Há pessoas que transportam uma carga com elas, como se fôsse um saco que transportam às costas... Na verdade, acho que todos nós o transportamos.
Uns com sacos maiores, outros mais pequenos, mais vazios, mirrados...Mas há aqueles que têm sacos enormes, uns pesados, outros leves mas inchados, e outros, como o da minha amiga, é enorme, de tal maneira que o seu peso se faz sentir nos outros, e todos são afectados por ele...Não é uma carga má, pelo contrário, está cheio de energia positiva, tanta, tanta, que transborda, e de tal maneira que cai no saco dos outros, enchendo-o também um pouco...e isso não deixa de ser lindo...
Eu gosto da carga dela, tráz-me alegria, mas ao mesmo tempo é tanta que me impede de sentir, de ter vontade de transmitir ou até de interagir...fico só a escutar...e é bom escutar, porque é tudo lindo...mas isso faz-me esquecer a beleza que eu também transporto na minha carga, faz-me querer fechar o meu saco para que as histórias dela não se misturem com as minhas, para conservar o que fui recolhendo do mundo...e até já me apercebi que a força de tudo o que ela transporta abafa o som que as minhas palavras possam produzir, torna-as apenas mais umas iguais a tantas outras silenciosas ao seu redor...
...Eu até quero partilhar o que ele trás, quero que o vejam, mas não o consigo fazer se o peso do saco dela fechar a abertura do meu...
terça-feira, agosto 17, 2010
quinta-feira, agosto 05, 2010
Jantarada
Quando cheguei já ela ia a meio da garrafa de vinho tinto que tinha comprado no pingo doce...
- Caramba, já vais assim?
- Epá não digas nada...hoje é dia de festa..
- De festa? Então e o que festejamos nós?
- A morte do artista!
- Realmente ai está um bom motivo para festejar... e é só com vinho que se festeja nesta casa?
- Não..ia-te fazer um souflé, mas não tenho farinha...ás vezes o problema de falta de ingredientes pode ser um grande impedimento para uma receita perfeita!
- E porquê que não me pediste?
- Tentei...mas sabes quando ligas e chegas à conclusão, antes mesmo do outro atender, que não vale a pena?
- Sim, já me aconteceu, mas acho que vale sempre a pena tentar, afinal, não sabes se a outra pesso ainda te pode conseguir ajudar...
- É verdade...mas achei que não valia a pena...preferi seguir a festa com o que tinha e tentar fazer disso o nosso petisco!! Não ficará fantástico, na verdade nem te sei dizer se estará bom, pois não experimentei...
- Não te preocupes, como dizem, o que vale é a intenção!!
- Humm...não sei se me convences...isso é tudo muito giro em teoria, mas na verdade as coisas não funcionam assim...
- Epá não digas isso...mesmo que eu achásse que o souflé seria mil vezes melhor do que o que preparaste eu vou sempre ficar contente com o que conseguiste fazer só para me receber aqui!
- Ya, mas sabes quando sabes que podias ter algo melhor, que podias fazer algo melhor e no final apenas tens algo igual ao que te oferecem todas as outras pessoas?
- Sim, é verdade, tudo o que é demais enjoa, mas por outro lado o que é dado de bom grado...bolas, tem muito valor!!...é como quando alguém só diz a verdade...sabes quando ás vezes uma mentira simpática sabe bem ouvir, mas tu na verdade preferias era a verdade apesar de doer?
- Humm...sei onde queres chegar, mas sabes, tenho a sensação de que a verdade faz doer tanto como a descoberta dessa mentira piedosa, mas como é a verdade toda a gente acha que é melhor, mesmo que doa...a minha pergunta é: Será que eu prefiro sentir a dor todas as vezes que oiço a verdade, e que sei que não estou a ser enganada e agradeço por isso e aceito a dor que sinto todas as vezes que oiço a verdade ou preferirei eu ser enganda com mentiras piedosas até ao momento em que de uma vez só sei que tudo era mentira e que a realidade é outra? Não sei se prefiro saber a verdade todos os dias, em todos os momentos, se sabê-la toda de uma vez, no dia em que fizer sentido sabê-la!
- Epá...mas isso vai fazer com que um dia aches que viveste sempre uma ilusão...eu cá prefiro a verdade...custa, mas pelo menos sabes sempre com o que contas, não te iludes, não te magoas...
- Como não te magoas!?!? Magoas-te à mesma, mas aos bocadinhos, até ao dia em que te cansas ou em que aceitas e vives sempre com aquela amargura de que não tiveste nem um momento de ilusão na tua vida, em que não tiveste um dia em que tenhas sentido que tiveste a realidade que querias, mesmo que um dia venhas a saber que não foi verdade...até porque, se pensares bem, as pessoas têm sempre dificuldade em aceitar a realidade...se um dia me dissésses que tudo não tinha passado de uma mentira piedosa eu iria sempre achar que no fundo, no fundo algo de verdade aquela mentira devia ter, nem que fôsse pelo facto de me teres poupado por gostares um bocadinho que fôsse de mim...
- Sim, mas por gostar de ti é que te digo a verdade todo o tempo, mesmo que doa...
- Preferes ver a minhas lágrimas de desgosto dia-a-dia do que apenas uma vez uma tempestade de choro e dor...
-Sim...prefiro, porque as tuas lágrimas um dia irão secar, ou então tu vais perceber o que queres...se é ficar com esta verdade ou ir à tua vida...
- Isso é verdade...na ilusão acharás sempre que estás bem e não tens de mudar...
- Ora pois!!
- Humm...bem, então se calhar o melhor é não te iludir e avisar desde já que o jantar não é nada de especial...
- Na boa...de qualquer maneira acabaria por descobrir...
- Caramba, já vais assim?
- Epá não digas nada...hoje é dia de festa..
- De festa? Então e o que festejamos nós?
- A morte do artista!
- Realmente ai está um bom motivo para festejar... e é só com vinho que se festeja nesta casa?
- Não..ia-te fazer um souflé, mas não tenho farinha...ás vezes o problema de falta de ingredientes pode ser um grande impedimento para uma receita perfeita!
- E porquê que não me pediste?
- Tentei...mas sabes quando ligas e chegas à conclusão, antes mesmo do outro atender, que não vale a pena?
- Sim, já me aconteceu, mas acho que vale sempre a pena tentar, afinal, não sabes se a outra pesso ainda te pode conseguir ajudar...
