Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!
É fágil como o sonho dum momento;
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh'alma é a Princesa Desalento...
Altas horas da noite ela vagueia...
E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!
O luar ouve minh'alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz à tua porta...
Florbela Espanca
terça-feira, abril 14, 2009
sexta-feira, março 27, 2009
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
quarta-feira, março 18, 2009
Para ser grande, sê inteiro
quinta-feira, março 12, 2009
Curvas...
Um dia, ao dobrar a curva do seu caminho, Titi passou por uma casa...pareceu-lhe semelhante a outra onde tinha estado antes...
Entrou.
Da janela dessa casa olhou para o pátio que esta encerrava. Um corredor com plantas verdes, uma ou outra flor, jarros brancos, uma mangueira que deixa escapar um fio de água...e recordou-se de já lá ter estado...de já ter visto aquela mesma vista noutra ocasião, noutra realidade...
Travamos lutas por nós e pelos outros, em nosso nome e no nome dos outros. Aquela luta tinha-a travado por si, por eles, por um futuro à medida das suas expectativas... lembra-se que lutou, que refilou, que não baixou as mangas e que os seus braços sempre se ergueram, prontos a enfrentar os obstáculos que se apresentássem à sua frente.
Repara em si e vê que nada mudou...continua a mesma Titi, continua de mangas arregaçadas e mãos prontas a desbravar caminho... Mas a sua caixinha de memórias insiste em recordá-la de uma imagem passada em que lutou por eles...em que lutou por ela...Lembra-se que lutou sozinha em várias ocasiões...era seu o desejo de levar o sonho adiante, mesmo que o outro lado não demonstrásse tanto interesse...afinal, fora sua a vontade de seguir em frente...e não consegue deixar de se perguntar: Para quê?
Porquê?
Para quê?
As batalhas que travou, pelo seu sonho, hoje são o sonho de outro alguém, são a realização de outro alguém.... as suas palavras e vontades feitas nas palavras e realizações de alguém que se afasta...de alguém que não quer estar por perto...
Arrependes-te do teu caminho? - perguntam as pernas que nunca a deixaram ficar mal...
Não -diz Titi - Só lamento estar sozinha...só lamento que o novo caminho que hoje percorro seja sem...
...percorria o meu caminho de novo...sei que sim... talvez se soubésse o resultado final da batalha o fizésse sem tanto entusiasmo, sem tanta luta...acho que merecia pelo menos a presença...
As mangas continuam arregaçadas.... as mãos continuam prontas a derrubar barreiras... mesmo que sejam para outro alguém... Será?
Titi recomeça o seu caminho... a imagem que a caixinha de memórias evocou não chegou para a fazer parar por muito tempo naquela casa, a olhar para aquela janela a partir de onde se abre o pátio das suas recordações...
Vai-se embora
A caixinha fechou-se... Titi levanta os olhos e caminha...
À sua frente abre-se um caminho com flores coloridas nas margens, e o sol brilha aquecendo-lhe a cara, encandeando-lhe os olhos que fecha delicadamente enquanto se deixa guiar pela Brisa...
Um novo dia à sua frente... é o recomeço de um novo caminho...está feliz por ter conseguido chegar até este ponto e seguir...simplesmente seguir para ver o que a próxima curva lhe revelará de novo....
Entrou.
Da janela dessa casa olhou para o pátio que esta encerrava. Um corredor com plantas verdes, uma ou outra flor, jarros brancos, uma mangueira que deixa escapar um fio de água...e recordou-se de já lá ter estado...de já ter visto aquela mesma vista noutra ocasião, noutra realidade...
Travamos lutas por nós e pelos outros, em nosso nome e no nome dos outros. Aquela luta tinha-a travado por si, por eles, por um futuro à medida das suas expectativas... lembra-se que lutou, que refilou, que não baixou as mangas e que os seus braços sempre se ergueram, prontos a enfrentar os obstáculos que se apresentássem à sua frente.
Repara em si e vê que nada mudou...continua a mesma Titi, continua de mangas arregaçadas e mãos prontas a desbravar caminho... Mas a sua caixinha de memórias insiste em recordá-la de uma imagem passada em que lutou por eles...em que lutou por ela...Lembra-se que lutou sozinha em várias ocasiões...era seu o desejo de levar o sonho adiante, mesmo que o outro lado não demonstrásse tanto interesse...afinal, fora sua a vontade de seguir em frente...e não consegue deixar de se perguntar: Para quê?
Porquê?
Para quê?
As batalhas que travou, pelo seu sonho, hoje são o sonho de outro alguém, são a realização de outro alguém.... as suas palavras e vontades feitas nas palavras e realizações de alguém que se afasta...de alguém que não quer estar por perto...
Arrependes-te do teu caminho? - perguntam as pernas que nunca a deixaram ficar mal...
Não -diz Titi - Só lamento estar sozinha...só lamento que o novo caminho que hoje percorro seja sem...
...percorria o meu caminho de novo...sei que sim... talvez se soubésse o resultado final da batalha o fizésse sem tanto entusiasmo, sem tanta luta...acho que merecia pelo menos a presença...
As mangas continuam arregaçadas.... as mãos continuam prontas a derrubar barreiras... mesmo que sejam para outro alguém... Será?
Titi recomeça o seu caminho... a imagem que a caixinha de memórias evocou não chegou para a fazer parar por muito tempo naquela casa, a olhar para aquela janela a partir de onde se abre o pátio das suas recordações...
Vai-se embora
A caixinha fechou-se... Titi levanta os olhos e caminha...
À sua frente abre-se um caminho com flores coloridas nas margens, e o sol brilha aquecendo-lhe a cara, encandeando-lhe os olhos que fecha delicadamente enquanto se deixa guiar pela Brisa...
Um novo dia à sua frente... é o recomeço de um novo caminho...está feliz por ter conseguido chegar até este ponto e seguir...simplesmente seguir para ver o que a próxima curva lhe revelará de novo....
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Marrocos
Marrocos!!! Marrocos!!!
Fim de um ciclo à vista...início de outro!!!
Finalmente férias como deve ser... já nem me lembro da última vez que saí de mochila às costas...mentira...lembro-me da Índia...e que saudades eu tenho...também nessa altura estava sozinha (vendo bem, estive demasiadas vezes só nestes últimos anos e nem me tinha apercebido!)!!!
Mais ainda...que saudades de partir sem grande plano, apenas sabendo para onde vou, mas sem saber o que vou encontrar!!!
