábia tartaruga do kung Fu Panda:
Yesterday is history,
Tomorrow a mistery,
today is a gift...enjoy it well!!

quarta-feira, janeiro 13, 2010

vivam os roubos!!

Faz amanhã uma semana que não tenho tempo nem para pensar em escrever no blog...vou guardando para mim os mil pensamentos e sensações que o dia vai trazendo à minha mente e vou guardando no saco da memória...quando finalmente o despejar até vou ter ficar tonta com a quantidade de informação retida!

De uma coisa me lembro e tenho sempre vontade de falar, do que sinto e vivo neste momento. Mas como mais uma vez o tempo escorre por entre os meus dedos, deixo apenas uma cópia de um pensamento roubado de um outro blog... enjoy

1.12.2010
coisas que fascinam (93)
Há uns dias, em conversa com uns amigos, discutia-se a distância que pode haver entre a capacidade de amar alguém e a vontade de envelhecer com esse alguém. É que às vezes há de facto uma distância entre ambos os estados.
Uma amiga minha apagou uma vela com a ponta dos dedos e, tal como esse fogo, também as suas palavras se esfumaram num sorriso que me pareceu triste: "já amei alguns homens a sério mas nunca quis envelhecer com nenhum".
Não gosto muito, numa primeira análise, da ideia de envelhecer com alguém, principalmente porque me parece que a ela está associado um certo divórcio da vida. Melhor dizendo, dos outros. De todos os outros. Mas não é assim. Pelo menos não tem que ser assim.
Actualmente estou a passar a fase profissional mais complicada de sempre na minha vida, não me apetece nem posso explicar aqui porquê. Sei no entanto que estou a fazer os possíveis para me manter à tona da felicidade e dar a volta a isto. No entanto hoje senti-me a afundar lentamente e ao princípio da noite decidi andar um pouco à deriva numa cidade que não é a minha, entre alguns ombros embrutecidos e a indiferença dos outros. De todos os outros.
Foi num bar de esquina qualquer que, guiado por curtas mensagens de telemóvel, me acabei por encontrar com a minha companheira. Bebemos duas cervejas e comemos uns pratos de polvo com molho verde. Agora não sei bem explicar mas estou bem disposto. Gostava de envelhecer com ela... se puder ser. Entre todos os outros.

By: Bagaço amarelo

quinta-feira, janeiro 07, 2010

momentos...

Entre vacinas, sinais, telemóvel, bancos e Decathlon...estes têm sido dias muito preenchidos!!

A apenas cerca de 25 dias de distância, parto para outro continente, para outra realidade...e por muito que isso me pareça uma opção acertada e à tanto esperada, não há como evitar ansiedades. Os desejos de ter mais tempo para usufruir do que tenho por cá assaltam-me cada vez com mais regularidade. De repente tudo passou e cheguei ao ponto em que me tenho mesmo de me começar a despedir, a marcar os últimos encontros, a apontar as coisas que não me posso mesmo esquecer de fazer, de tratar, de lembrar...

Os dias correm e quando damos por ela nem tempo tivémos de olhar para nós, ou de parar um bocadinho! Felizmente que o Ser Humano tem a capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e mesmo com o corpo ocupado, e a mente cheia, consegue-se sempre fugir para aqueles cantos remotos da memória e ir buscar um daqueles pensamentos ou momentos passados que do nada nos põem um sorriso no rosto!.. e ás vezes é tão ridículo estar a andar na rua ou estar numa sala de espera e simplesmente começar a sorrir... rídículo, mas ao mesmo tempo tão lindo!

Tomara poder, todos os dias, ter um deste momentos que nos apanha desprevenidos e nos aproxima de quem nos faz sorrir.
...E eu não me posso queixar! Tem sido um início de ano intenso, cheio de coisas, umas mais complicadas e chatas que outras, mas no total, com um saldo muito positivo!
Faz-me sentir feliz...e na verdade mais do que sentir, acho mesmo que estou feliz!

E só por isso, aqui vai uma música que embora melancólica, me recorda sempre uma história de amor...e eu, lamechas como sou quando estou contente lembro-me sempre destas histórias de amor...vá-se lá explicar!!!!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Julie and Julia

(Ouvir a música enquanto se lê)


Curioso foi dar comigo a rir-me ás gargalhadas com alguns gestos da personagem da Merryl Strip...e encantar-me com a relação que a cozinheira Julia e o seu marido tinham...
O apoio que ele lhe dava...ela seguia-o, desistiu de tudo para estar com ele e ele reconhecia isso e demonstrava que gostava dela apoiando-a na sua aventura culinária, sempre com muita doçura...e isso é tudo tão importante. É bonito ver duas pessoas que se tratam bem, que se cuidam e mimam...e que o demonstram...porque ás vezes são os gestos pequenos, como um pequeno almoço feito para satisfazer os desejos de quem se quer mimar levado à cama, pode ser tão fácil de realizar, e tão bom de saborear...