- É verdade...mas achei que não valia a pena...preferi seguir a festa com o que tinha e tentar fazer disso o nosso petisco!! Não ficará fantástico, na verdade nem te sei dizer se estará bom, pois não experimentei...
- Não te preocupes, como dizem, o que vale é a intenção!!
- Humm...não sei se me convences...isso é tudo muito giro em teoria, mas na verdade as coisas não funcionam assim...
- Epá não digas isso...mesmo que eu achásse que o souflé seria mil vezes melhor do que o que preparaste eu vou sempre ficar contente com o que conseguiste fazer só para me receber aqui!
- Ya, mas sabes quando sabes que podias ter algo melhor, que podias fazer algo melhor e no final apenas tens algo igual ao que te oferecem todas as outras pessoas?
- Sim, é verdade, tudo o que é demais enjoa, mas por outro lado o que é dado de bom grado...bolas, tem muito valor!!...é como quando alguém só diz a verdade...sabes quando ás vezes uma mentira simpática sabe bem ouvir, mas tu na verdade preferias era a verdade apesar de doer?
- Humm...sei onde queres chegar, mas sabes, tenho a sensação de que a verdade faz doer tanto como a descoberta dessa mentira piedosa, mas como é a verdade toda a gente acha que é melhor, mesmo que doa...a minha pergunta é: Será que eu prefiro sentir a dor todas as vezes que oiço a verdade, e que sei que não estou a ser enganada e agradeço por isso e aceito a dor que sinto todas as vezes que oiço a verdade ou preferirei eu ser enganda com mentiras piedosas até ao momento em que de uma vez só sei que tudo era mentira e que a realidade é outra? Não sei se prefiro saber a verdade todos os dias, em todos os momentos, se sabê-la toda de uma vez, no dia em que fizer sentido sabê-la!
- Epá...mas isso vai fazer com que um dia aches que viveste sempre uma ilusão...eu cá prefiro a verdade...custa, mas pelo menos sabes sempre com o que contas, não te iludes, não te magoas...
- Como não te magoas!?!? Magoas-te à mesma, mas aos bocadinhos, até ao dia em que te cansas ou em que aceitas e vives sempre com aquela amargura de que não tiveste nem um momento de ilusão na tua vida, em que não tiveste um dia em que tenhas sentido que tiveste a realidade que querias, mesmo que um dia venhas a saber que não foi verdade...até porque, se pensares bem, as pessoas têm sempre dificuldade em aceitar a realidade...se um dia me dissésses que tudo não tinha passado de uma mentira piedosa eu iria sempre achar que no fundo, no fundo algo de verdade aquela mentira devia ter, nem que fôsse pelo facto de me teres poupado por gostares um bocadinho que fôsse de mim...
- Sim, mas por gostar de ti é que te digo a verdade todo o tempo, mesmo que doa...
- Preferes ver a minhas lágrimas de desgosto dia-a-dia do que apenas uma vez uma tempestade de choro e dor...
-Sim...prefiro, porque as tuas lágrimas um dia irão secar, ou então tu vais perceber o que queres...se é ficar com esta verdade ou ir à tua vida...
- Isso é verdade...na ilusão acharás sempre que estás bem e não tens de mudar...
- Ora pois!!
- Humm...bem, então se calhar o melhor é não te iludir e avisar desde já que o jantar não é nada de especial...
- Na boa...de qualquer maneira acabaria por descobrir...
La estraña pareja
Eran conocidos en las calles del barrio,
conocidos en todos los bares y tabernas.
Él tan serio, tan alto, tan pálido y delgado,
ella morena y frágil, tan graciosa y pequeña.
Él rondaba, más o menos, los cincuenta,
y ella debía tener no más de veinticuatro.
Él daba clases, creo, en alguna academia,
y ella estudiaba, creo, un curso de italiano.
Bebían y se amaban, o eso parecía,
discutían a veces, a veces sonreían,
se besaban y odiaban, pero nadie es perfecto,
el amor es difícil y extraño en estos tiempos.
La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.
Él entró una noche en el bar de costumbre,
iba vestido todo de riguroso luto,
venía borracho y solo, traía el gesto serio,
y en las manos una corona de difuntos.
Ella le había dejado, nos explicó sereno,
y había decidido considerarla muerta,
y brindar por su olvido y su descanso eterno,
y celebrar su entierro de taberna en taberna.
Así que allá nos fuimos, y para qué contaros:
vasos, vinos y risas, alguna vomitona,
abrazos de amistad, eterna aquella noche.
Requiescat y brindemos por ella y su memoria.
La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.
Al salir de El Almendro ya iba muy borracho,
se cayó en el asfalto y me incliné a su lado.
Supe que estaba muriéndose de golpe,
dijo algo en mi oído, se deshizo en mis brazos.
Se lo llevó la ambulancia con su corona y todo,
y yo me fui a cumplir con su encargo maldito.
Llegué hasta el bar que él me había indicado
y busqué a la muchacha entre el humo y el ruido.
Por fin la vi, bailaba muy despacio,
refugiada en el cálido pecho de un muchacho.
Le conté, me escuchó, se abrazó a su pareja.
Yo no sé si lloró, no se veía apenas.
La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.
By Ismael Serrano
conocidos en todos los bares y tabernas.
Él tan serio, tan alto, tan pálido y delgado,
ella morena y frágil, tan graciosa y pequeña.
Él rondaba, más o menos, los cincuenta,
y ella debía tener no más de veinticuatro.
Él daba clases, creo, en alguna academia,
y ella estudiaba, creo, un curso de italiano.
Bebían y se amaban, o eso parecía,
discutían a veces, a veces sonreían,
se besaban y odiaban, pero nadie es perfecto,
el amor es difícil y extraño en estos tiempos.
La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.
Él entró una noche en el bar de costumbre,
iba vestido todo de riguroso luto,
venía borracho y solo, traía el gesto serio,
y en las manos una corona de difuntos.
Ella le había dejado, nos explicó sereno,
y había decidido considerarla muerta,
y brindar por su olvido y su descanso eterno,
y celebrar su entierro de taberna en taberna.
Así que allá nos fuimos, y para qué contaros:
vasos, vinos y risas, alguna vomitona,
abrazos de amistad, eterna aquella noche.
Requiescat y brindemos por ella y su memoria.
La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.
Al salir de El Almendro ya iba muy borracho,
se cayó en el asfalto y me incliné a su lado.