Estou de partida, e contente por fechar um ciclo que há 8 anos iniciou pouco antes de uma viagem ao mesmo local, nos mesmos moldes, mas com um quentinho no coração!! Agora, pouco após os 8 anos completos, quase na mesma altura do ano, regresso ao ponto de partida para encerrar um ciclo! Está fechado já...tal como anteriormente estava iniciado antes de lá ir... e estou contente!!! Cresci, estou em Paz, estou feliz e com planos...muitos planos!
A vida sorri e eu sorrio para ela como no último ano não consegui sorrir!!!
Viva a vida!!! Viva a descoberta de quem somos e do que queremos para nós!!
Viva Marrocos!!!
Fim de um ciclo à vista...início de outro!!!
Finalmente férias como deve ser... já nem me lembro da última vez que saí de mochila às costas...mentira...lembro-me da Índia...e que saudades eu tenho...também nessa altura estava sozinha (vendo bem, estive demasiadas vezes só nestes últimos anos e nem me tinha apercebido!)!!!
Mais ainda...que saudades de partir sem grande plano, apenas sabendo para onde vou, mas sem saber o que vou encontrar!!!
Estou de partida, e contente por fechar um ciclo que há 8 anos iniciou pouco antes de uma viagem ao mesmo local, nos mesmos moldes, mas com um quentinho no coração!! Agora, pouco após os 8 anos completos, quase na mesma altura do ano, regresso ao ponto de partida para encerrar um ciclo! Está fechado já...tal como anteriormente estava iniciado antes de lá ir... e estou contente!!! Cresci, estou em Paz, estou feliz e com planos...muitos planos!
A vida sorri e eu sorrio para ela como no último ano não consegui sorrir!!!
Viva a vida!!! Viva a descoberta de quem somos e do que queremos para nós!!
Viva Marrocos!!!
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
manter a identidade
manter a identidade....
mantermo-nos fiel ao que éramos, ao que somos e ao que seremos...ao que sempre defendemos...
há pessoas que mudam consoante a pessoa com quem estão...
mudam de tipo de roupa...mudam de modelo de carro...mudam...
fazem por acreditar que sempre gostáram daquilo, ou que simplesmente naquela altura apareceu a oportunidade e que antes não tinha surgido... não se aperceberam foi que na altura não lhes interessava porque não iria mostrar a pessoa que pretendiam ser...e que agora isso, esse bem material, essa mudança os aproxima da pessoa com quem querem estar e lhes mostra que até gostam das mesmas coisas....e que as outras já lá vão...foi uma fase...dizem...
Será possível estar com alguém e manter a identidade...ou será que para o mantermos temos de ser tão fortes que ninguém nos suporta! ...ahaha...ou melhor...será que só mudando conseguimos agradar?!?! e será que estamos assim tão desesperados por agradar?? ou será que mudamos para melhor!?
pois eu digo... Não mudarei!!
Love as I am or do not love me at all!!!
mantermo-nos fiel ao que éramos, ao que somos e ao que seremos...ao que sempre defendemos...
há pessoas que mudam consoante a pessoa com quem estão...
mudam de tipo de roupa...mudam de modelo de carro...mudam...
fazem por acreditar que sempre gostáram daquilo, ou que simplesmente naquela altura apareceu a oportunidade e que antes não tinha surgido... não se aperceberam foi que na altura não lhes interessava porque não iria mostrar a pessoa que pretendiam ser...e que agora isso, esse bem material, essa mudança os aproxima da pessoa com quem querem estar e lhes mostra que até gostam das mesmas coisas....e que as outras já lá vão...foi uma fase...dizem...
Será possível estar com alguém e manter a identidade...ou será que para o mantermos temos de ser tão fortes que ninguém nos suporta! ...ahaha...ou melhor...será que só mudando conseguimos agradar?!?! e será que estamos assim tão desesperados por agradar?? ou será que mudamos para melhor!?
pois eu digo... Não mudarei!!
Love as I am or do not love me at all!!!
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
metades
(...)
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio…
(...)
Porque metade de mim é uma partida e a outra metade são saudades...
(...)
Porque metade de mim é o que eu ouço, a outra metade é o que deixo em silencio.
(...)
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é uma explosão.
(...)
Porque metade de mim são lembranças do que fui, a outra metade eu já não me lembro…
(...)
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço…
(...)
Porque metade de mim é uma plateia…
E a outra metade é uma canção…
E que minha loucura seja perdoada…
Porque metade de mim é amor…
Mas a outra metade também !

música: Oswaldo Montenegro - Metade
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio…
(...)
Porque metade de mim é uma partida e a outra metade são saudades...
(...)
Porque metade de mim é o que eu ouço, a outra metade é o que deixo em silencio.
(...)
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é uma explosão.
(...)
Porque metade de mim são lembranças do que fui, a outra metade eu já não me lembro…
(...)
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço…
(...)
Porque metade de mim é uma plateia…
E a outra metade é uma canção…
E que minha loucura seja perdoada…
Porque metade de mim é amor…
Mas a outra metade também !
música: Oswaldo Montenegro - Metade
Liberdade...
Liberdade para mim é mais ou menos assim....
É ver-me livre de todos os meus antigos vícios...
É desatar todos os nós..
E estar de bem com todos...
Mas principalmente quando estamos a sós! É sobreviver a cada vendaval...
E ainda saborear cada pingo de chuva
Que cai em cada temporal...
É deixar os olhos chorarem...
E saber que amanhã os sorrisos irão voltar
É sofrer por todos os amores
Sejam eles quais forem...
Mas amar sempre com todo o sabor!
É em cada sofrimento ver o alinhamento
De voltar ao tempo de ser feliz...
É....
Para mim acho que é assim...
A verdadeira LIBERDADE!!!
A Liberdade, ao fim ao cabo, não é senão a capacidade de viver com as consequências das próprias decisões.
James Mullen
É ver-me livre de todos os meus antigos vícios...
É desatar todos os nós..
E estar de bem com todos...
Mas principalmente quando estamos a sós! É sobreviver a cada vendaval...
E ainda saborear cada pingo de chuva
Que cai em cada temporal...
É deixar os olhos chorarem...
E saber que amanhã os sorrisos irão voltar
É sofrer por todos os amores
Sejam eles quais forem...
Mas amar sempre com todo o sabor!
É em cada sofrimento ver o alinhamento
De voltar ao tempo de ser feliz...