O que me faz vir aqui escrever a estas horas (01h00), quando já deveria estar no quarto, a pôr os lençóis lavados na cama desfeita ou a lavar a loiça que acumulei no lava-loiças, foi o facto de ter sentido a mesma satisfação que elas tiveram ao cozinhar e de reconhecer o valor que tem o tempo passado na confecção destes pequenos prazeres.

Adoro cozinhar, adoro ter para quem cozinhar...cheguei a casa e por entre sacos de compras para arrumar, roupa para tentar salvar do estendal onde ficou à chuva, e o caos em que se encontra a minha casa, a primeira coisa em que pensei foi em fazer uma sopa de caldo verde inventado, e pelo meio umas beringelas recheadas com soja para o almoço de amanhã, por entre as fatias de pão saloio cobertas com manteiga de alho, fiambre fumado e queijo gouda salpicado de ervas no forno que preparei para o jantar hoje...
...a minha delícia é cozinhar e imagino sempre, enquanto preparo estas minhas magias inventadas, mas que desde sempre se fizeram, que alguém o vai saborear...que não sou apenas eu e que no final vou partilhar estes sabores que vou inventando com a pessoa que está no meu pensamento e para quem dirijo todos aqueles aromas. Mesmo quando acabo por comer sozinha, penso sempre "huuummm, terias adorado..."

Penso em várias pessoas para quem o gostaria de fazer...mas reconheço que o prazer de cozinhar para alguém de quem se gosta, que nos trata bem, que nos ama e apoia incondicionalmente...o nosso companheiro...tem sempre outro sabor.

Foi um filme bonito, que adiciona de forma mais terra-a-terra o que o filme "Chocolate" nos mostra de forma mais mágica...amor e cozinha...dois temas interligados desde sempre...dois temas que adoro...dois temperos imprescindíveis à receita da vida que vou elaborando com uns toques de descoberta para dar sabor! ;D

...bem...e posto isto vou comer uma sopinha e fazer a cama...Bon apetit!

quinta-feira, dezembro 31, 2009

A andorinha e o cebolinho

Ela tinha destas coisas...andorinha negra e luzidia, sempre gostou de voar e razar os campos em busca de aventuras.

Um dia passou perto de um campo de cebolas frescas e verdejantes...nunca gostou de cebolas, e no entanto naquele dia ali estava ver que novidades havia.
Nada de novo encontrou até ao momento em que resolveu pousar numa pedra e sacudir as penas. Naturalmente começou a cantar pelo prazer de se sentir livre dos pequenos pós que se lhe tinham acumulado nas penas e que carregou consigo durante uns tempos. Aquela limpeza deixou-a mais leve.

A leveza era tanta que sentiu vontade de libertar a alma e cantou...Quando se virou deu com uns olhos verdes muito abertos que a observavam sem se mover. Aproximou-se...o cebolinho ali estava, onde sempre esteve, agarrado à terra, emando o seu aroma e indagando que ave seria aquela que apenas vira ao longe voando no céu. Já tinha visto aves migratórias, a sua inconstância e permanente vontade de seguir voando para paises que nunca tinha visto davam-lhe alguma curiosidade. Invejava-lhes a liberdade e no entanto nunca a tinha desejado verdadeiramente. Sentia-se feliz consigo, com a sua realidade, sempre estável e era agradecido à terra que o acolhia e lhe permitia usufruir daquele cantinho. Houve tempos em que se tinha deixado encantar por uma cegonha, mais do que qualquer Ser da terra se deveria deixar encantar por Seres do ar e no entanto assim tinha sido!

A andorinha olhou-o com curiosidade, o seu verde era quase fluorescente, o seu aroma enebriante, e embora não fôsse bonito, viu nele um brilho que não via nas cebolas que tinha sobrevoado...era uma cebola pequena, e no entanto tão esguia e altiva.
Os olhos do cebolinho não se desviaram e a andorinha sentiu necessidade de se aproximar...roçou-lhe as folhas com a pequena cabeça e pescoço...fechou os olhos e sentiu o aroma, rodou em volta dele sem saber muito bem porque o fazia, mas quanto mais o fazia mais vontade tinha de continuar. Fechou os olhos e acreditou que voava com ele, todo o percurso que tinha feito até áquele sacudir de penas fizeram de repente sentido e deu por si entregue ao canto que lhe saía da alma.

Por momentos tudo fez sentido, até que abriu os olhos e viu que o cebolinho não se tinha mexido. Pensou que só ela tinha acreditado que aquele momento perfeito fazia sentido. E como o cebolinho permaneceu calado, apenas observando, a andorinha baixou os olhos, sacudiu as asas e voou...

just a little bit...

