Os olhos dele eram verde água...de uma imensidão tão grande que pareciam vazios...profundos demais para poder fixar por mais de uns segundos...
Quando o vi partir só ouvia o silêncio e o barulho do motor que se afastava. De braços caídos ao lado do corpo e os pés a pararem lentamente de andar, vi-o desaparecer na curva com o meu carro. Naquele momento só conseguia ouvir o meu próprio pensamento...é bem feita, a culpa é tua...
Já de manhã tinha tentado ligar o carro e nenhum ruído havia saído da bateria. Um toque num fio ao lado do motor e quando voltei a dar à chave o carro pegou. O prazer de sentir que percebia alguma coisa do meu próprio carro foi desaparecendo quando mais tarde, já em Algés, depois de pôr o saco-cama na lavandaria e de ir ao minipreço, o tentei ligar de novo e nenhum som apareceu ao rodar a chave. Nem um engasgão, nem um abanão...nada...roda a chave, volta a rodar...nada...nem um som.
"Estou em Algés...aqui há oficinas e eu sei onde ficam...não será dificil encontrar ajuda"...fecho tudo e sigo rumo ao centro. Ao passar por três homens de cabeça enfiada no capot de um carro saem-me as palavras: "Algum dos senhores é mecênico? É que preciso de ajuda..." e quando dei por ela já o Sr. me acompanhava ao carro para dar uma ajuda..." já não faço mecânica à muito tempo..." Quando dou por ela estou a correr atrás do carro, do alto dos saltos que hoje resolvi usar, e num segundo vejo o homem dos olhos de água saltar para dentro do carro e partir rua abaixo até desaparecer e deixando-me no silêncio...
É uma sensação angustiante a de saber que oferecemos um dos nossos bens mais preciosos à boa-vontade de alguém que nesse momento não só tem o carro, como o porta-chaves com todas as nossas chaves, as compras de supermercado que acabámos de fazer e as roupas velhas, que reunimos para dar ao mais desfavorecidos, dentro da bagageira, e que nos desaparece com tudo, deixando-nos de mãos a abanar. E a culpa é tão somente nossa, por confiarmos em alguém que nos ofereceu ajuda...
Regressa com um sorriso nos lábios cheios que preenchem a cara redonda e lhe mostra os dentes afastados e amarelados..." Este carro é teu?!?!"...Só consigo soltar uma gargalhada e deixo que se afaste de novo enquanto roda com o carro no estacionamento como uma criança que brinca com um brinquedo novo.
quinta-feira, dezembro 10, 2009
terça-feira, dezembro 08, 2009
Castelo de Vide
Regressar...
Cair novamente na realidade que nos rodeia, na rotina que criámos, no mundo que conhecêmos...
E sem darmos por ela estamos sentados numa lata de tinta, na confusão de uma casa plena de actos inacabados e de vontades recheada.
O desconforto da lata leva-me de volta ao conforto de um sofá perdido e exposto ao frio da Serra que nos acolheu, e à realidade que por momentos abraçámos...
Frio, chuva, pés a latejar e refeições onde se fez a magia da multiplicação dos mantimentos...e a vista, e o céu cinzento e o cão que brinca e o gato que se enrosca...a casa dos sonhos perdida ao longe, o som da minha alma tocada bem fundo e o sorriso de três fundido num só...
...todos démos um pouco e desse pouco foi tanto o que ficou...
Já tenho saudades
Cair novamente na realidade que nos rodeia, na rotina que criámos, no mundo que conhecêmos...
E sem darmos por ela estamos sentados numa lata de tinta, na confusão de uma casa plena de actos inacabados e de vontades recheada.
O desconforto da lata leva-me de volta ao conforto de um sofá perdido e exposto ao frio da Serra que nos acolheu, e à realidade que por momentos abraçámos...
Frio, chuva, pés a latejar e refeições onde se fez a magia da multiplicação dos mantimentos...e a vista, e o céu cinzento e o cão que brinca e o gato que se enrosca...a casa dos sonhos perdida ao longe, o som da minha alma tocada bem fundo e o sorriso de três fundido num só...
...todos démos um pouco e desse pouco foi tanto o que ficou...
Já tenho saudades
quarta-feira, dezembro 02, 2009
o valor das coisas
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
(Fernando Pessoa)
(Fernando Pessoa)
quinta-feira, novembro 26, 2009
O quadro da ilusão
A ilusão é algo fantástico...
Faz-nos sonhar sem motivos,
Delirar sem sermos loucos,
Inventar com a criatividade de um artista...e quando damos por ela temos um quadro pintado.