É....
Para mim acho que é assim...
A verdadeira LIBERDADE!!!
A Liberdade, ao fim ao cabo, não é senão a capacidade de viver com as consequências das próprias decisões.
James Mullen
onde estavas?
Encontrar alguém que nos preenche...
Surgiste tu ... esse alguém que se desconhece mas que preenche os espaços vazios de quem se ausentou...
Titi seguia a sua estrada ... a tudo se habituou...às pedras do caminho, ao vento forte que por várias vezes a tentou fazer sair do caminho, às flores que sempre a surpreendiam pela sua beleza, à solidão e à companhia dos amigos que fez pelo caminho e que por vezes a acompanhavam!
A sua caixa já não pesava tanto como no dia em que decidiu fazer o caminho sem ser guiada pela sua amiga Brisa, e as pernas já se tinham habituado a confiar nela e a desviar-se dos obstáculos que inicialmente pensavam que não conseguir.
Um dia apercebeu-se que teria de voltar a voar em breve, de que a Brisa estava a chamá-la com o canto com que um dia a aliciou a juntar-se a ela e a deslizar pelo mundo...sabia que esse dia estava a chegar e que teria de aproveitar o tempo em que ainda andava ao ritmo do mundo normal, embora nunca o tenha conseguido verdadeiramente...pois o outro mundo, o mundo em que nada seria igual ao que ela conhecia até ao momento, estava à sua espera...um mundo à muito guardado para ela....
A única coisa que lamentava de todo o percurso que fez foi ter perdido o seu passarinho Paixão pelo caminho...ter-se-ia ele afeiçoado assim tanto ao novo caminho de pedras e flores do mundo normal ao ponto de nunca mais procurar pelo seu ombro e pela ajuda da sua Brisa para o levar a descobrir novas paisagens?
- São escolhas que se fazem - dizia, resignada, Titi para o ar, na esperança que o seu antigo amigo passarinho a ouvisses - e tu fizeste a tua... talvez um dia nos cruzemos num vendaval, num passeio ou simplesmente a olhar para o mesmo mar onde antes o sol se punha só para nós...
Titi guardou a memória do seu amigo Paixão na sua caixinha, já estava na hora, e pareceu-lhe assim arrumar um fantasma que percorria a seu lado o caminho e que lhe toldava a vista... Nesse dia Titi voltou a ver o céu com um azul igual ao de muitos anos antes...azul cor dos sonhos e da liberdade...e nesse céu reencontrou-te...onde estavas que há tanto tempo te esperava?
Surgiste tu ... esse alguém que se desconhece mas que preenche os espaços vazios de quem se ausentou...
Titi seguia a sua estrada ... a tudo se habituou...às pedras do caminho, ao vento forte que por várias vezes a tentou fazer sair do caminho, às flores que sempre a surpreendiam pela sua beleza, à solidão e à companhia dos amigos que fez pelo caminho e que por vezes a acompanhavam!
A sua caixa já não pesava tanto como no dia em que decidiu fazer o caminho sem ser guiada pela sua amiga Brisa, e as pernas já se tinham habituado a confiar nela e a desviar-se dos obstáculos que inicialmente pensavam que não conseguir.
Um dia apercebeu-se que teria de voltar a voar em breve, de que a Brisa estava a chamá-la com o canto com que um dia a aliciou a juntar-se a ela e a deslizar pelo mundo...sabia que esse dia estava a chegar e que teria de aproveitar o tempo em que ainda andava ao ritmo do mundo normal, embora nunca o tenha conseguido verdadeiramente...pois o outro mundo, o mundo em que nada seria igual ao que ela conhecia até ao momento, estava à sua espera...um mundo à muito guardado para ela....
A única coisa que lamentava de todo o percurso que fez foi ter perdido o seu passarinho Paixão pelo caminho...ter-se-ia ele afeiçoado assim tanto ao novo caminho de pedras e flores do mundo normal ao ponto de nunca mais procurar pelo seu ombro e pela ajuda da sua Brisa para o levar a descobrir novas paisagens?
- São escolhas que se fazem - dizia, resignada, Titi para o ar, na esperança que o seu antigo amigo passarinho a ouvisses - e tu fizeste a tua... talvez um dia nos cruzemos num vendaval, num passeio ou simplesmente a olhar para o mesmo mar onde antes o sol se punha só para nós...
Titi guardou a memória do seu amigo Paixão na sua caixinha, já estava na hora, e pareceu-lhe assim arrumar um fantasma que percorria a seu lado o caminho e que lhe toldava a vista... Nesse dia Titi voltou a ver o céu com um azul igual ao de muitos anos antes...azul cor dos sonhos e da liberdade...e nesse céu reencontrou-te...onde estavas que há tanto tempo te esperava?
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
yes you can!!!
You can do it
You can do it
so just DO IT!!!
Como concentrar-nos no trabalho, nas linhas que temos à frente se a vontade não obedece, se a cabeça se enche de pensamentos e ideias e palavras para dizer...e a quem!?!?
Alguém em ouve!?!? Alguém??! Is there anybody out there!?!? ... sempre adorei este anúncio...bem feito... um corpo preso numa membrana...só vês vultos e nunca a pessoa...e no entanto sabes que ela está lá...sabes que chama por ti mas não te alcança... e tu estás deste lado, impassível, apenas observas e ouves o apelo, mas não te mexes...
Como alcançar alguém se tens sempre as limitações do tempo, do espaço e da vontade do outro de te ouvir ou não...como ultrapassar as barreiras do que deves ou não dizer e do que podes ou não dizer...e mais ainda... de como dizer para te fazeres compreendida!!!!
Falo falo falo....sozinha...comigo...para dentro, porque a quem eu falo está longe, tão longe que não há medida humana para o dimensionar...está simplesmente longe!
As pessoas passam pela nossa vida e um dia apercebes-te que já passaram efectivamente embora as guardes contigo, elas já lá não estão para te ouvir, para reclamares, para gritares ou sussurrares os teus pensamentos, alegrias, vontades, ou simplesmente partilhar um sorriso, uma cumplicidade...
Para onde vão estas pessoas que desaparecem e que num dia foram tão importantes e noutro já não contas com elas... para onde vão?!?!
Nada...nicles...ninguém sabe...e por isso resta-me apenas dizer....I can do it...I can do it...I can do it...e concentra-te cabecinha nas tuas linhas, que não vale a pena continuar a conversar com fantasmas...