You can't see my heart beating
You can't see it through my chest
And I’m terrified but I’m not leaving
Know that I must must pass this test
So just pull the trigger...

não é pela música...é só por este pequeno trecho..ás vezes é mesmo assim que tem de ser!

quarta-feira, dezembro 30, 2009

A troca

Entrei na loja...
Lá fora chovia a cântaros, mas eu entrava feliz naquele espaço alaranjado e cheio de movimento. Sentia-me feliz por estar tão seca!
Tinha descido o Chiado no meio de uma das maiores cargas de água do dia. Todos se afastavam e juntavam aos prédios enquanto eu passava serena com o meu chapéu de chuva desproporcinalmente grande e as minha galochas...sim, resolvi usar galochas...e sim...são pretas e têm caveirinhas! É daquelas coisas que já não consigo voltar atrás e desfazer a compra, mas na verdade, embora fosse o alvo de muitos olhares, naquele dia sentia-me feliz por as ter comigo e poder pisar todas as poças que encontrava pelo caminho sem me preocupar. Que sensação óptima!

Assim percorri parte do centro da cidade rumo à loja onde ia fazer a troca do presente de natal da minha avó! Tanto trabalho me tinha dado a comprar e no final não serviram!!

Mas enfim, resignada à minha sorte, ali estava novamente na loja para tratar das pantufas!
A rapariga já me conhecia de vista...esta era a terceira vez que lá ia para tratar tão somente daquilo.
Encostei-me ao balcão e à máquina registradora de metal trabalhado antiga...uma imitação provávelmente, mas sempre me perdi a analisar o recorte dos desenhos cravados no metal e na manivela que abre a gaveta do "ouro".

Começei a abrir os talões que me engordam a carteira até hoje com o objectivo de ter à mão os talões para as prendas falhadas de natal.
Um a um desdobrei-os a todos...Leroy, Ikea, Natura, BP, Jumbo, multibanco...um a um e nada do que precisava...começei a notar um sorriso trocista por parte da rapariga que me atendia e disse-lhe que sabia que o tinha ali, que era pequeno..."qual era o valor?". A rapariga sabia de cor: 14.95€. Encontrei!!! 14.30€....ainda não era este e o molho estava a acabar. Começei a tentar justificar-me e a perguntar se me trocariam o tamanho mesmo sem talão, e continuava a desdobrar talões...Centro de cópias, leroy, Gato Preto... e nada...do outro lado do balcão a rapariga já só se ria e eu tristemente ria com ela...o balcão estava neste momento completamente ocupado pelos talões que pareciam crescer a cada um que tirava.
Riamos as duas em conjunto da minha infelicidade, e agradecia o facto de não haver ninguém que quisésse pagar alguma coisa, pois não teria para onde afastar o monte de papel que se acumulava à minha frente.
Resolvi rever tudo novamente, um a um...nada de 14.95€...a rapariga ria-se como uma perdida do meu ar semi-infeliz a percorrer os papéis que religiosamente guardei para aquele momento e no final de nada me estava a servir ter carregado aquele fardo de talões para todo o lado...."veja na outra bolsa" dizia ela, "eu acho que me lembro de a ouvir dizer que ia guardar num sítio diferente para não o perder"...

Acabei por desistir...
A rapariga de bom humor foi à procura das pantufas...encontrou o último par com o número que eu precisava...um golpe de sorte!

Debaixo de chuva e sequinha, perder um talão e mesmo assim conseguir fazer uma troca envolvida em boa disposição e simpatia, ainda apanhar o último par do que precisava...e sair da loja com um sorriso. Não acontece sempre, mas quando acontece, tem de se registar!!

terça-feira, dezembro 29, 2009

Cangote

Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui
(uh uh uh)

Te pego sorrindo num pensamento
Faz graça de onde fiz meu achego, meu alento
E nem lembro
Como pode, no silêncio, tudo se explicar?!
Vagarosa, me espreguiço
E o que sinto, feito bocejo, vai pegar

Fiz minha casa no teu cangote
Não há neste mundo o que me bote
Pra sair daqui
(uh uh uh)

By: Céu

Tão simples e tão bonita...que bom descobrir músicas bonitas!

Trabalho, que vontade!!

O Natal já se acabou...
Vem aí a passagem de ano...

São João São João São João dá cá motivação para trabalhar...

Não rima, mas é sincero... :p

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Vincos

É curioso como há pessoas que passam pela nossa vida sem deixar marca absolutamente nenhuma, e outras com as quais só nos cruzamos por um curto espaço e tempo e isso é suficiente para nos ligarmos para a vida.

Nunca consigo deixar de me espantar quando recebo mails ou mensagens dessas pessoas, e muito menos de me questionar por que carga de água é que estas ligações permanecem como se sempre nos tivéssemos conhecido há séculos se na verdade nem sequer nos conhecemos bem, quando moramos, em alguns casos, em países diferentes e as nossas realidades não se tocariam sequer se não fôsse o link que insistimos em manter e que veio do nada!