E depois nunca é apenas um simples quadro, com ideias vagas do que poderia ser...poder-se-ia dizer que se tratam de verdadeiros Dalís os delírios da nossa ilusão...verdadeiras pérolas pintadas ao mínimo pormenor com pincéis de um pêlo cujo risco numa mão menos precisa sairía um borrão...mas nas mãos de quem vive a ilusão, o quadro branco transforma-se da cor dos nossos sonhos, e a realidade deixa de ter o tom cinzento que a rotina nos dá, para nos encher o rosto com o brilho do sol que a partir desse momento brilha nos nossos corações.
Abençoados os que se iludem, os que sonham, os que divagam...que pena é que não dura muito essa ilusão...
Faz-nos sonhar sem motivos,
Delirar sem sermos loucos,
Inventar com a criatividade de um artista...e quando damos por ela temos um quadro pintado.
E depois nunca é apenas um simples quadro, com ideias vagas do que poderia ser...poder-se-ia dizer que se tratam de verdadeiros Dalís os delírios da nossa ilusão...verdadeiras pérolas pintadas ao mínimo pormenor com pincéis de um pêlo cujo risco numa mão menos precisa sairía um borrão...mas nas mãos de quem vive a ilusão, o quadro branco transforma-se da cor dos nossos sonhos, e a realidade deixa de ter o tom cinzento que a rotina nos dá, para nos encher o rosto com o brilho do sol que a partir desse momento brilha nos nossos corações.
Abençoados os que se iludem, os que sonham, os que divagam...que pena é que não dura muito essa ilusão...
quarta-feira, novembro 25, 2009
segunda-feira, novembro 23, 2009
se a cidade fosse uma mulher...
"Se uma mulher for uma cidade tenho uma estratégia para ti.
Percorrer-te as avenidas, as ruas e os caminhos numa noite fria até encontrar um bar onde me abrigue do meu amor por ti.
Talvez peça um copo de vinho quente com ervas aromáticas, pegue num lápis e no meu bloco e escreva que às vezes me perco na desordem dessa cidade grande e que, aí perdido, me pretendo ficar durante anos até talvez te encontrar.
Até talvez me encontrares."
...está bonito...
in" não compreendo as mulheres" by bagaço amarelo
Percorrer-te as avenidas, as ruas e os caminhos numa noite fria até encontrar um bar onde me abrigue do meu amor por ti.
Talvez peça um copo de vinho quente com ervas aromáticas, pegue num lápis e no meu bloco e escreva que às vezes me perco na desordem dessa cidade grande e que, aí perdido, me pretendo ficar durante anos até talvez te encontrar.
Até talvez me encontrares."
...está bonito...
in" não compreendo as mulheres" by bagaço amarelo
quinta-feira, novembro 12, 2009
toca e foge
Estou sempre perdida no meio das pessoas, das minhas vontades e das vontades dos outros!!
E que bom que é poder chegar a todos e em todos tocar, mas o problema persiste sempre...o tempo não estica para poder chegar a todos e ainda chegar até mim...
E que bom que é poder chegar a todos e em todos tocar, mas o problema persiste sempre...o tempo não estica para poder chegar a todos e ainda chegar até mim...
terça-feira, novembro 10, 2009
Fragilidades
Tanta coisa para dizer...de hoje, de ontem...do amanhã..
De tudo faltam-me as palavras e fica a noção de que nem tudo se pode dizer, de que o poder argumentativo das pessoas, e de dar a volta ás questões de forma a defenderem-se é muito grande e portanto ás vezes mais vale calar aquilo que se sabe que não será admitido de livre vontade, pois pode-se sempre justificar ou argumentar noutro caminho, dar a volta e parecer que não era bem assim...e aí a nossa verdade cai por terra pois não há nada a fazer para provar que não existem vontades contrárias...apenas modos de explicar as coisas de forma a influenciar um opinião, uma razão.
As palavras por vezes ajudam a esconder ... Falamos, contamos histórias, inventamos desculpas...
Complicado? Talvez não... ou talvez sim, se não se quiser admitir a falta de vontade que ás vezes temos de mostrar as nossas fragilidades.
Quem quer ser frágil, vulnerável, fraco? .... Ninguém!
De tudo faltam-me as palavras e fica a noção de que nem tudo se pode dizer, de que o poder argumentativo das pessoas, e de dar a volta ás questões de forma a defenderem-se é muito grande e portanto ás vezes mais vale calar aquilo que se sabe que não será admitido de livre vontade, pois pode-se sempre justificar ou argumentar noutro caminho, dar a volta e parecer que não era bem assim...e aí a nossa verdade cai por terra pois não há nada a fazer para provar que não existem vontades contrárias...apenas modos de explicar as coisas de forma a influenciar um opinião, uma razão.