You can do it
so just DO IT!!!
Como concentrar-nos no trabalho, nas linhas que temos à frente se a vontade não obedece, se a cabeça se enche de pensamentos e ideias e palavras para dizer...e a quem!?!?
Alguém em ouve!?!? Alguém??! Is there anybody out there!?!? ... sempre adorei este anúncio...bem feito... um corpo preso numa membrana...só vês vultos e nunca a pessoa...e no entanto sabes que ela está lá...sabes que chama por ti mas não te alcança... e tu estás deste lado, impassível, apenas observas e ouves o apelo, mas não te mexes...
Como alcançar alguém se tens sempre as limitações do tempo, do espaço e da vontade do outro de te ouvir ou não...como ultrapassar as barreiras do que deves ou não dizer e do que podes ou não dizer...e mais ainda... de como dizer para te fazeres compreendida!!!!
Falo falo falo....sozinha...comigo...para dentro, porque a quem eu falo está longe, tão longe que não há medida humana para o dimensionar...está simplesmente longe!
As pessoas passam pela nossa vida e um dia apercebes-te que já passaram efectivamente embora as guardes contigo, elas já lá não estão para te ouvir, para reclamares, para gritares ou sussurrares os teus pensamentos, alegrias, vontades, ou simplesmente partilhar um sorriso, uma cumplicidade...
Para onde vão estas pessoas que desaparecem e que num dia foram tão importantes e noutro já não contas com elas... para onde vão?!?!
Nada...nicles...ninguém sabe...e por isso resta-me apenas dizer....I can do it...I can do it...I can do it...e concentra-te cabecinha nas tuas linhas, que não vale a pena continuar a conversar com fantasmas...
Lost
(...)
Just because I'm hurting
Doesn't mean I'm hurt
Doesn't mean I didn't get
What I deserved
No better and no worse
I just got lost
Every river that I tried to cross
Every door I ever tried was locked
Ohhh and I'm...
Just waiting 'til the shine wears off
(...)
Ohhh and I...
Just waiting 'til the shine wears off
Ohhh and I..
Just waiting 'til the shine wears off

Cold Play
Just because I'm hurting
Doesn't mean I'm hurt
Doesn't mean I didn't get
What I deserved
No better and no worse
I just got lost
Every river that I tried to cross
Every door I ever tried was locked
Ohhh and I'm...
Just waiting 'til the shine wears off
(...)
Ohhh and I...
Just waiting 'til the shine wears off
Ohhh and I..
Just waiting 'til the shine wears off
Cold Play
dorme...
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
...fica comigo...
fazes-me chorar....deixas-me triste...e colocas a tua marca bem fundo no meu coração que já chora à algum tempo...são lágrimas de despedida...que apertam o peito ao sair e me fazem perceber o quão fundo marcaste...e eu sempre a querer libertar-me e no entanto nunca o vou conseguir...porque estás sempre comigo...agora o sei...mas deixas-me triste...e choro, quando menos espero, ao som de uma música que se ouve no rádio do meu dia-a-dia...
....porquê que existem as despedidas....porquê que temos de partir mesmo sem o querermos...porquê que não ficas......?
....porquê que existem as despedidas....porquê que temos de partir mesmo sem o querermos...porquê que não ficas......?
coração roubado...
Roubei o coração à minha irmã...Também eu o carrego comigo...carrego o teu e o meu...cheios e vazios ao mesmo tempo....
A Vida encarrega-se de nos preencher o Corpo, o Espírito e a Alma...
O tempo, compasso em que saltita a vida, encarrega-se de nos deixar marcas que não se apagam a não ser através do desejo do próprio tempo e do sopro que nos dá à Vida.
Cheio...vazio... carregamos o nosso coração marcado pelos riscos dos outros, pelos nossos próprios riscos, pelas dores que sofreu e que se ofereceu para sofrer...marcado por caras, afectos e vivências...experiências que nos tornaram quem somos e que sem elas não o conseguiríamos encher e viver não faria sentido.
Anda coração! Fecha os aurículos e ventrículos, aperta-os bem com toda a força dos teus músculos e aguarda que duas mãos energéticas te venham apertar o peito obrigando-te a bombar de novo o que guardas aí dentro e a espalhá-lo pelo corpo...deixa-te estar apertado...e aguarda...
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
pirilampo escondido...
Curvo e sinuoso, por vezes de uma linearidade a perder de vista, o caminho que percorreu Titi trouxe-lhe muitas experiências com as quais não contava.
Um dia, Titi lembrou-se de um Amigo que teve, um passarinho chamado Paixão... Era dourado e leve como as penas que o vestiam. Paixão encantou-se por Titi e pela Brisa que a transportava. Resolveu segui-la e durante anos Titi teve a seu lado um amigo que passou a fazer parte de si, parte da sua realidade. Durante anos só se sentia sozinha se por algum motivo Paixão se ausentava. Nesses momentos Titi apercebeu-se do quanto se completavam e de como tudo fluía melhor e de como a Brisa a transportava com mais ligeireza e o caminho, por ser partilhado, era sempre mais fácil quando Paixão estava por perto.
Ás vezes as pessoas que passavam por Titi, com a sua caixa, com a Brisa ao ombro e a tagarelar contente, nem se apercebiam que estava ali um passarinho, de tão pequeno que era, e de tão discreto...nem eu o vi das primeiras vezes que vi Titi... só agora, quando a vejo tão vazia, me apercebo do que aquele passarinho significava para Titi e de como lhe dava uma luz diferente e de como era impossível imaginá-la sem aquele amigo que lhe apareceu do nada, e que um dia para o nada resolveu voltar.
Titi percorria agora uma estrada sem a companhia do seu Paixão....e falava...ouvi-a falar sozinha muitas vezes... às vezes direccionava a sua conversa para a Brisa, que a escutava, mas poucas vezes intreagia...outra vezes, como já não havia Paixão, falava para o céu, para o ar, para o vazio...
- Não sabia eu que aquele pequeno pássaro me fazia tanta falta...não pensei que um dia ele se pudésse ir embora de verdade.