Mas gosto...gosto de saber que tudo é possível, de saber que há pessoas algures que mesmo sem estarem comigo, na verdade estão, e que existe um fio invisível que tudo une e faz com que tudo tenha um sentido, muito embora por vezes não se perceba o porquê, como é o caso destas pessoas. É lindo estar com alguém por minutos, umas horas, ou uns dias e sentir uma ligação tão forte como se fôsse o nosso melhor amigo, uma irmã...e que fantástico é termos a internet e telemóveis e etc, ao nosso serviço para manter o link sempre conectado.

Não há nada a fazer...desde que me libertei que pareço uma criança alucinada pelas coisas fantásticas e pequenas que a vida me apresenta! Adoro descobrir gente...adoro dar o nózinho no laço que nos une, pois sei que mesmo que o tenha de vir a desatar, e que me custe horrores a fazê-lo, o fio fica sempre vincado!! Adoro ver o teu sorriso que me acalma, receber o teu mail com duas palavras mas que no fundo dizem tudo, receber a tua mensagem de que estás por cá, ou o teu post no facebook que me diz que te lembraste de algo que temos em comum...
Adoro...Adoro...e acima de tudo Adoro-Vos por me darem tanto!

Créu

Não posso deixar de cá vir fazer referência ao post que acabei de pôr no blog da viagem: http://pedeventosa.blogspot.com/
O Créu ...Quem aqui vier, please vá lá espreitar!

domingo, dezembro 27, 2009

O enviado...

Acabei de sair do cinema...
Vi sem dúvida um dos melhores filmes de animação/ficção/aventura (nem sei bem como chamar!) dos últimos tempos.
As imagens são de uma imaginação feroz e fantástica, muito bem conseguida e embora a história se trate de uma receita já mais do que experimentada, continua a servir para nos fazer sonhar, ou pelo menos a mim...
Eu, experimentada sonhadora e lamechas, não verti uma lágrima, e no entanto saí de lá com uma profunda nostalgia.

Conseguir ver para além do que realmente existe, sentir a ligação entre as coisas, entendê-las, respeitá-las e aceitá-las são por vezes coisas que não conseguimos fazer fácilmente, ou que, no meu caso, me custa sempre perceber se realmente o estou ou não a fazer.

As coisas acontecem na nossa vida, ao longo do nosso percurso e por vezes não as vemos bem, ou então achamos que vemos e que démos o passo certo...mas na verdade nunca existe um corrector celestial que nos indique se acertámos em cheio no que devíamos fazer ou se foi um tiro ao lado.

O filme, cheio de ideologias e mensagens é, e será sempre perfeito, porque são mil cabeças a lutar por um fim, para o levar a um objectivo final, para responder a uma exigência ao fim ao cabo criada por nós próprios. Mas na vida isso não existe, e eu questiono-me...

No meu trilho em particular, sei que tenho de abrir os olhos, sei que tenho de Ver para além do óbvio e que tu me viéste ajudar.

A melodia que me emprestaste veio acordar um dos meus sentidos já existentes, mas sempre camuflados. Fizéste-o, e sem que me tenha apercebido aceitei por palavras o que outrora havia recusado do mesmo modo, e agora tenho receio de o ter despertado cedo demais, de não saber o que estou a fazer ou se realmente acredito no que disse.

Sei que me trouxeste de volta uma lição que não passei anteriormente, sei que tenho de saber esperar, aceitar e dar espaço. E sei-o porque é precisamente quando normalmente estaria a querer aproveitar o pouco tempo que me resta, sei-o porque me atrasas, porque me obrigas a aceitar os tempos que outrora atropelaria, porque me guias em silêncio e em silêncio atrevo-me a aguardar.

Tu és o sábio que me que me vai fazer Ver...eu guio e tu guias-me...cada um do seu modo.

Eu Vejo-te...e sim, esta foi a altura certa...

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Madrugada natalícia

7h da manhã! Foi a essa hora que ontem consegui estabilizar as prendas que me faltavam fazer... dormi 3h, corri para o centro de cópias e cheguei 4 horas atrasada ao trabalho! Se não fosse a flexibilidade que tenho em termos de horários bem podia dizer adeus ao meu salário!! Felizmente hoje é a consoada e toda a gente é mais benevolente...menos o Sr. do centro de cópias, que me cobrou o couro e o cabelo! Felizmente também, que tenho muito cabelo!! :D

Tenho de admitir que foi uma noite estranha...muita música, chocolates, chá, chuva, e depois ouvir o acordar de Alfama. Quando finalmente fechei os olhos já o café em baixo estava aberto e a vida começava a agitar-se nas ruas.

Mas foi fácil e já está praticamente tudo! Só falta colar umas coisinhas que terei de fazer depois do trabalho, no primeiro café que encontrar aberto antes de seguir para casa, onde a dona do presente já estará a perfumar a casa com petiscos apetitosos!

Consegui! Estou contente! Viva o Natal...vai ser muito bom descontrair finalmente!

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal...tormento anual!