Supe que estaba muriéndose de golpe,
dijo algo en mi oído, se deshizo en mis brazos.
Se lo llevó la ambulancia con su corona y todo,
y yo me fui a cumplir con su encargo maldito.
Llegué hasta el bar que él me había indicado
y busqué a la muchacha entre el humo y el ruido.
Por fin la vi, bailaba muy despacio,
refugiada en el cálido pecho de un muchacho.
Le conté, me escuchó, se abrazó a su pareja.
Yo no sé si lloró, no se veía apenas.
La noche debilita los corazones,
noches de funeral, de vino y rosas.
Brindemos por el amor y sus fracasos,
quizás podamos escoger nuestra derrota.
El sol limpia las calles, la memoria,
feroces pasiones atenúa.
Invéntate el final de cada historia,
que el amor es eterno mientras dura.
By Ismael Serrano
segunda-feira, agosto 02, 2010
quarta-feira, julho 28, 2010
Há que a proveitar!! :D
E é assim que se cai nos contos e nas histórias...
Acreditamos no que achamos que vemos à frente...acreditamos em nós, nos outros e acima de tudo acreditamos que o que achamos que sabemos é a verdade!!!
Desenganem-se meus amigos.
Hoje concluí que os muros que construí são o que realmente me protege, e que as ilusões e sonhos e histõrias que sempre gostei de criar são na verdade a realidade que prefiro ver...prefiro acreditar que o que acho que sei é verdade...
...Prefiro sem dúvida acreditar que tudo vale a pena... e que apesar de enganados, somos todos mais felizes assim.
...Um dia, quem sabe a verdade que não quisémos realmente ver, bate-nos como uma chapada dada a mão fechada e bem firme, daquelas secas, que ficam a latejar e nos fazem sentir a mão marcada durante o tempo todo que a nossa dor durar....
...Um dia quem sabe olharei para ti e sem rancor vou-te dizer...Eu já sabia, estava só a aproveitar enquanto dava!
Acreditamos no que achamos que vemos à frente...acreditamos em nós, nos outros e acima de tudo acreditamos que o que achamos que sabemos é a verdade!!!
Desenganem-se meus amigos.
Hoje concluí que os muros que construí são o que realmente me protege, e que as ilusões e sonhos e histõrias que sempre gostei de criar são na verdade a realidade que prefiro ver...prefiro acreditar que o que acho que sei é verdade...
...Prefiro sem dúvida acreditar que tudo vale a pena... e que apesar de enganados, somos todos mais felizes assim.
...Um dia, quem sabe a verdade que não quisémos realmente ver, bate-nos como uma chapada dada a mão fechada e bem firme, daquelas secas, que ficam a latejar e nos fazem sentir a mão marcada durante o tempo todo que a nossa dor durar....
...Um dia quem sabe olharei para ti e sem rancor vou-te dizer...Eu já sabia, estava só a aproveitar enquanto dava!
quarta-feira, julho 21, 2010
O que somos...
Ontem vi um filme...e hoje acordei com aquilo a martelar-me na cabeça...e aquilo...bem...aquilo é segredo..porque há segredos que não se contam a ninguém...há segredos que ninguém quer dizer, segredos que o destino traz até nós durante algum momento da nossa vida, sabe-se lá porque caminhos e com que razões, mas que estão lá, e nem mesmo a pessoa mais próxima e nós, ou por quem temos mais afeição, ou que tudo sabe de nós sabe realmente tudo...
Há segredos que nos guardam e segredos que guardamos para nós e para o mundo...
Quanto mais vivo, mais descubro que não sei nada...quanto mais descubro que não sei nada, mais me sinto pequena, um instrumento nas mãos do mundo, das correntes do vento, e tudo o que tenho como adquirido na verdade não existe...
E na verdade existe tudo, e é mais real do que supomos, e tudo o que está por trás, tudo o que não se diz, está lá, mesmo que não se saiba, e tudo o que está la faz parte de nós, de quem somos e do modo como vivemos as nossas vidas...não esquecemos nada, embora queiramos esquece-lo, ou que se esqueçam os outros...
Está tudo lá...dizendo ou não, sabendo ou não, o que foi feito não se desfaz e o que somos vem disso também.
Há segredos que nos guardam e segredos que guardamos para nós e para o mundo...
Quanto mais vivo, mais descubro que não sei nada...quanto mais descubro que não sei nada, mais me sinto pequena, um instrumento nas mãos do mundo, das correntes do vento, e tudo o que tenho como adquirido na verdade não existe...
E na verdade existe tudo, e é mais real do que supomos, e tudo o que está por trás, tudo o que não se diz, está lá, mesmo que não se saiba, e tudo o que está la faz parte de nós, de quem somos e do modo como vivemos as nossas vidas...não esquecemos nada, embora queiramos esquece-lo, ou que se esqueçam os outros...
Está tudo lá...dizendo ou não, sabendo ou não, o que foi feito não se desfaz e o que somos vem disso também.
terça-feira, julho 13, 2010
If I could...
If I could put you in a frame I'd draw you smilling...
with a cigarret in you mouth and you hands reaching out for something...if I could...
If I could wear all your clothes I'd still be different
And if I had your speaking voice I'd never whisper...
...I'd talk and talk and talk...
with a cigarret in you mouth and you hands reaching out for something...if I could...
If I could wear all your clothes I'd still be different
And if I had your speaking voice I'd never whisper...
...I'd talk and talk and talk...
domingo, maio 16, 2010
Cega, surda e muda
Nem sempre nos controlamos...
Nem sempre somos senhores de nos...e quando menos se espera, ainda menos somos senhores dos nossos sentidos ou das nossas vontades.
O que somos nem sempre deixamos ver, e o que sentimos nem sempre o vëm. Nem sempre somos capazes de dizer o que queremos, de despejar o nosso Ser, ou de nos fazermos sequer ouvir...
As vezes sinto-me cega, surda, e muda... outras vezes, secretamente, prefiro së-lo e esquecer as responsabilidades, as pessoas, as coisas ou mesmo o que me leva a ser como sou ou a fazer todas as coisas que faco e fiz e farei na minha vida...
As vezes prefiro nao ver, nao ouvir, nao querer e nem sequer sentir...
Tenho direito a isso???... ou nao?!?!?
Nem sempre somos senhores de nos...e quando menos se espera, ainda menos somos senhores dos nossos sentidos ou das nossas vontades.