Tantas vezes se ausentou, mas sempre voltou...na verdade, houve momentos em que achava que seria melhor se não voltásse, pois tornava-se pesado!! Não imaginas as vezes que me fez chorar, as vezes que me magoou com as palavras que dizia... era como família...e o problema da família é que não existe aquele limite, aquela ténue linha que te impede de dizer as coisas que sabes que não deves dizer quando se trata de um amigo...com a Família, por muito errado que seja deixarmo-nos por vezes levar por essa segurança que representa, perdemos pudores ou filtros de comportamento, simplesmente somos como somos e esperamos que nos aceitem assim. Com os amigos é diferente, podemos sempre perdê-los e por isso agimos de forma mais cuidada, impômos limites às nossas palavras, aos nossos comportamentos, e quando estamos cansados simplesmente afastamo-nos...mas com o Paixão não era assim.
Estranho...agora que penso nisso com o Paixão era uma mistura...não éramos família, mas agíamos como se fosse, tal era a nossa união, mas também éramos amigos, amigos como não era de ninguém. Adivinhávamos os pensamentos um do outro, éramos capazes de falar horas, e sabia sempre que podia contar com aquele apoio, aquela dedicação...
Estranho...agora que penso nisso...não percebo porquê que agora que não resolveu partir, não me deixou sequer a sua amizade para conversar...sempre achei que mesmo que perdêsse a companhia, não perderia a amizade, e afinal, aqui estou eu a falar sozinha...
Titi deu por si triste, embora participásse em todas as festas que encontrava pelo caminho... sozinha, embora tivésse muitos amigos ao longo da estrada... vazia, embora a sua vida fosse cheia de objectivos e coisas para fazer e todas elas as conseguisse realizar...
Paixão era um amigo que nunca pensou perder...pensou sempre que mesmo depois de partir, Paixão continuaria presente, continuaria a ser o amigo que sempre esteve lá, e que nunca duvidou que permaneceria...mas não foi assim...
...Um dia Paixão resolveu partir e deixar Titi sozinha... Aquele pequeno pássaro dourado permanece ainda no coração de Titi, como uma luz dourada como ele, guardado numa das cavidades do seu coração...aquela mais pequena, e mais escondida, que ninguém vê, mas que guarda lá no fundo um pequeno brilho de pirilampo cansado que teima em voar e iluminar aquele pequeno recanto à espera do dia em que alguém se lembre de o libertar...
Um dia, Titi lembrou-se de um Amigo que teve, um passarinho chamado Paixão... Era dourado e leve como as penas que o vestiam. Paixão encantou-se por Titi e pela Brisa que a transportava. Resolveu segui-la e durante anos Titi teve a seu lado um amigo que passou a fazer parte de si, parte da sua realidade. Durante anos só se sentia sozinha se por algum motivo Paixão se ausentava. Nesses momentos Titi apercebeu-se do quanto se completavam e de como tudo fluía melhor e de como a Brisa a transportava com mais ligeireza e o caminho, por ser partilhado, era sempre mais fácil quando Paixão estava por perto.
Ás vezes as pessoas que passavam por Titi, com a sua caixa, com a Brisa ao ombro e a tagarelar contente, nem se apercebiam que estava ali um passarinho, de tão pequeno que era, e de tão discreto...nem eu o vi das primeiras vezes que vi Titi... só agora, quando a vejo tão vazia, me apercebo do que aquele passarinho significava para Titi e de como lhe dava uma luz diferente e de como era impossível imaginá-la sem aquele amigo que lhe apareceu do nada, e que um dia para o nada resolveu voltar.
Titi percorria agora uma estrada sem a companhia do seu Paixão....e falava...ouvi-a falar sozinha muitas vezes... às vezes direccionava a sua conversa para a Brisa, que a escutava, mas poucas vezes intreagia...outra vezes, como já não havia Paixão, falava para o céu, para o ar, para o vazio...
- Não sabia eu que aquele pequeno pássaro me fazia tanta falta...não pensei que um dia ele se pudésse ir embora de verdade.
Tantas vezes se ausentou, mas sempre voltou...na verdade, houve momentos em que achava que seria melhor se não voltásse, pois tornava-se pesado!! Não imaginas as vezes que me fez chorar, as vezes que me magoou com as palavras que dizia... era como família...e o problema da família é que não existe aquele limite, aquela ténue linha que te impede de dizer as coisas que sabes que não deves dizer quando se trata de um amigo...com a Família, por muito errado que seja deixarmo-nos por vezes levar por essa segurança que representa, perdemos pudores ou filtros de comportamento, simplesmente somos como somos e esperamos que nos aceitem assim. Com os amigos é diferente, podemos sempre perdê-los e por isso agimos de forma mais cuidada, impômos limites às nossas palavras, aos nossos comportamentos, e quando estamos cansados simplesmente afastamo-nos...mas com o Paixão não era assim.
Estranho...agora que penso nisso com o Paixão era uma mistura...não éramos família, mas agíamos como se fosse, tal era a nossa união, mas também éramos amigos, amigos como não era de ninguém. Adivinhávamos os pensamentos um do outro, éramos capazes de falar horas, e sabia sempre que podia contar com aquele apoio, aquela dedicação...
Estranho...agora que penso nisso...não percebo porquê que agora que não resolveu partir, não me deixou sequer a sua amizade para conversar...sempre achei que mesmo que perdêsse a companhia, não perderia a amizade, e afinal, aqui estou eu a falar sozinha...
Titi deu por si triste, embora participásse em todas as festas que encontrava pelo caminho... sozinha, embora tivésse muitos amigos ao longo da estrada... vazia, embora a sua vida fosse cheia de objectivos e coisas para fazer e todas elas as conseguisse realizar...
Paixão era um amigo que nunca pensou perder...pensou sempre que mesmo depois de partir, Paixão continuaria presente, continuaria a ser o amigo que sempre esteve lá, e que nunca duvidou que permaneceria...mas não foi assim...
...Um dia Paixão resolveu partir e deixar Titi sozinha... Aquele pequeno pássaro dourado permanece ainda no coração de Titi, como uma luz dourada como ele, guardado numa das cavidades do seu coração...aquela mais pequena, e mais escondida, que ninguém vê, mas que guarda lá no fundo um pequeno brilho de pirilampo cansado que teima em voar e iluminar aquele pequeno recanto à espera do dia em que alguém se lembre de o libertar...
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Ser transparente...
As dúvidas são sombras que nos toldam a vista quando menos esperamos...carregam em si pontos de interrogação e experiências passadas que mais ninguém conhece, mas que nos ficam a passear na mente e nos impedem de avançar.