Os anos passam, os dias correm e eu dou por mim sempre na mesma por mais que evite!!
Planeia-se o Natal, evitam-se os centros comerciais, escolhem-se prendas originais mas fáceis para evitar cair na tentação do banal ou do excesso de trabalho, e no fim continuamos todos a correr e a fazer coisas de última hora!

Amanhã é a tão esperada Véspera...e pela primeira vez na minha vida, vai ser em minha casa!!! Algo tão especial e tão envolto em tormentos...não tenho as prendas todas, os pratos escolhidos ainda estão em fase preparatória, que se prevê longa...abençoada irmãzinha que está de folga e correu em meu auxílio senão não sei o que seria de mim... e a casa ainda está de pantanas.

Véspera de Natal...amanhã...e hoje, vai ser uma noite longa longa longa...

...não fôsse a minha adoração por esta época do ano e acho que dava em doida!!!!

Feliz Natal a todos!!!!

:D

terça-feira, dezembro 22, 2009

Assimilar mudanças

De tudo o que me passa pela cabeça constantemente, muitas coisas não interessam, outras interessam demais para partilhar, e outras são simplesmente pensamentos e preocupações que me interessam registar...

Hoje lembrei-me dela...lembrei-me da imagem que sempre guardei, lembrei-me especialmente de um momento de troca de ofensas numa aula, de como me chamou Leão e Girafa, e de como eu lhe respondi com um Macaco (que sempre julguei demasiado ofensivo, bem mais do que o Leão ou a Girafa, bem mais marcante e determinate para o modo como as raparigas se vêm...depois de o ter dito, arrependi-me, mas já estava dito e eu estava zangada!).

Esta imagem que guardei acima de todas as outras sempre afectou o modo como me relacionei com ela...das poucas vezes que o fiz fiquei contente de perceber que não se lembrava desta cena, e que felizmente me guardava mais amizade do que julgava.

Hoje lembrei-me dela porque me senti próxima, porque partilho da sua dor, porque sei o que sente, e sei que não quero que passe por isso.

Perder um amigo que se julga eterno, por quem se tem, acima do amor que se partilha enquanto casal, uma amizade que sempre estruturou essa relação, pode ser das piores coisas que nos acontecem...e pode revoltar-nos por acharmos que não é preciso tanto, que estamos a ser mal-entendidas, e que apenas queremos manter a amizade que tanto prezamos.

Eu nunca fui entendida neste sentido...ele sempre achou que eu não conseguia assimilar a mudança, que de algum modo o continuava a querer comigo, e afastou-se pelo bem dessa amizade que no fundo recusou com a desculpa de ser melhor para nós. Esteve sempre enganado e eu nunca consegui que entendêsse que só queria manter o que construímos, as fundações, a amizade que nunca encontrarei noutra pessoa da mesma maneira, porque somos todos diferentes...

Após tanto tempo reconstruimos ambos as nossas vidas, mas a um preço quanto a mim caro demais... continuo a lamentar que tenha quebrado o que de mais precioso havia sido construido ao longo de tanto tempo...a nossa amizade...perdi nessa altura um dos meus maiores amigos na vida, porque ele assim o quis, porque queria seguir em frente e a minha presença parecia-lhe sempre um pedido de atenção e não uma oferta do que dou de melhor aos meus amigos, a minha intimidade, o meu Ser sem segredos...ele era o meu apoio, quem me compreendia acima de todos, quem me viu crescer, quem eu jamais poderia julgar que fosse capaz de me virar as costas...mas virou...e hoje vejo-o assim...

Hoje lembrei-me dela e recordei-me a mim...e tive pena de mentalmente a ver passar pelo mesmo que eu, porque na verdade não a ajudará a ela, mas tão somente a ele, e todos sabemos que não é por mal...é mesmo assim...ela ficará magoada e uma amizade pode vir a desaparecer...

segunda-feira, dezembro 21, 2009

tempo...tempo...tempo

O vento perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.

O tempo respondeu ao vento que não tem tempo para dizer que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem...

...Tempinho difícil de entender!!! LOL :D

Bem...enquanto o tempo for de Sol há que aproveitar todo o tempo que o tempo tem!! :D

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Indiscritível

O frio que sinto é indescritível.
Os aquecedores que me rodeiam, que ainda são 3, deitam o calor no máximo e mesmo assim não consigo tirar o cachecol e os dedos estão enregelados!

As paredes deste convento que me abriga funcionam ao contrário, guardam o frio no inverno e o calor no verão.

Hoje estou GELADA! Consigo sentir os músculos na zona dos ombros, pescoço e omoplatas tão tensos que parece que se uniram num só!!

Que desconforto!!

Não há condições de trabalho...vou aproveitar e vou aquecer os dedos a escrever no blog o frio que estou a sentir!

Acorda menina linda

Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer
Anda ver que lindo presente
A aurora trouxe para te prendar
Uma coroa de brilhantes para iluminar
O teu cabelo revolto como o mar

Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer

Porque terras de sonho andaste
Que Mundo te recebeu
Que monstro te meteu medo
Que anjo te protegeu
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?