As palavras por vezes ajudam a esconder ... Falamos, contamos histórias, inventamos desculpas...
Complicado? Talvez não... ou talvez sim, se não se quiser admitir a falta de vontade que ás vezes temos de mostrar as nossas fragilidades.
Quem quer ser frágil, vulnerável, fraco? .... Ninguém!
sexta-feira, novembro 06, 2009
Bairro do Amor
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar.
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais
No bairro do amor cada um tem de tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.

Jorge Palma
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de cor
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar.
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há prisões nem hospitais
No bairro do amor cada um tem de tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu me compreendes bem.

Jorge Palma
quinta-feira, novembro 05, 2009
mais um dia...
Mais um dia de trabalho...
Mais um dia sem fazer nada...
Mais um dia a ver as horas passar lentamente enquanto a internet me tenta entreter de modo a compensar a falta de entretém que o trabalho tem...
Mais um dia em que faço tudo o que não é suposto fazer entre estas 4 paredes...
Mais um dia...e a pergunta é...quando é que isto muda?
Quando é que volta a vontade de traçar linhas e a vontade de aqui estar porque tenho coisas para concluir, porque estou entusiasmada...porque na verdade até tenho trabalho para fazer...mas e a vontade?!
Ridiculo é ter coisas para fazer, ter o poder de só as fazer quando se quer e ainda nos queixarmos disso...Será que nunca me sentirei satisfeita?!!?
Mais um dia sem fazer nada...
Mais um dia a ver as horas passar lentamente enquanto a internet me tenta entreter de modo a compensar a falta de entretém que o trabalho tem...
Mais um dia em que faço tudo o que não é suposto fazer entre estas 4 paredes...
Mais um dia...e a pergunta é...quando é que isto muda?
Quando é que volta a vontade de traçar linhas e a vontade de aqui estar porque tenho coisas para concluir, porque estou entusiasmada...porque na verdade até tenho trabalho para fazer...mas e a vontade?!
Ridiculo é ter coisas para fazer, ter o poder de só as fazer quando se quer e ainda nos queixarmos disso...Será que nunca me sentirei satisfeita?!!?
terça-feira, novembro 03, 2009
nessa mão onde cabia perfeito o meu coração..
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Que perfeito coração
morreria no meu peito,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
segunda-feira, novembro 02, 2009
Há dias...
Há dias em que a alegria nos enche, e sorrimos por tudo e por nada...sem nos apercebermos lançamos sorrisos a tudo, e tudo nos parece bonito. Nesses dias um sorriso é um gesto fácil e parece-nos injusto guardá-lo só para nós...queremos partilhá-lo com todos e sabemos que será bem aceite e o mundo sorrirá connosco porque temos a certeza de que o vamos contagiar!!
Outros dias acordamos com a alma triste, e um laço à volta do coração, que nos aperta com um nó suave, mas ainda assim nos tira um pouco o fôlego.
Nesses dias o sol pode brilhar, e a brisa ser generosa, que a nós nos vai parecer sempre grande o nosso aperto...sempre injusto, sempre solitário.
Nestes dias também queremos mostrar ao mundo a nossa mágoa, a nossa dor, ainda que infundada e temporária...mas é a nossa dor. Aquela que ninguém compreende, aquela que nos faz sentir sozinhos, aquela que nos entristece e emudece.
Tentamos olhar para o mundo e convencer-nos de que não faz sentido, de que temos tudo para sermos felizes, e no entanto o laço não se desaperta...precisamos sempre dos outros para nos puxar aquela pontinha da fita que nos condiciona, e nos mostrar que isso não nos impedia de sorrir, nem de respirar, nem de continuar a mostrar ao mundo o quanto o amamos....porque podemos sofrer e ainda assim dar...
Mas as pessoas não seguem assim...e hoje também eu tenho uma fita... cor de rosa velho...
Outros dias acordamos com a alma triste, e um laço à volta do coração, que nos aperta com um nó suave, mas ainda assim nos tira um pouco o fôlego.
Nesses dias o sol pode brilhar, e a brisa ser generosa, que a nós nos vai parecer sempre grande o nosso aperto...sempre injusto, sempre solitário.
Nestes dias também queremos mostrar ao mundo a nossa mágoa, a nossa dor, ainda que infundada e temporária...mas é a nossa dor. Aquela que ninguém compreende, aquela que nos faz sentir sozinhos, aquela que nos entristece e emudece.