A mente encerra todo um mundo de fantasias, experiências, emoções, pensamentos e dúvidas que mais ninguém conhece senão quem passou por isso. Ás vezes surpreendemo-nos das reacções das pessoas, ou de atitudes ou palavras que revelam pensamentos que seriam impensáveis em determinadas pessoas...
Existe uma personagem que todos nós encarnamos, e com a qual todos nos identificam, e que quando revelada é questionada ou apontada como apenas um momento, e esperam calmamente que a personagem que conhecem volte novamente a ser quem era.
Laivos de loucura, momentos de completo desinteresse pelo próximo... um corpo que se contorce e rebenta num grito de fúria contida num corpo que tudo encaixou pacíficamente à vista dos outros, mas que por dentro tremia de angústia e revolta, e que nesse momento tudo destruiu, tudo manchou de negro, deixando apenas um corpo murcho, vazio e triste...quem diria que aquele corpo que tão alegremente viam como um modelo, explodia num ser de olhos furiosos embebidos em veias quentes e projectantes...
...outras vezes, corpos altivos e fortes, quando esburacados deixam antever um mar de lágrimas e tristezas contidas, que escorregam como fios de água outrora vibrantes de luz, mas que com o tempo e vivências se foram mutando e se solidificaram numa pasta viscosa e infeliz que solta sons de choro...ouve-se aquele choro interrompido que nos deixa sem ar, que não conseguimos controlar e que só alguns podem ouvir...
...e esses, que ouvem o choro dos corpos tristes, que bons que são, que impotentes são, que infelizes por decobrirem que afinal aquele corpo que adoraram é igual aos outros, é tão infeliz como os outros e guarda tanta mágoa...
E depois há os corpos Felizes por dentro e por fora, completos...quantos serão?
Que bom seria poder transformar todas as nuvens de dúvida, que percorrem os pensamentos, em sons de música alegre e palpitante... Queimem-nos os pés as notas de alegria que nos obrigam a dançar, abafem-nos no coração os sons da vida que corre ligeira, cole-se à pele o brilho do Sol e da Lua que com seus susurros nocturnos nos embala e nos permite respousar a cabeça em sonhos que esperamos que um dia se tornem realidade...Sejamos nós o Seres que queremos ser, sem nos deixarmos limitar pelo que nos rodeia, mas retirando ao que nos rodeia a pureza com que nos queremos preencher e tornando-nos felizes por não sermos mais do que aquilo que somos...
Titi seguiu pelo caminho escolhido, as pernas ainda hesitantes, a caixinha ainda pesada, mas a sua vontade de seguir prevaleceu, e eu vi-a partir de cabeça erguida pelo caminho que se abria à sua frente...quem a visse pensaria que já não tinha dúvidas e que as pernas já não hesitavam...
A mente encerra todo um mundo de fantasias, experiências, emoções, pensamentos e dúvidas que mais ninguém conhece senão quem passou por isso. Ás vezes surpreendemo-nos das reacções das pessoas, ou de atitudes ou palavras que revelam pensamentos que seriam impensáveis em determinadas pessoas...
Existe uma personagem que todos nós encarnamos, e com a qual todos nos identificam, e que quando revelada é questionada ou apontada como apenas um momento, e esperam calmamente que a personagem que conhecem volte novamente a ser quem era.
Laivos de loucura, momentos de completo desinteresse pelo próximo... um corpo que se contorce e rebenta num grito de fúria contida num corpo que tudo encaixou pacíficamente à vista dos outros, mas que por dentro tremia de angústia e revolta, e que nesse momento tudo destruiu, tudo manchou de negro, deixando apenas um corpo murcho, vazio e triste...quem diria que aquele corpo que tão alegremente viam como um modelo, explodia num ser de olhos furiosos embebidos em veias quentes e projectantes...
...outras vezes, corpos altivos e fortes, quando esburacados deixam antever um mar de lágrimas e tristezas contidas, que escorregam como fios de água outrora vibrantes de luz, mas que com o tempo e vivências se foram mutando e se solidificaram numa pasta viscosa e infeliz que solta sons de choro...ouve-se aquele choro interrompido que nos deixa sem ar, que não conseguimos controlar e que só alguns podem ouvir...
...e esses, que ouvem o choro dos corpos tristes, que bons que são, que impotentes são, que infelizes por decobrirem que afinal aquele corpo que adoraram é igual aos outros, é tão infeliz como os outros e guarda tanta mágoa...
E depois há os corpos Felizes por dentro e por fora, completos...quantos serão?
Que bom seria poder transformar todas as nuvens de dúvida, que percorrem os pensamentos, em sons de música alegre e palpitante... Queimem-nos os pés as notas de alegria que nos obrigam a dançar, abafem-nos no coração os sons da vida que corre ligeira, cole-se à pele o brilho do Sol e da Lua que com seus susurros nocturnos nos embala e nos permite respousar a cabeça em sonhos que esperamos que um dia se tornem realidade...Sejamos nós o Seres que queremos ser, sem nos deixarmos limitar pelo que nos rodeia, mas retirando ao que nos rodeia a pureza com que nos queremos preencher e tornando-nos felizes por não sermos mais do que aquilo que somos...
Titi seguiu pelo caminho escolhido, as pernas ainda hesitantes, a caixinha ainda pesada, mas a sua vontade de seguir prevaleceu, e eu vi-a partir de cabeça erguida pelo caminho que se abria à sua frente...quem a visse pensaria que já não tinha dúvidas e que as pernas já não hesitavam...
quarta-feira, janeiro 28, 2009
...o caminho...
É dificil perceber-se o que se quer...muitas vezes complexo saber-se até que se está perdido...
Ser complexo, Titi, percorre o mundo levada pela Brisa...sempre o fez, chegando até ao ponto de se esquecer de como se anda.
Olhava para trás e sempre conseguiu sorrir de contente e realizada pelos percursos que tinha feito! Invejada pela sua brisa e pela liberdade que adquiriu sem ter de conquistar, nunca sentiu a vida como se de um obstáculo se tratásse, mas sim como uma aventura, uma floresta por desbravar...Vestida de força e empunhando a coragem seguiu sempre o rumo que a Brisa apontava, sem hesitações nem complicações. Era simples, bastava seguir!
À poucos dias encontrei Titi... estava sentada à beira da estrada, pernas cruzadas, com a sua caixinha no colo, e a olhar para o ombro...olhava a Brisa como quem não percebe o que diz...
Perguntei-lhe quem era e disse-me que me ia contar quem eu era...