Acorda, menina linda
Anda brincar
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar
Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer

Anda a ver o gato vadio
À caça do pássaro cantor
Vem respirar o perfume
Das amendoeiras em flor
Salta da cama
Anda viver, meu amor

Acorda, menina linda
Vem oferecer
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer

by: O grande Jorge Palma

terça-feira, dezembro 15, 2009

Pedaços de um conto

O vento e a terra encontraram-se...

E a terra perguntou ao vento quando se iam a separar: "O que é que eu posso fazer por ti?"
A terra tinha este jeito atencioso e preocupado.
"Nada" respondeu o vento, livre e independente como sempre.

Mas a terra mesmo assim aqueceu a água na temperatura certa e com ela o vento lavou a alma.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

ao teu ouvido...

É que não sei se estás a perceber...é mais grave do que isso...é mais intenso e mais profundo.

É algo que nos une, que nos uniu e que agora reapareceu. Somos um só reencontrado e o que foste e que eu fui encontrou novamente o caminho para nos aproximar.
Não é só um momento...é uma eternidade reencontrada. Será que percebes isso?

Será que eu o percebo? Será que as imagens que tenho são apenas imaginação ou uma realidade por acontecer? vamos mesmo ser isso tudo? Fomos mesmo uma vez? Porquê agora...logo agora?!!?

Que confusão...será que estou mesmo a ver o que vejo?

até tenho medo....

o vento e a terra

Somos o vento e a terra...
tocamo-nos constantemente, mas nunca me consegues agarrar...
vou ter de me condensar em nevoeiro e deixar-me transformar em água para correr pela tua terra...

sexta-feira, dezembro 11, 2009

O Conde ...continuação do texto anterior...

O aperto no peito voltou quando o vi dobrar a curva do estacionamento e desaparecer novamente no meu carro. Desta vez não regressou. O sorriso que tinha no rosto fechou-se e os meus pés aceleraram na direcção que seguiu, e mais uma vez...a culpa é tua tola, a pôr tudo nas mãos de um desconhecido...

O alívio que se seguiu ao ver o carro parado e de capot aberto com uma cabeça lá enfiada só pode ser comparável com a alegria de quem ganha o totoloto ou a lotaria! Afinal não fugiu!

Rodou o motor como um animal que encara a presa vezes sem conta até descobrir o problema e em pouco tempo não só o carro pegou, como me tinha sido dado uma aula de mecânica. Disse-me também o que eu já sabia, que o motor estava a "babar" e que teria de trocar uma borracha que nunca tinha visto na vida. Ofereceu-se para o fazer mais barato do que faria uma oficina

Finalmente apresentou-se...
" Vem ter comigo à feira da ladra, eu estou sempre por lá. O meu negócio são velharias, sou bom naquilo, sabes! Vai lá ter e leva a borracha que arranjo-te isso!"
"E como é que o encontro" - perguntei mantendo sempre o "voçê" pelo meio.
"Encontras-me fácilmente...Procura pelo Conde, o cigano Conde!"

quinta-feira, dezembro 10, 2009

O Conde

Os olhos dele eram verde água...de uma imensidão tão grande que pareciam vazios...profundos demais para poder fixar por mais de uns segundos...

Quando o vi partir só ouvia o silêncio e o barulho do motor que se afastava. De braços caídos ao lado do corpo e os pés a pararem lentamente de andar, vi-o desaparecer na curva com o meu carro. Naquele momento só conseguia ouvir o meu próprio pensamento...é bem feita, a culpa é tua...

Já de manhã tinha tentado ligar o carro e nenhum ruído havia saído da bateria. Um toque num fio ao lado do motor e quando voltei a dar à chave o carro pegou. O prazer de sentir que percebia alguma coisa do meu próprio carro foi desaparecendo quando mais tarde, já em Algés, depois de pôr o saco-cama na lavandaria e de ir ao minipreço, o tentei ligar de novo e nenhum som apareceu ao rodar a chave. Nem um engasgão, nem um abanão...nada...roda a chave, volta a rodar...nada...nem um som.

"Estou em Algés...aqui há oficinas e eu sei onde ficam...não será dificil encontrar ajuda"...fecho tudo e sigo rumo ao centro. Ao passar por três homens de cabeça enfiada no capot de um carro saem-me as palavras: "Algum dos senhores é mecênico? É que preciso de ajuda..." e quando dei por ela já o Sr. me acompanhava ao carro para dar uma ajuda..." já não faço mecânica à muito tempo..." Quando dou por ela estou a correr atrás do carro, do alto dos saltos que hoje resolvi usar, e num segundo vejo o homem dos olhos de água saltar para dentro do carro e partir rua abaixo até desaparecer e deixando-me no silêncio...