O que somos nem sempre deixamos ver, e o que sentimos nem sempre o vëm. Nem sempre somos capazes de dizer o que queremos, de despejar o nosso Ser, ou de nos fazermos sequer ouvir...
As vezes sinto-me cega, surda, e muda... outras vezes, secretamente, prefiro së-lo e esquecer as responsabilidades, as pessoas, as coisas ou mesmo o que me leva a ser como sou ou a fazer todas as coisas que faco e fiz e farei na minha vida...
As vezes prefiro nao ver, nao ouvir, nao querer e nem sequer sentir...
Tenho direito a isso???... ou nao?!?!?
quarta-feira, abril 14, 2010
Mais uma música escrita no Céu...
segunda-feira, abril 12, 2010
No remoínho do tempo
O tempo dá-me medo...
Dá-me medo a forma como apaga as memórias, como arrefece as emoçöes e esquece os desejos...
O tempo tem o poder de apaziguar a dor, acalmar os pensamentos, consolidar as vontades...mas tempo demais pode ser o nosso maior obstáculo.
Os meses passam, as semanas, os dias e a cada hora, a cada segundo vamos mudando, e o rumo que tomamos pode ou näo ir de encontro ao que em tempos ansiámos.
Ás vezes gostava de ter a receita para parar o tempo...para viver aquele momento de felicidade por mais tempo, aumentar o tempo de exposiçäo de um sorriso, manter na pele aquela sensaçäo de prazer que um beijo nos dá...
Mas depois corríamos o risco de também ser possível ficarmos presos em momentos de dor, de prolongarmos a agonia de uma perda, ou relembrarmos eternamente o que preferimos por vezes esquecer...
Tenho medo, e sempre tive, de deixar escapar o que me parece certo, de perder o momento em que devia agir e isso tornou-me no que sou...
Hoje faço o exercício inverso, o de aceitar o ritmo das coisas, e de näo recear que o depois seja tarde demais, embora isso me passe tantas e tantas vezes pela cabeça, e talvez por isso me refugie no exercício de reavivar memórias, de escrever muito mais, de ouvir tantas vezes aquela música que afinal acaba por fazer parte do meu dia-a-dia e näo do meu passado ou do momento que quis recordar e que passou com o tempo..
Dou por mim cada vez mais enrolada no tempo, no de hoje, no de ontem e no do amanhä...porque te guardo na memória...e nas músicas que oiço...e nas paisagens que vejo e onde te encontro...
Dá-me medo a forma como apaga as memórias, como arrefece as emoçöes e esquece os desejos...
O tempo tem o poder de apaziguar a dor, acalmar os pensamentos, consolidar as vontades...mas tempo demais pode ser o nosso maior obstáculo.
Os meses passam, as semanas, os dias e a cada hora, a cada segundo vamos mudando, e o rumo que tomamos pode ou näo ir de encontro ao que em tempos ansiámos.
Ás vezes gostava de ter a receita para parar o tempo...para viver aquele momento de felicidade por mais tempo, aumentar o tempo de exposiçäo de um sorriso, manter na pele aquela sensaçäo de prazer que um beijo nos dá...
Mas depois corríamos o risco de também ser possível ficarmos presos em momentos de dor, de prolongarmos a agonia de uma perda, ou relembrarmos eternamente o que preferimos por vezes esquecer...
Tenho medo, e sempre tive, de deixar escapar o que me parece certo, de perder o momento em que devia agir e isso tornou-me no que sou...
Hoje faço o exercício inverso, o de aceitar o ritmo das coisas, e de näo recear que o depois seja tarde demais, embora isso me passe tantas e tantas vezes pela cabeça, e talvez por isso me refugie no exercício de reavivar memórias, de escrever muito mais, de ouvir tantas vezes aquela música que afinal acaba por fazer parte do meu dia-a-dia e näo do meu passado ou do momento que quis recordar e que passou com o tempo..
Dou por mim cada vez mais enrolada no tempo, no de hoje, no de ontem e no do amanhä...porque te guardo na memória...e nas músicas que oiço...e nas paisagens que vejo e onde te encontro...
sexta-feira, março 26, 2010
palavras...
tanto tanto que escrever...
tanto tanto que dizer...
tanto tanto a sentir...
e tao pouco tempo para o poder fazer, para o absorver, para o transmitir...
sobra-me apenas a vontade de o fazer e o desejo de que mesmo longe e baixinho, que alguém possa ouvir as palavras que murmuro ao vento...
tanto tanto que dizer...
tanto tanto a sentir...
e tao pouco tempo para o poder fazer, para o absorver, para o transmitir...
sobra-me apenas a vontade de o fazer e o desejo de que mesmo longe e baixinho, que alguém possa ouvir as palavras que murmuro ao vento...
terça-feira, março 02, 2010
love and some verses
Love is a dress that you made
long to hide your knees
love to say this to your face,
"I'll love you only"
for your days and excitement,
what will you keep for to wear?
someday drawing you different,
may I be weaved in your hair?
Love and some verses you hear
say what you can't say
love to say this in your ear,
"I'll love you that way"
from your changing contentments,
what will you choose for to share?
someday drawing you different,
may I be weaved in your hair?
long to hide your knees
love to say this to your face,
"I'll love you only"
for your days and excitement,
what will you keep for to wear?
someday drawing you different,
may I be weaved in your hair?
Love and some verses you hear
say what you can't say
love to say this in your ear,
"I'll love you that way"
from your changing contentments,
what will you choose for to share?
someday drawing you different,
may I be weaved in your hair?
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
Patas arriba
Naquele dia ela acordou triste...mal os primeiros raios de sol lhe tocaram o rosto deixou de conseguir manter os olhos fechados, ao contrário dos dias anteriores, em que se deixava ficar na cama meio dormente de cansaço e sono.
Nessa manha uma tristeza a sufocava apesar de ter ido para a cama em paz, apesar de ter feito amor com ele como nunca antes tinha feito e de lhe ter esvaziado os seus receios...talvez por isso tenha acordado triste, talvez por isso as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que pertenciam aos dois, esta manha lhe traziam nao o amor, nao a alegria, mas sim a saudade...
Levantou-se e seguiu para a casa de banho, onde começou mecânicamente a tratar de si, e só já dentro da banheira é que se apercebeu que estava escuro, e que apenas a luz que entrava pela janela iluminava o espaço. Estranhou...pensou que a lâmpada se tivésse fundido e que tinha a certeza que estava acesa quando estava a lavar os dentes...