Continuou a conversa tentando explicar-me o que se passava, e porque a tinha encontrado ali:
- Estou aqui sentada porque está na altura de parar...
- Parar porquê?
- Não sei...sinto que sim...a Brisa puxa-me o ombro, mas a caixa que trago passou a pesar muito, tornou-se num peso que não me deixa voar, e que não sei explicar...sei apenas que tenho de parar...nunca a caixinha pesou assim...e depois parece que se reflecte em mim, no meu corpo...nas minhas pernas...
- Pesa em ti??
- Siimm, não sei explicar...pesa...pesa nas pernas...
Tudo começou quando me aproximei desta estrada...achei-a perfeita, o caminho perfeito para fazer...falei com a Brisa e ela disse-me que sim, que estava na hora de se deixar guiar por mim...e a caixinha vibrou como se fosse o passo certo...
Parámos, mas dou por mim sem me aguentar nas pernas. Não percebo...tão livre e tão limitada.
Nada me prende, e eu quero avançar, mas as pernas não me obedecem, parecem ter vida própria e recusam-se a partir. Ainda lhes perguntei porque não me obedecem, mas disseram-me apenas que não conseguem avançar...
- Então mas se tudo indica que está na hora de seres tu a apontar o caminho porque se negam as pernas?
- Pois...perguntei o mesmo à Brisa que me acompanha...ela diz-me que está comigo, e que quando eu quiser partir, que me leva...mas eu tinha-lhe dito que desta vez era eu que a guiava, e gostava de cumprir a minha palavra, afinal não tenho medo de o fazer, nada me impede...porquê que não me obedecem as pernas?
Já lhes disse que não quero parar, que temos de seguir viagem, traçar a nossa rota com pegadas na estrada, sem receio das pequenas pedras que me furam os pés...
- Pernas, porque não obedecem voçês?
As pernas ficaram imóveis por uns tempos, depois, levantaram-se...vi Titi erguer-se sem esforço, e pouco depois começou a desenhar com os pés palavras na terra solta da estrada, e ali estava a resposta das pernas...estavam com dúvidas...nunca tiveram de conduzir ninguém, era sempre a Brisa que as leváva, não sabiam se conseguiam andar e muito menos se o caminho que apontava Titi seria seguro para elas...tinham dúvidas e não queriam andar perdidas, magoar-se nas pedras do caminho e andar sem um apoio, algum sustento que as amparasse quando se desiquilibrássem...
-Òh amigas pernas, - dizia Titi - Então não vêm que eu vos guio e não vos deixarei tropeçar!
Então no chão foram desenhadas as palavras..."e quando tu não tiveres onde te agarrar e cairmos de joelhos no chão...quando não souberes que caminho seguir ou te sentires perdida? como vais tu conseguir perceber e reconhecer que estás perdida...como vais tu ceder e conseguir perceber os sinais se tu nunca tiveste de os ler...se nunca os aprendeste a ler? Como podemos confiar em ti que não te lembras sequer como se anda, se não sabes sequer onde esta estrada vai dar ou porque viéste aqui parar?"
Ser complexo, Titi, percorre o mundo levada pela Brisa...sempre o fez, chegando até ao ponto de se esquecer de como se anda.
Olhava para trás e sempre conseguiu sorrir de contente e realizada pelos percursos que tinha feito! Invejada pela sua brisa e pela liberdade que adquiriu sem ter de conquistar, nunca sentiu a vida como se de um obstáculo se tratásse, mas sim como uma aventura, uma floresta por desbravar...Vestida de força e empunhando a coragem seguiu sempre o rumo que a Brisa apontava, sem hesitações nem complicações. Era simples, bastava seguir!
À poucos dias encontrei Titi... estava sentada à beira da estrada, pernas cruzadas, com a sua caixinha no colo, e a olhar para o ombro...olhava a Brisa como quem não percebe o que diz...
Perguntei-lhe quem era e disse-me que me ia contar quem eu era...
Continuou a conversa tentando explicar-me o que se passava, e porque a tinha encontrado ali:
- Estou aqui sentada porque está na altura de parar...
- Parar porquê?
- Não sei...sinto que sim...a Brisa puxa-me o ombro, mas a caixa que trago passou a pesar muito, tornou-se num peso que não me deixa voar, e que não sei explicar...sei apenas que tenho de parar...nunca a caixinha pesou assim...e depois parece que se reflecte em mim, no meu corpo...nas minhas pernas...
- Pesa em ti??
- Siimm, não sei explicar...pesa...pesa nas pernas...
Tudo começou quando me aproximei desta estrada...achei-a perfeita, o caminho perfeito para fazer...falei com a Brisa e ela disse-me que sim, que estava na hora de se deixar guiar por mim...e a caixinha vibrou como se fosse o passo certo...
Parámos, mas dou por mim sem me aguentar nas pernas. Não percebo...tão livre e tão limitada.
Nada me prende, e eu quero avançar, mas as pernas não me obedecem, parecem ter vida própria e recusam-se a partir. Ainda lhes perguntei porque não me obedecem, mas disseram-me apenas que não conseguem avançar...
- Então mas se tudo indica que está na hora de seres tu a apontar o caminho porque se negam as pernas?
- Pois...perguntei o mesmo à Brisa que me acompanha...ela diz-me que está comigo, e que quando eu quiser partir, que me leva...mas eu tinha-lhe dito que desta vez era eu que a guiava, e gostava de cumprir a minha palavra, afinal não tenho medo de o fazer, nada me impede...porquê que não me obedecem as pernas?
Já lhes disse que não quero parar, que temos de seguir viagem, traçar a nossa rota com pegadas na estrada, sem receio das pequenas pedras que me furam os pés...
- Pernas, porque não obedecem voçês?
As pernas ficaram imóveis por uns tempos, depois, levantaram-se...vi Titi erguer-se sem esforço, e pouco depois começou a desenhar com os pés palavras na terra solta da estrada, e ali estava a resposta das pernas...estavam com dúvidas...nunca tiveram de conduzir ninguém, era sempre a Brisa que as leváva, não sabiam se conseguiam andar e muito menos se o caminho que apontava Titi seria seguro para elas...tinham dúvidas e não queriam andar perdidas, magoar-se nas pedras do caminho e andar sem um apoio, algum sustento que as amparasse quando se desiquilibrássem...
-Òh amigas pernas, - dizia Titi - Então não vêm que eu vos guio e não vos deixarei tropeçar!