É uma sensação angustiante a de saber que oferecemos um dos nossos bens mais preciosos à boa-vontade de alguém que nesse momento não só tem o carro, como o porta-chaves com todas as nossas chaves, as compras de supermercado que acabámos de fazer e as roupas velhas, que reunimos para dar ao mais desfavorecidos, dentro da bagageira, e que nos desaparece com tudo, deixando-nos de mãos a abanar. E a culpa é tão somente nossa, por confiarmos em alguém que nos ofereceu ajuda...

Regressa com um sorriso nos lábios cheios que preenchem a cara redonda e lhe mostra os dentes afastados e amarelados..." Este carro é teu?!?!"...Só consigo soltar uma gargalhada e deixo que se afaste de novo enquanto roda com o carro no estacionamento como uma criança que brinca com um brinquedo novo.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Castelo de Vide

Regressar...
Cair novamente na realidade que nos rodeia, na rotina que criámos, no mundo que conhecêmos...
E sem darmos por ela estamos sentados numa lata de tinta, na confusão de uma casa plena de actos inacabados e de vontades recheada.

O desconforto da lata leva-me de volta ao conforto de um sofá perdido e exposto ao frio da Serra que nos acolheu, e à realidade que por momentos abraçámos...
Frio, chuva, pés a latejar e refeições onde se fez a magia da multiplicação dos mantimentos...e a vista, e o céu cinzento e o cão que brinca e o gato que se enrosca...a casa dos sonhos perdida ao longe, o som da minha alma tocada bem fundo e o sorriso de três fundido num só...
...todos démos um pouco e desse pouco foi tanto o que ficou...

Já tenho saudades

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Quem és tu...
De onde vens...
Tens duas asas como eu...

o valor das coisas

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
(Fernando Pessoa)

quinta-feira, novembro 26, 2009

O quadro da ilusão

A ilusão é algo fantástico...
Faz-nos sonhar sem motivos,
Delirar sem sermos loucos,
Inventar com a criatividade de um artista...e quando damos por ela temos um quadro pintado.

E depois nunca é apenas um simples quadro, com ideias vagas do que poderia ser...poder-se-ia dizer que se tratam de verdadeiros Dalís os delírios da nossa ilusão...verdadeiras pérolas pintadas ao mínimo pormenor com pincéis de um pêlo cujo risco numa mão menos precisa sairía um borrão...mas nas mãos de quem vive a ilusão, o quadro branco transforma-se da cor dos nossos sonhos, e a realidade deixa de ter o tom cinzento que a rotina nos dá, para nos encher o rosto com o brilho do sol que a partir desse momento brilha nos nossos corações.

Abençoados os que se iludem, os que sonham, os que divagam...que pena é que não dura muito essa ilusão...

quarta-feira, novembro 25, 2009

And so it is....



uma das mais lindas...oiçam bem a letra...do início ao fim...uma dor só...

segunda-feira, novembro 23, 2009

se a cidade fosse uma mulher...

"Se uma mulher for uma cidade tenho uma estratégia para ti.
Percorrer-te as avenidas, as ruas e os caminhos numa noite fria até encontrar um bar onde me abrigue do meu amor por ti.
Talvez peça um copo de vinho quente com ervas aromáticas, pegue num lápis e no meu bloco e escreva que às vezes me perco na desordem dessa cidade grande e que, aí perdido, me pretendo ficar durante anos até talvez te encontrar.
Até talvez me encontrares."

...está bonito...

in" não compreendo as mulheres" by bagaço amarelo

quinta-feira, novembro 12, 2009

...e não é que continua linda!!

toca e foge

Estou sempre perdida no meio das pessoas, das minhas vontades e das vontades dos outros!!

E que bom que é poder chegar a todos e em todos tocar, mas o problema persiste sempre...o tempo não estica para poder chegar a todos e ainda chegar até mim...

terça-feira, novembro 10, 2009

Fragilidades

Tanta coisa para dizer...de hoje, de ontem...do amanhã..

De tudo faltam-me as palavras e fica a noção de que nem tudo se pode dizer, de que o poder argumentativo das pessoas, e de dar a volta ás questões de forma a defenderem-se é muito grande e portanto ás vezes mais vale calar aquilo que se sabe que não será admitido de livre vontade, pois pode-se sempre justificar ou argumentar noutro caminho, dar a volta e parecer que não era bem assim...e aí a nossa verdade cai por terra pois não há nada a fazer para provar que não existem vontades contrárias...apenas modos de explicar as coisas de forma a influenciar um opinião, uma razão.

As palavras por vezes ajudam a esconder ... Falamos, contamos histórias, inventamos desculpas...

Complicado? Talvez não... ou talvez sim, se não se quiser admitir a falta de vontade que ás vezes temos de mostrar as nossas fragilidades.

Quem quer ser frágil, vulnerável, fraco? .... Ninguém!

sexta-feira, novembro 06, 2009

Bairro do Amor

No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém

No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do verão?

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.

No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar.

O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais
No bairro do amor cada um tem de tratar
Das suas nódoas negras sentimentais

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.

Jorge Palma

quinta-feira, novembro 05, 2009

mais um dia...