Tentamos olhar para o mundo e convencer-nos de que não faz sentido, de que temos tudo para sermos felizes, e no entanto o laço não se desaperta...precisamos sempre dos outros para nos puxar aquela pontinha da fita que nos condiciona, e nos mostrar que isso não nos impedia de sorrir, nem de respirar, nem de continuar a mostrar ao mundo o quanto o amamos....porque podemos sofrer e ainda assim dar...
Mas as pessoas não seguem assim...e hoje também eu tenho uma fita... cor de rosa velho...
sexta-feira, outubro 23, 2009
bbbrrrrrrrr......
Há dias assim...em que o silêncio se abate sobre nós e a solidão nos esmaga.
Hoje estou assim. Dou um grito do fundo do meu Ser e só se houve a vibração surda do ar que passa no meu didgeridoo. O seu som acompanha o meu sentir, e levá-lo-ei para onde o meu Ser fôr.
Hoje estou assim. Mergulho na hipnose de um som que sinto reverberar no meu esófago, no meu peito, no meu coração ôco, porque hoje está assim, vazio.
Hoje estou assim e pergunto-me porquê. Se o tempo passou, se o meu Ser renasceu, se o sentimento é afastado e o coração calado, porque estou eu assim?
O silêncio enche-me a alma e a sala onde o rádio soa enche-se do meu silêncio, e estou sozinha.
Só eu e o meu silêncio.
Hoje estou assim. Dou um grito do fundo do meu Ser e só se houve a vibração surda do ar que passa no meu didgeridoo. O seu som acompanha o meu sentir, e levá-lo-ei para onde o meu Ser fôr.
Hoje estou assim. Mergulho na hipnose de um som que sinto reverberar no meu esófago, no meu peito, no meu coração ôco, porque hoje está assim, vazio.
Hoje estou assim e pergunto-me porquê. Se o tempo passou, se o meu Ser renasceu, se o sentimento é afastado e o coração calado, porque estou eu assim?
O silêncio enche-me a alma e a sala onde o rádio soa enche-se do meu silêncio, e estou sozinha.
Só eu e o meu silêncio.
quarta-feira, outubro 21, 2009
beijos quentes
Está tudo meio adormecido...
Nenhum blog com novidades, nenhuma conversa a desvendar desejos, e eu também meio adormecida.
Volta meia volta o pensamento voa para o carinho que não tenho, o abraço que não chega, ou o beijo suave que não sinto.
O meu olhar perde-se em sons de silêncio enquanto observa um rapaz que agarra a namorada pela cintura e a chega para si, abrigando-na naquele chepéu de chuva mínimo e com o qual faz promessas de protecção eterna.
Na rádio a música chora uma melodia sofrida de quem diz que mesmo que ela se entregue ao desespero, ele lá estará para não a deixar cair. As imagens desenham-se no meu pensamento, e flutuo para o meu desejo de também eu sentir esse aconchego, de também eu ser puxada da chuva por uma mão protectora, de também eu sentir um beijo que lentamente escorrega por entre os cabelos para se depositar no quente do pescoço.
Esse dia virá certamente. Esses dias aconteceram em tempos, e eu gosto de os recordar. Gosto de recordar que um dia senti o que os apaixonados sentem, e que novamente isso vai acontecer. Estou pronta.
Nenhum blog com novidades, nenhuma conversa a desvendar desejos, e eu também meio adormecida.
Volta meia volta o pensamento voa para o carinho que não tenho, o abraço que não chega, ou o beijo suave que não sinto.
O meu olhar perde-se em sons de silêncio enquanto observa um rapaz que agarra a namorada pela cintura e a chega para si, abrigando-na naquele chepéu de chuva mínimo e com o qual faz promessas de protecção eterna.
Na rádio a música chora uma melodia sofrida de quem diz que mesmo que ela se entregue ao desespero, ele lá estará para não a deixar cair. As imagens desenham-se no meu pensamento, e flutuo para o meu desejo de também eu sentir esse aconchego, de também eu ser puxada da chuva por uma mão protectora, de também eu sentir um beijo que lentamente escorrega por entre os cabelos para se depositar no quente do pescoço.