Mesmo assim, na luz ténue, ligou a água e deixou-se lavar pelo seu quente...foi nesse momento que percebeu o nó que tinha na garganta, e que lhe apertava a alma...sentiu a solidao...sentiu-se vazia, perdida...
Quando saiu do banho tentou ligar a luz, e esta acendeu e aí apercebeu-se de que tinha sido ela que a tinha apagado enquanto estava inundada pela sua estranha melancolia...e perguntou-se como foi possivel nao se dar conta dos seus gestos...
Ao longo do dia vários foram os amigos que lhe perguntaram porque estava tao triste?
Tentou por varias vezes esconder a sombra que carregava no rosto com um sorriso mal cosido nos lábios...
Ao fim do dia, já no regresso a casa é que se apercebeu do que estava a fazer a si mesma, e de como nao se podia dar ao luxo de cair na tristeza...só ao fim do dia e sem motivo aparente, sem que ninguém tivésse acendido o botao da sua consciencia é que percebeu as palavras dele, e do quadro que tinha tido durante toda uma semana à sua frente e cuja frase lhe estava sempre na memória sem que verdadeiramente se tivésse deixado influenciar pelo seu significado.
Só aí é que percebeu que o passado feliz nao se pode tornar num presente infeliz, por ter passado...mas sim na certeza de que tocamos a felicidade muitas vezes e que essa felicidade está gravada em nós e nao se pode transformar em tristeza, em solidao, ou em saudade, mas sim na força que nos faz sorrir por a termos vivido e sentido, e por nos fazer sorrir cada vez que a recordamos e que temos consciencia de que está guardada em nós!
...E entao finalmente o nó que tinha a prender-lhe a alma se soltou, e finalmente sorriu com vontade enquanto olhava a rua e as pessoas que passavam...só ai compreendeu melhor a sorte de ter vivido o passado e de o poder continuar a levar consigo no presente, e sentiu vontade de sorrir...e as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que esta manha lhe trouxeram saudade, voltaram a trazer-lhe o seu amor, e a alegria de o ter sempre consigo.
"As veces se me ocurre que la tristeza no es mas que la alegria patas arriba"
Nessa manha uma tristeza a sufocava apesar de ter ido para a cama em paz, apesar de ter feito amor com ele como nunca antes tinha feito e de lhe ter esvaziado os seus receios...talvez por isso tenha acordado triste, talvez por isso as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que pertenciam aos dois, esta manha lhe traziam nao o amor, nao a alegria, mas sim a saudade...
Levantou-se e seguiu para a casa de banho, onde começou mecânicamente a tratar de si, e só já dentro da banheira é que se apercebeu que estava escuro, e que apenas a luz que entrava pela janela iluminava o espaço. Estranhou...pensou que a lâmpada se tivésse fundido e que tinha a certeza que estava acesa quando estava a lavar os dentes...
Mesmo assim, na luz ténue, ligou a água e deixou-se lavar pelo seu quente...foi nesse momento que percebeu o nó que tinha na garganta, e que lhe apertava a alma...sentiu a solidao...sentiu-se vazia, perdida...
Quando saiu do banho tentou ligar a luz, e esta acendeu e aí apercebeu-se de que tinha sido ela que a tinha apagado enquanto estava inundada pela sua estranha melancolia...e perguntou-se como foi possivel nao se dar conta dos seus gestos...
Ao longo do dia vários foram os amigos que lhe perguntaram porque estava tao triste?
Tentou por varias vezes esconder a sombra que carregava no rosto com um sorriso mal cosido nos lábios...
Ao fim do dia, já no regresso a casa é que se apercebeu do que estava a fazer a si mesma, e de como nao se podia dar ao luxo de cair na tristeza...só ao fim do dia e sem motivo aparente, sem que ninguém tivésse acendido o botao da sua consciencia é que percebeu as palavras dele, e do quadro que tinha tido durante toda uma semana à sua frente e cuja frase lhe estava sempre na memória sem que verdadeiramente se tivésse deixado influenciar pelo seu significado.
Só aí é que percebeu que o passado feliz nao se pode tornar num presente infeliz, por ter passado...mas sim na certeza de que tocamos a felicidade muitas vezes e que essa felicidade está gravada em nós e nao se pode transformar em tristeza, em solidao, ou em saudade, mas sim na força que nos faz sorrir por a termos vivido e sentido, e por nos fazer sorrir cada vez que a recordamos e que temos consciencia de que está guardada em nós!
...E entao finalmente o nó que tinha a prender-lhe a alma se soltou, e finalmente sorriu com vontade enquanto olhava a rua e as pessoas que passavam...só ai compreendeu melhor a sorte de ter vivido o passado e de o poder continuar a levar consigo no presente, e sentiu vontade de sorrir...e as músicas que a tinham ajudado a adormecer e que esta manha lhe trouxeram saudade, voltaram a trazer-lhe o seu amor, e a alegria de o ter sempre consigo.
"As veces se me ocurre que la tristeza no es mas que la alegria patas arriba"
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
...
As vezes ha palavras que preferimos calar dentro de nos para que nao se tornem realidade.
Sabemos perfeitamente que nao ha como escapar as consequencias das nossas escolhas.
Eu tenho sempre a sensacao de que dizer as coisas e meio caminho andado para as tornar realidade...dizer: Eu Vou!....ou Eu posso!...ou mesmo Eu consigo! e meio caminho andado para conseguirmos efectivamente realizar a nossa vontade...mas desta vez prefiro calar-me e nao dizer o que sei...na esperanca de que nao acabe e se estique ate ao dia em que talvez o possa reaproveitar, como ate a bem pouco tempo o fiz...
neste momento quase lamento a minha escolha...quase quero deitar tudo p o ar...quase...quase...
...que belas brincadeiras o destino nos prega...
Sabemos perfeitamente que nao ha como escapar as consequencias das nossas escolhas.
Eu tenho sempre a sensacao de que dizer as coisas e meio caminho andado para as tornar realidade...dizer: Eu Vou!....ou Eu posso!...ou mesmo Eu consigo! e meio caminho andado para conseguirmos efectivamente realizar a nossa vontade...mas desta vez prefiro calar-me e nao dizer o que sei...na esperanca de que nao acabe e se estique ate ao dia em que talvez o possa reaproveitar, como ate a bem pouco tempo o fiz...
neste momento quase lamento a minha escolha...quase quero deitar tudo p o ar...quase...quase...