Então no chão foram desenhadas as palavras..."e quando tu não tiveres onde te agarrar e cairmos de joelhos no chão...quando não souberes que caminho seguir ou te sentires perdida? como vais tu conseguir perceber e reconhecer que estás perdida...como vais tu ceder e conseguir perceber os sinais se tu nunca tiveste de os ler...se nunca os aprendeste a ler? Como podemos confiar em ti que não te lembras sequer como se anda, se não sabes sequer onde esta estrada vai dar ou porque viéste aqui parar?"
terça-feira, janeiro 27, 2009
quem conta um conto retira sempre pontos...
-olá!
-Olááá!!
-Quem és tu?
-Eu!?...eu sou tu...e tu, quem és?
-Eu...eu sou tu...Titi.
-Titi...Titi!??!
-Sim...Titi...não sabes que no mundo da imaginação tudo é válido?
-Siim?? Mas porquê Titi? Só falta dizeres que vens da Titilândia...
-Lindo! Já começas a perceber como tudo começa!
-Ok...desisto...conta-me só...
-Titi...simplesmente Titi... Titi de brisa ao ombro...
Quando o céu me concebeu depositou em mim uma luz, um brilho que se escondeu dentro de mim. Titi foi o nome que surgiu, e eu aceitei!
-Mas Titi!?!? Não havia nada melhor?
Na verdade eu já ouvi falar de ti, és aquelas que se deixa levar pela liberdade e vôa sem saber bem para onde e sem querer saber...
-Epá isso assim é muito volátil e triste...eu vou-te contar quem sou...
Tenho uma brisa de vento no ombro...e uma caixa na mão...a brisa é quem me guia...um dia apercebi-me que ali estava, e era tão suave o seu surrurrar, tão encantado que me deixei levar, e quando me apercebi já os meus pés não tocavam no chão...e era tão leve...
Viver a flutuar, ao sabor da brisa, sem olhar para trás nem pensar para onde vais... é saberes-te acompanhada e sem medo do futuro, pois basta fechar os olhos e dizer, eu quero ir, e lá vais tu...
Na mão, a minha caixa...nela guardo um pouco de todos os locais por onde passei...quando a abro criam-se à minha frente imagens do que vivi, pessoas, nomes, passeios, flores e tempestades... cada imagem uma história, cada vulto uma memória...não a abro muito...
-Titi...quem te ouve parece que está perante um conto...
-E assim é...sou a personagem que te vai contar quem és...
-Olááá!!
-Quem és tu?
-Eu!?...eu sou tu...e tu, quem és?
-Eu...eu sou tu...Titi.
-Titi...Titi!??!
-Sim...Titi...não sabes que no mundo da imaginação tudo é válido?
-Siim?? Mas porquê Titi? Só falta dizeres que vens da Titilândia...
-Lindo! Já começas a perceber como tudo começa!
-Ok...desisto...conta-me só...
-Titi...simplesmente Titi... Titi de brisa ao ombro...
Quando o céu me concebeu depositou em mim uma luz, um brilho que se escondeu dentro de mim. Titi foi o nome que surgiu, e eu aceitei!
-Mas Titi!?!? Não havia nada melhor?
Na verdade eu já ouvi falar de ti, és aquelas que se deixa levar pela liberdade e vôa sem saber bem para onde e sem querer saber...
-Epá isso assim é muito volátil e triste...eu vou-te contar quem sou...
Tenho uma brisa de vento no ombro...e uma caixa na mão...a brisa é quem me guia...um dia apercebi-me que ali estava, e era tão suave o seu surrurrar, tão encantado que me deixei levar, e quando me apercebi já os meus pés não tocavam no chão...e era tão leve...
Viver a flutuar, ao sabor da brisa, sem olhar para trás nem pensar para onde vais... é saberes-te acompanhada e sem medo do futuro, pois basta fechar os olhos e dizer, eu quero ir, e lá vais tu...
Na mão, a minha caixa...nela guardo um pouco de todos os locais por onde passei...quando a abro criam-se à minha frente imagens do que vivi, pessoas, nomes, passeios, flores e tempestades... cada imagem uma história, cada vulto uma memória...não a abro muito...
-Titi...quem te ouve parece que está perante um conto...
-E assim é...sou a personagem que te vai contar quem és...
segunda-feira, janeiro 26, 2009
vendaval perdido
O tempo passa e as vontades vão e vêm...
Afinal ainda vivo...já se sabe que o vento esconde-se por um tempo e depois reaparece...
Pode ser uma brisa, um vendaval, ou um furacão...
Hoje sou vendaval!
Folhas remoínham em meu redor, brinco com elas...fazem-me sentir viva e toldam-me a vista fazendo-me tropeçar nos estranhos obstáculos à minha frente que não vejo...Bailo, bailo, sinto a energia que me move e agita tudo em seu redor
...oiço o som do meu cantar...que estranho me soa, que rouco e abafado...não admira que não o percebam pois parece o estilhaçar de vidro que parto com a força com que bato às janelas...e no entanto só queria espreitar por elas...ver o brilho que esconde a casa que fecham...
O vento que sou quer voar, quer aprender, quer encantar...quer desaparecer, ir , ir e não parar...
...para onde não sei...sei apenas que esteve tanto tempo contido numa brisa que agora não sabe o que fazer com a liberdade de poder voar!
Querer e poder voar não basta...é preciso saber voar...
...conta-me passarinho quem te ensinou a voar?
Afinal ainda vivo...já se sabe que o vento esconde-se por um tempo e depois reaparece...
Pode ser uma brisa, um vendaval, ou um furacão...
Hoje sou vendaval!
Folhas remoínham em meu redor, brinco com elas...fazem-me sentir viva e toldam-me a vista fazendo-me tropeçar nos estranhos obstáculos à minha frente que não vejo...Bailo, bailo, sinto a energia que me move e agita tudo em seu redor
...oiço o som do meu cantar...que estranho me soa, que rouco e abafado...não admira que não o percebam pois parece o estilhaçar de vidro que parto com a força com que bato às janelas...e no entanto só queria espreitar por elas...ver o brilho que esconde a casa que fecham...
O vento que sou quer voar, quer aprender, quer encantar...quer desaparecer, ir , ir e não parar...
...para onde não sei...sei apenas que esteve tanto tempo contido numa brisa que agora não sabe o que fazer com a liberdade de poder voar!
Querer e poder voar não basta...é preciso saber voar...
...conta-me passarinho quem te ensinou a voar?
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