Esse dia virá certamente. Esses dias aconteceram em tempos, e eu gosto de os recordar. Gosto de recordar que um dia senti o que os apaixonados sentem, e que novamente isso vai acontecer. Estou pronta.
segunda-feira, outubro 12, 2009
terça-feira, outubro 06, 2009
cheia delas...
palavras cobrem-me a alma...
escondidas, expostas, simples e complexas...
remoínham e entrelaçam-se como num novelo de lã...
estou cheia delas...
vou juntá-las e organizá-las na direcção que segue a água do meu rio
e esperar que o percurso do rio as leve a um mar onde os sentidos façam sentido.
escondidas, expostas, simples e complexas...
remoínham e entrelaçam-se como num novelo de lã...
estou cheia delas...
vou juntá-las e organizá-las na direcção que segue a água do meu rio
e esperar que o percurso do rio as leve a um mar onde os sentidos façam sentido.
terça-feira, setembro 01, 2009
Sempre-em-pé, Pinhão e Palhaço
O meu coração tem pedaços...são pedaços
Compõe-se de tudo e de nada
Como um conjunto de gomas de vários formatos e feitios que se colaram entre elas à custa do açucar que as reveste
São gomas agri-doce, ou apenas ácidas, algumas tão doces como o leite condençado...
Todas têm um nome, todas tem uma característica que as torna únicas, mas todas me completam, me complementam...cada uma com um sabor, com um odor, um som e uma textura exacta.
Cada uma á sua maneira, cada uma com o seu cheiro, a sua cor, o seu sabor.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequenas, de formatos distintos, que me perturbam...
Uma sabe à lembrança, tem um aroma doce mas indestinto, soa-me a um bater de asas de colibri, constante e frágil...dei-lhe o nome de Sempre-em-pé, por ser redonda.
Outra sabe a café, tem um aroma cativante, mas que normalmente não me agrada. Tal como o café, preciso sempre de um pouco do sabor do leite para que me agrade o seu sabor, mas de tão enebriante como o cheiro do café acabado de moer não consigo deixá-la de parte...soa-me aos ramos de um pinheiro enorme que se agita nos ventos de uma tempestade, que me deixa os nervos em franja, e os pêlos eriçados...dei-lhe o nome de Pinhão, por ser difícil de descascar.
A última goma de que falei sabe a aventura, tem o aroma distante da terra molhada, onde apetece rebolar e adormecer, soam-me ao crepitar dos ramos na floresta, ora aqui, ora ali, uma curiosidade fulminante, uma atracção constante...dei-lhe o nome de Palhaço, por ter cores alegres que me fazem sorrir e sonhar.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequeninas, de formatos distintos, que me perturbam...ontem descobri que a Sempre-em-pé me enternece e entristece, que o Pinhão me confunde, anima e dá luta, e que o Palhaço me excita e me dá a certeza de que nenhuma destas gomas poderá um dia ser saboreada por mim...porque afinal compõem o meu coração, mas não me preenchem a alma...
Compõe-se de tudo e de nada
Como um conjunto de gomas de vários formatos e feitios que se colaram entre elas à custa do açucar que as reveste
São gomas agri-doce, ou apenas ácidas, algumas tão doces como o leite condençado...
Todas têm um nome, todas tem uma característica que as torna únicas, mas todas me completam, me complementam...cada uma com um sabor, com um odor, um som e uma textura exacta.
Cada uma á sua maneira, cada uma com o seu cheiro, a sua cor, o seu sabor.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequenas, de formatos distintos, que me perturbam...
Uma sabe à lembrança, tem um aroma doce mas indestinto, soa-me a um bater de asas de colibri, constante e frágil...dei-lhe o nome de Sempre-em-pé, por ser redonda.
Outra sabe a café, tem um aroma cativante, mas que normalmente não me agrada. Tal como o café, preciso sempre de um pouco do sabor do leite para que me agrade o seu sabor, mas de tão enebriante como o cheiro do café acabado de moer não consigo deixá-la de parte...soa-me aos ramos de um pinheiro enorme que se agita nos ventos de uma tempestade, que me deixa os nervos em franja, e os pêlos eriçados...dei-lhe o nome de Pinhão, por ser difícil de descascar.
A última goma de que falei sabe a aventura, tem o aroma distante da terra molhada, onde apetece rebolar e adormecer, soam-me ao crepitar dos ramos na floresta, ora aqui, ora ali, uma curiosidade fulminante, uma atracção constante...dei-lhe o nome de Palhaço, por ter cores alegres que me fazem sorrir e sonhar.
Ontem descobri que tenho 3 gominhas, pequeninas, de formatos distintos, que me perturbam...ontem descobri que a Sempre-em-pé me enternece e entristece, que o Pinhão me confunde, anima e dá luta, e que o Palhaço me excita e me dá a certeza de que nenhuma destas gomas poderá um dia ser saboreada por mim...porque afinal compõem o meu coração, mas não me preenchem a alma...
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