...que belas brincadeiras o destino nos prega...
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Bagagem
A vida é feita de muita coisa...mas a principal coisa que retiramos dela, são as nossas experiências, e as pessoas que nos tocaram e nos modificaram.
Gosto de olhar p trás e ver que fui feliz, que sou feliz, que a história que escrevi até agora me agrada e que acima de tudo trago do meu passado muita coisa boa para o presente e para o futuro...muita coisa que me tornou no que sou...
As despedidas nunca me afectaram muito...sempre me afastei sem olhar uma vez sequer p trás, porque sempre achei que para a frente é que está o meu caminho, e o que ficou para trás não é para largar tristemente, mas para guardar e levar connosco para todo o lado. Não sou saudosista, nem gosto de me agarrar ao que já foi, mas gosto de guardar as coisas e saber que cada uma guarda uma história, uma pessoa, uma memória...talvez por isso não consiga deixar de trazer objectos das minhas viagens, em vez de roupa ou grandes adereços...talvez por isso me custe deixá-los à merçê de quem ocupe a minha casa, pois essas pessoas não conhecem as histórias, não ouvem as suas memórias e aquilo que contam sobre vários momentos do meu passado.
Hoje estou de novo em ponto de mudança, daqui a 7h horas estarei no aeroporto com uma mochila que de certeza pesará mais do que deve, mas que terá na história da sua composição, a lembrança das pessoas com quem falei esta noite enquanto a fazia, as lembranças das últimas horas nesta casa que tanto me custou a "construir", mas acima de tudo de tudo o que vivi nestes três anos em Portugal. Foram longos e no entanto tão curtos... dolorosos e no entanto felizes...pesados e afinal tão ligeiros...e agora, com o que estes três anos me ofereceram parto com a bagagem cheia do que sou e do que toda a gente que tive por perto me tornou...Mas tenho de admitir que desta vez parto com dificuldade e despedida afecta-me mais do que imaginei... será velhice?
Seja como fôr, tenho de dizer...
Estou feliz por te ter conhecido, mesmo que por um breve tempo...
Estou feliz por te ter reencontrado, depois de todo este tempo...
Estou feliz por nunca me teres largado, e esperado tanto tempo...
Estou feliz por te ter sempre por perto, e de ter tido tempo para te viver novamente, reconhecer-te na multidão e apertar os laços que nos unem e sempre unirão...
Estou feliz por me teres abraçado, beijado, tocado e sussurrado ao ouvido as palavras doces que precisava de ouvir...
Estou feliz por te ter feito sorrir, por me teres ouvido, por me teres enxugado as lágrimas que não consegui guardar...
Gosto de ti...e levo-te comigo para onde fôr...
Gosto de olhar p trás e ver que fui feliz, que sou feliz, que a história que escrevi até agora me agrada e que acima de tudo trago do meu passado muita coisa boa para o presente e para o futuro...muita coisa que me tornou no que sou...
As despedidas nunca me afectaram muito...sempre me afastei sem olhar uma vez sequer p trás, porque sempre achei que para a frente é que está o meu caminho, e o que ficou para trás não é para largar tristemente, mas para guardar e levar connosco para todo o lado. Não sou saudosista, nem gosto de me agarrar ao que já foi, mas gosto de guardar as coisas e saber que cada uma guarda uma história, uma pessoa, uma memória...talvez por isso não consiga deixar de trazer objectos das minhas viagens, em vez de roupa ou grandes adereços...talvez por isso me custe deixá-los à merçê de quem ocupe a minha casa, pois essas pessoas não conhecem as histórias, não ouvem as suas memórias e aquilo que contam sobre vários momentos do meu passado.
Hoje estou de novo em ponto de mudança, daqui a 7h horas estarei no aeroporto com uma mochila que de certeza pesará mais do que deve, mas que terá na história da sua composição, a lembrança das pessoas com quem falei esta noite enquanto a fazia, as lembranças das últimas horas nesta casa que tanto me custou a "construir", mas acima de tudo de tudo o que vivi nestes três anos em Portugal. Foram longos e no entanto tão curtos... dolorosos e no entanto felizes...pesados e afinal tão ligeiros...e agora, com o que estes três anos me ofereceram parto com a bagagem cheia do que sou e do que toda a gente que tive por perto me tornou...Mas tenho de admitir que desta vez parto com dificuldade e despedida afecta-me mais do que imaginei... será velhice?
Seja como fôr, tenho de dizer...
Estou feliz por te ter conhecido, mesmo que por um breve tempo...
Estou feliz por te ter reencontrado, depois de todo este tempo...
Estou feliz por nunca me teres largado, e esperado tanto tempo...
Estou feliz por te ter sempre por perto, e de ter tido tempo para te viver novamente, reconhecer-te na multidão e apertar os laços que nos unem e sempre unirão...
Estou feliz por me teres abraçado, beijado, tocado e sussurrado ao ouvido as palavras doces que precisava de ouvir...
Estou feliz por te ter feito sorrir, por me teres ouvido, por me teres enxugado as lágrimas que não consegui guardar...
Gosto de ti...e levo-te comigo para onde fôr...
sexta-feira, janeiro 22, 2010
Primeiros Adeus
E é assim...tanto que eu esperei pelo dia em que finalmente iria deixar o trabalho para trás e passar a contar com o tempo todo livre para poder fazer as mil e uma coisas que agora só tenho tempo de fazer a correr...e afinal...são neste momento 22h, e eu ainda estou no atelier...
...a fazer??
...simplesmente a inventar coisas para adiar o momento em que vou fechar aquela porta atrás de mim, depois de desligar o computador e as luzes e dizer pela última vez um "boa noite" ao atelier que faz neste momento 3 anos que me acolheu...
Juro que não pensei que fôsse sentir este vazio...e o pior é imaginar que se aproximam dois dias de fim-de-semana em que vou ter um lanche/jantar de despedida dos meus amigos de faculdade, um jantar de reencontro e despedida com uma colega antiga de trabalho e hoje à noite ainda uma última saída descontraída com amigos vários...tudo festa e diversão, e no entanto cheira-me tudo a melancolia...cheira-me tudo a despedida e eu nunca gostei de despedidas! Mesmo aquelas do "até já"!