Mais um dia de trabalho...
Mais um dia sem fazer nada...
Mais um dia a ver as horas passar lentamente enquanto a internet me tenta entreter de modo a compensar a falta de entretém que o trabalho tem...
Mais um dia em que faço tudo o que não é suposto fazer entre estas 4 paredes...

Mais um dia...e a pergunta é...quando é que isto muda?
Quando é que volta a vontade de traçar linhas e a vontade de aqui estar porque tenho coisas para concluir, porque estou entusiasmada...porque na verdade até tenho trabalho para fazer...mas e a vontade?!

Ridiculo é ter coisas para fazer, ter o poder de só as fazer quando se quer e ainda nos queixarmos disso...Será que nunca me sentirei satisfeita?!!?

terça-feira, novembro 03, 2009

nessa mão onde cabia perfeito o meu coração..

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Há dias...

Há dias em que a alegria nos enche, e sorrimos por tudo e por nada...sem nos apercebermos lançamos sorrisos a tudo, e tudo nos parece bonito. Nesses dias um sorriso é um gesto fácil e parece-nos injusto guardá-lo só para nós...queremos partilhá-lo com todos e sabemos que será bem aceite e o mundo sorrirá connosco porque temos a certeza de que o vamos contagiar!!

Outros dias acordamos com a alma triste, e um laço à volta do coração, que nos aperta com um nó suave, mas ainda assim nos tira um pouco o fôlego.
Nesses dias o sol pode brilhar, e a brisa ser generosa, que a nós nos vai parecer sempre grande o nosso aperto...sempre injusto, sempre solitário.

Nestes dias também queremos mostrar ao mundo a nossa mágoa, a nossa dor, ainda que infundada e temporária...mas é a nossa dor. Aquela que ninguém compreende, aquela que nos faz sentir sozinhos, aquela que nos entristece e emudece.

Tentamos olhar para o mundo e convencer-nos de que não faz sentido, de que temos tudo para sermos felizes, e no entanto o laço não se desaperta...precisamos sempre dos outros para nos puxar aquela pontinha da fita que nos condiciona, e nos mostrar que isso não nos impedia de sorrir, nem de respirar, nem de continuar a mostrar ao mundo o quanto o amamos....porque podemos sofrer e ainda assim dar...

Mas as pessoas não seguem assim...e hoje também eu tenho uma fita... cor de rosa velho...

sexta-feira, outubro 23, 2009

bbbrrrrrrrr......

Há dias assim...em que o silêncio se abate sobre nós e a solidão nos esmaga.

Hoje estou assim. Dou um grito do fundo do meu Ser e só se houve a vibração surda do ar que passa no meu didgeridoo. O seu som acompanha o meu sentir, e levá-lo-ei para onde o meu Ser fôr.

Hoje estou assim. Mergulho na hipnose de um som que sinto reverberar no meu esófago, no meu peito, no meu coração ôco, porque hoje está assim, vazio.

Hoje estou assim e pergunto-me porquê. Se o tempo passou, se o meu Ser renasceu, se o sentimento é afastado e o coração calado, porque estou eu assim?

O silêncio enche-me a alma e a sala onde o rádio soa enche-se do meu silêncio, e estou sozinha.

Só eu e o meu silêncio.

the silence...

silêncio ensurdecedor....

quarta-feira, outubro 21, 2009

beijos quentes

Está tudo meio adormecido...
Nenhum blog com novidades, nenhuma conversa a desvendar desejos, e eu também meio adormecida.

Volta meia volta o pensamento voa para o carinho que não tenho, o abraço que não chega, ou o beijo suave que não sinto.
O meu olhar perde-se em sons de silêncio enquanto observa um rapaz que agarra a namorada pela cintura e a chega para si, abrigando-na naquele chepéu de chuva mínimo e com o qual faz promessas de protecção eterna.
Na rádio a música chora uma melodia sofrida de quem diz que mesmo que ela se entregue ao desespero, ele lá estará para não a deixar cair. As imagens desenham-se no meu pensamento, e flutuo para o meu desejo de também eu sentir esse aconchego, de também eu ser puxada da chuva por uma mão protectora, de também eu sentir um beijo que lentamente escorrega por entre os cabelos para se depositar no quente do pescoço.

Esse dia virá certamente. Esses dias aconteceram em tempos, e eu gosto de os recordar. Gosto de recordar que um dia senti o que os apaixonados sentem, e que novamente isso vai acontecer. Estou pronta.

segunda-feira, outubro 12, 2009

saudades...




de tudo sobrou muito carinho e saudade dos dias de descoberta e noites ternas...

terça-feira, outubro 06, 2009

cheia delas...

palavras cobrem-me a alma...

escondidas, expostas, simples e complexas...

remoínham e entrelaçam-se como num novelo de lã...

estou cheia delas...

vou juntá-las e organizá-las na direcção que segue a água do meu rio
e esperar que o percurso do rio as leve a um mar onde os sentidos façam sentido.