...sinto que tenho o coração pequenino...que se fecha um capítulo que gostava de prolongar...e está-me a custar muito mais do que me custou quando saí da holanda, onde estive 2 anos, onde fiz amigos, mas de onde vim com a certeza de que voltava para os braços de pessoas que me faziam falta na altura...e agora parto feliz, sim, mas sem uma imagem de futuro que me guie para além da viagem, e isso, se por um lado é invejável e fantástico, por outro lança dúvidas e incertezas...
Tudo à minha frente é branco, as possibilidades são mais que muitas e a excitação está ao rubro, mas não contava mesmo nada com o peso desta despedida que se alojou no meu cérebro e no meu coração.
Quero muito aproveitar todos os segundos que conseguir dispensar, no meio da correria de tratar dos últimos pormenores, para estar com o maior número possível de pessoas e ao mesmo tempo só me apetece sair daqui e ir-me enfiar directamente em casa debaixo de uma manta, enrolada no sofá, deitar a cabeça nas almofadas e adormecer...preferia que fosse rápida e indolor esta fase, que quando abrisse os olhos já estivésse a caminho do aeroporto a lamentar não ter tido hipótese de me despedir, e no entanto sinto constantemente que não me quero deixar adormecer, quero ligar a todos, falar com todos, estar e fazer tudo o que ainda puder até ao último minuto...
...O Ser Humano é de facto complicado...e eu sou claramente um exemplo disso!!! Viva a liberdade de poder partir á aventura e ser feliz, e viva tudo o mais que essa liberdade nos faz à cabeça...Bem, se conseguir conservar a sanidade depois desta, posso sem dúvida acreditar que sou capaz de tudo!! :D
...a fazer??
...simplesmente a inventar coisas para adiar o momento em que vou fechar aquela porta atrás de mim, depois de desligar o computador e as luzes e dizer pela última vez um "boa noite" ao atelier que faz neste momento 3 anos que me acolheu...
Juro que não pensei que fôsse sentir este vazio...e o pior é imaginar que se aproximam dois dias de fim-de-semana em que vou ter um lanche/jantar de despedida dos meus amigos de faculdade, um jantar de reencontro e despedida com uma colega antiga de trabalho e hoje à noite ainda uma última saída descontraída com amigos vários...tudo festa e diversão, e no entanto cheira-me tudo a melancolia...cheira-me tudo a despedida e eu nunca gostei de despedidas! Mesmo aquelas do "até já"!
...sinto que tenho o coração pequenino...que se fecha um capítulo que gostava de prolongar...e está-me a custar muito mais do que me custou quando saí da holanda, onde estive 2 anos, onde fiz amigos, mas de onde vim com a certeza de que voltava para os braços de pessoas que me faziam falta na altura...e agora parto feliz, sim, mas sem uma imagem de futuro que me guie para além da viagem, e isso, se por um lado é invejável e fantástico, por outro lança dúvidas e incertezas...
Tudo à minha frente é branco, as possibilidades são mais que muitas e a excitação está ao rubro, mas não contava mesmo nada com o peso desta despedida que se alojou no meu cérebro e no meu coração.
Quero muito aproveitar todos os segundos que conseguir dispensar, no meio da correria de tratar dos últimos pormenores, para estar com o maior número possível de pessoas e ao mesmo tempo só me apetece sair daqui e ir-me enfiar directamente em casa debaixo de uma manta, enrolada no sofá, deitar a cabeça nas almofadas e adormecer...preferia que fosse rápida e indolor esta fase, que quando abrisse os olhos já estivésse a caminho do aeroporto a lamentar não ter tido hipótese de me despedir, e no entanto sinto constantemente que não me quero deixar adormecer, quero ligar a todos, falar com todos, estar e fazer tudo o que ainda puder até ao último minuto...
...O Ser Humano é de facto complicado...e eu sou claramente um exemplo disso!!! Viva a liberdade de poder partir á aventura e ser feliz, e viva tudo o mais que essa liberdade nos faz à cabeça...Bem, se conseguir conservar a sanidade depois desta, posso sem dúvida acreditar que sou capaz de tudo!! :D
quinta-feira, janeiro 21, 2010
TTTRRRRRiiiiiiiiiiiiMMMMMMMMMM
Estou na recta final e não me apetece fazer nada...
só descansar e não pensar nos dias que ainda tenho pela frente...
só imaginar que não tenho nada para fazer e ir andando ao sabor da maré e só fazer o que me apetece...
só aproveitar o sol que renasceu...
só ficar em casa a ouvir música...
só não pensar...
só ter os pensamentos parados...
...alguém me cala o despertador que tenho constantemente a tocar na cabeça?!?!
só descansar e não pensar nos dias que ainda tenho pela frente...
só imaginar que não tenho nada para fazer e ir andando ao sabor da maré e só fazer o que me apetece...
só aproveitar o sol que renasceu...
só ficar em casa a ouvir música...
só não pensar...
só ter os pensamentos parados...
...alguém me cala o despertador que tenho constantemente a tocar na cabeça?!?!
quarta-feira, janeiro 20, 2010
mudar de rota!
Por mais que lhe tenha já dito que não posso ir carregada e que o número de peças de roupa que posso levar é limitado, acabo sempre por me ver nas lojas, diante de mil e uma coisas que ela gostaria que eu comprásse, e vezes sem conta me vejo com a preocupação de não saber como lhe dizer que não levo por não querer, mas por achar um desperdício o investimento que quer fazer em mim se depois não posso levar comigo...
Sei perfeitamente que tem gosto em me comprar as coisas que já não tem prazer em comprar para si, mesmo que depois se esqueça e acabe por elogiar as coisas que trazemos sem se aperceber que foi ela mesma que nos deu...A idade não perdoa, e ela transformou-se num daqueles Seres que o tempo deixou marinar para trazer ao de cimo tudo o que de melhor e complicado têm as avós.
Moderníssima, a consultar a caixa de entrada das mensagens do telemóvel para onde a minha irmã garantiu ter enviado a resposta que esperava...é o meu orgulho...matriarca e terror da família! Adoro-a!
Sabe que não sei se volto tão cedo e preocupa-se em garantir que não me apercebo do medo que carrega consigo...e eu precupo-me em garantir que não lhe passo as preocupações que tenho cada vez mais...Faço contas ao dinheiro para ver se chega, analiso as possibilidades de modo a garantir que não vou ter de depender do dinheiro de ninguém para pagar a casa que deixo para trás...ou o vôo de regresso...ou deixar preocupações com as pessoas que ficam encarregues do que deixo para trás, ou o que quer que seja...e questiono-me mais uma vez..cada vez mais nos últimos dias...porquê que vou? Ultimamente cada vez tenho menos certezas daquilo que ainda à um mês atrás afirmava fazer sentido e ser a razão que me guiava e perante a qual me curvava sem hesitar.
Decorridos três longos e ao mesmo tempo rápidos anos consegui a proeza de virar o meu mundo ao contrário, e agora que encontro um qualquer tipo de estabilidade, de rotina, e que tenho aquilo a que posso chamar "Home" está na hora de me despedir de tudo e virar as costas em direcção a um desconhecido, ao recomeço, à reconstrução de tudo novamente. Procuro acreditar nos sons que sussurram que não haverá problema, pois tudo estará cá quando regressar, mas sei que nada permanecerá igual...os amigos vão mudar as rotinas que agora conheço, alguns irão casar, outros ter filhos, outros deixar de sair e outros mudar até de rumo e quem sabe já cá não estar quando eu regressar... a família seguirá o seu rumo, unir-se-à e tornará mais uma vez a não contar comigo...e o meu coração adocicado voltará a ser apenas uma máquina que garante a minha sobrevivência... as pessoas passarão a ser vozes que oiço ao longe...
Hoje senti mais uma vez que estou a chegar ao fim, e que vou ter de deixar tudo o que construí, e que a partir desse dia já não vou ver as mesmas caras, já não vou poder falar do mesmo modo com aqueles que hoje me escutam e que um dia quando regressar vou ter uma nova realidade, diferente daquela que deixo e que neste momento tenho muita, mas mesmo muita pena de largar em troca desse vazio cheio de aventuras e paisagens e desconhecido... se tivésse de tomar a decisão neste momento, acho que a tomava novamente, mas precisava de tempo para poder gozar um pouco mais da paz que aqui encontrei finalmente no fim deste ano que passou.
Sinto-me como um animal, que encontrou um abrigo e uma cama após um longo percurso de obstáculos, e que quando finalmente conseguiu fechar os olhos e se aninhou para descansar, o relógio que trazia ao pescoço soou um alarme, e o abrigo e a cama fofa onde finalmente poderia descansar tinham desaparecido, e ele dá por si de novo de pé, na estrada, com os olhos colados de sono e o corpo ainda cansado e sem energia para seguir...Sinto-me assim, de pé, a olhar para a estrada, e sem forças para dar os passos que ainda tenho de dar até poder descansar... e olho constantemente para trás a tentar perceber porquê que não posso simplesmente descansar...
Sei perfeitamente que tem gosto em me comprar as coisas que já não tem prazer em comprar para si, mesmo que depois se esqueça e acabe por elogiar as coisas que trazemos sem se aperceber que foi ela mesma que nos deu...A idade não perdoa, e ela transformou-se num daqueles Seres que o tempo deixou marinar para trazer ao de cimo tudo o que de melhor e complicado têm as avós.
Moderníssima, a consultar a caixa de entrada das mensagens do telemóvel para onde a minha irmã garantiu ter enviado a resposta que esperava...é o meu orgulho...matriarca e terror da família! Adoro-a!
Sabe que não sei se volto tão cedo e preocupa-se em garantir que não me apercebo do medo que carrega consigo...e eu precupo-me em garantir que não lhe passo as preocupações que tenho cada vez mais...Faço contas ao dinheiro para ver se chega, analiso as possibilidades de modo a garantir que não vou ter de depender do dinheiro de ninguém para pagar a casa que deixo para trás...ou o vôo de regresso...ou deixar preocupações com as pessoas que ficam encarregues do que deixo para trás, ou o que quer que seja...e questiono-me mais uma vez..cada vez mais nos últimos dias...porquê que vou? Ultimamente cada vez tenho menos certezas daquilo que ainda à um mês atrás afirmava fazer sentido e ser a razão que me guiava e perante a qual me curvava sem hesitar.
Decorridos três longos e ao mesmo tempo rápidos anos consegui a proeza de virar o meu mundo ao contrário, e agora que encontro um qualquer tipo de estabilidade, de rotina, e que tenho aquilo a que posso chamar "Home" está na hora de me despedir de tudo e virar as costas em direcção a um desconhecido, ao recomeço, à reconstrução de tudo novamente. Procuro acreditar nos sons que sussurram que não haverá problema, pois tudo estará cá quando regressar, mas sei que nada permanecerá igual...os amigos vão mudar as rotinas que agora conheço, alguns irão casar, outros ter filhos, outros deixar de sair e outros mudar até de rumo e quem sabe já cá não estar quando eu regressar... a família seguirá o seu rumo, unir-se-à e tornará mais uma vez a não contar comigo...e o meu coração adocicado voltará a ser apenas uma máquina que garante a minha sobrevivência... as pessoas passarão a ser vozes que oiço ao longe...
Hoje senti mais uma vez que estou a chegar ao fim, e que vou ter de deixar tudo o que construí, e que a partir desse dia já não vou ver as mesmas caras, já não vou poder falar do mesmo modo com aqueles que hoje me escutam e que um dia quando regressar vou ter uma nova realidade, diferente daquela que deixo e que neste momento tenho muita, mas mesmo muita pena de largar em troca desse vazio cheio de aventuras e paisagens e desconhecido... se tivésse de tomar a decisão neste momento, acho que a tomava novamente, mas precisava de tempo para poder gozar um pouco mais da paz que aqui encontrei finalmente no fim deste ano que passou.
Sinto-me como um animal, que encontrou um abrigo e uma cama após um longo percurso de obstáculos, e que quando finalmente conseguiu fechar os olhos e se aninhou para descansar, o relógio que trazia ao pescoço soou um alarme, e o abrigo e a cama fofa onde finalmente poderia descansar tinham desaparecido, e ele dá por si de novo de pé, na estrada, com os olhos colados de sono e o corpo ainda cansado e sem energia para seguir...Sinto-me assim, de pé, a olhar para a estrada, e sem forças para dar os passos que ainda tenho de dar até poder descansar... e olho constantemente para trás a tentar perceber porquê que não posso simplesmente descansar...
terça-feira, janeiro 19, 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)

