Eles são vários.
Não me posso queixar. Embora o faça. Talvez numa tentativa de camuflar uma solidão, um isolamento auto-imposto e natural.
Todos os dias me encontro com um deles.
Uma palavra, um comentário, um olhar...
Aos pouco apercebo-me que sou eu quem se ausenta, sou eu quem se desvia e retrai.
Não percebo porquê que a porta se trancou nem imagino quando a chave rodará novamente na fechadura já ressequida do tempo e da falta de uso.
A porta está fechada e não se sabe quando se abrirá de novo...
sexta-feira, setembro 30, 2011
Limpezas
O silêncio que nos fica na alma após a ausência de alguém a quem queremos bem, é algo inexplicável...
Cada um tem o seu processo de adaptação, análise, interiorização...uns preferem ausentar-se de sentimentos, outros inundar-se deles...eu descobri que não estou bem nem de um modo nem do outro. Prefiro calar e perder-me no esforço do corpo e no esquecimento do espírito. Na verdade, só consegui absorver o acontecimento após diluir-me na água das limpezas, no pó das varridelas, no pano da loiça e na companhia de uma casa vazia e ao mesmo tempo tão cheia dos últimos pequenos almoços e serões prolongados!
A casa ficou um mimo, e eu fiquei limpinha de alma...ou pelo menos, com a ilusão de que tudo está onde deve estar, arrumado e ordenado.
Cada um tem o seu processo de adaptação, análise, interiorização...uns preferem ausentar-se de sentimentos, outros inundar-se deles...eu descobri que não estou bem nem de um modo nem do outro. Prefiro calar e perder-me no esforço do corpo e no esquecimento do espírito. Na verdade, só consegui absorver o acontecimento após diluir-me na água das limpezas, no pó das varridelas, no pano da loiça e na companhia de uma casa vazia e ao mesmo tempo tão cheia dos últimos pequenos almoços e serões prolongados!
A casa ficou um mimo, e eu fiquei limpinha de alma...ou pelo menos, com a ilusão de que tudo está onde deve estar, arrumado e ordenado.
quinta-feira, agosto 04, 2011
... and be loved in return!
Somos senhores de muitos sentimentos e sensações. Capazes de racionalizar e desconstruir o mais elaborado acontecimento físico, emocional ou espacial.
Temos em nós a capacidade imensa de nos reinventarmos, saciarmos as nossas vontades como prazeres que mais nenhum Ser na terra é capaz.
E no entanto...
No entanto somos básicos e primários como os nossos os nossos primos mais próximos, mas sempre com a ideia de que somos superiores nas nossas intensões e capacidades! Nada como um macaco para nos mostrar o quanto evoluimos e ao mesmo tempo, o quanto não nos conseguimos afastar da nossa essência.
Podemos percorrer o mundo ou nem ansiar sair de casa. Ir à lua, ou desbravar os oceanos.
Somos e seremos sempre tão somente Seres feitos de carne e osso, irradiando uma luz que não compreendemos e procurando entender porquê que no final, depois de tanto que já percorremos, apenas nos interessamos por uma coisa...Ser aceite, Amar e ser Amado de volta!
Temos em nós a capacidade imensa de nos reinventarmos, saciarmos as nossas vontades como prazeres que mais nenhum Ser na terra é capaz.
E no entanto...
No entanto somos básicos e primários como os nossos os nossos primos mais próximos, mas sempre com a ideia de que somos superiores nas nossas intensões e capacidades! Nada como um macaco para nos mostrar o quanto evoluimos e ao mesmo tempo, o quanto não nos conseguimos afastar da nossa essência.
Podemos percorrer o mundo ou nem ansiar sair de casa. Ir à lua, ou desbravar os oceanos.
Somos e seremos sempre tão somente Seres feitos de carne e osso, irradiando uma luz que não compreendemos e procurando entender porquê que no final, depois de tanto que já percorremos, apenas nos interessamos por uma coisa...Ser aceite, Amar e ser Amado de volta!
quarta-feira, julho 27, 2011
Solidão...
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma!
Francisco Buarque de Holanda
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...Isto é circunstância.
Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma!
Francisco Buarque de Holanda
segunda-feira, julho 25, 2011
Enquanto houver estrada para andar...
"Tira a mão do rosto, não penses mais nisso...
O que lá vai já deu o que tinha a dar!
Quem ganhou ganhou e usou-se disso,
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar!!
Que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca que sabe o quanto vale um beijo..."
By Jorginho
O que lá vai já deu o que tinha a dar!
Quem ganhou ganhou e usou-se disso,
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar!!
Que a dependência é uma besta que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca que sabe o quanto vale um beijo..."
By Jorginho
quarta-feira, junho 29, 2011
pequenos grandes nadas tão cheios de tudo!
Os dias correm como os pumas...de forma rápida e indolor, quase como se não tivéssemos os pés na terra.
Flutuo pelo espaço e pelo tempo, em busca do meu espaço e do meu tempo, está tudo meio perdido, mas bem presente...isso eu sei!
Porque o presente é sem dúvida a nossa maior certeza...estamos onde estamos e estamos a viver o que vivemos. O ontem já passou e o amanhã pode nem vir. Mas hoje, estamos aqui e somos assim e sentimos assim. Amanhã logo se vê!
O presente é sempre aquele momento em que nem nos apercebemos do que está a acontecer, aquele momento quase inexistente, em que nem vemos as consequências nem a beleza de algo que provávelmente não repetiremos da mesma maneira, e mesmo assim, temos tendência a ignorar o presente, os acontecimentos mais singelos, os mais subtis, aqueles que nos acontecem neste momento sem nada nem porquê...esses, que sem nos apercebermos nos marcam e tatuam em nós a impressão geral do momento, bom ou mau. Quando olhamos para trás temos sempre uma impressão positiva ou negativa do que estamos a ver. Ás vezes pode ser uma lembrança de algo positivo, um momento, um beijo, umas férias e no entanto está marcada de algo negativo...e pronto...está estragada a lembrança e nem sabemos bem porquê que as coisas boas não se sobrepõem ás más, se a boa foi tão boa e a má tão insignificante e tão pequena...humm...estranho, não?
Somos assim, insensíveis e indigentes. Vagueamos pela vida sem nos darmos conta que é tudo o que temos e é tudo tão bom. O passeio na praia, os caminhos mal encontrados, os mergulhos sem pára-quedas nos infortúnios da nossa existência. Somos feitos de tudo isto e de nada nos apercebemos. Somos singelos, obscuros, masoquistas e profundos apreciadores de nós mesmos enquanto seres errantes e cheios de inteligência e certezas.
São tantas, tantas certezas que no fundo somos apenas um insuflado de dúvidas sem resposta... somos assim, um vazio cheio de tudo, uma certeza carregada de nada, uma vida intensa carregada de pequenas mortes. Somos assim, tanto e tão pouco. Andamos pela vida e vê-la passar e no entanto não paramos de correr para a agarrar...
Somos assim...e afinal o que somos mesmo??
Flutuo pelo espaço e pelo tempo, em busca do meu espaço e do meu tempo, está tudo meio perdido, mas bem presente...isso eu sei!
Porque o presente é sem dúvida a nossa maior certeza...estamos onde estamos e estamos a viver o que vivemos. O ontem já passou e o amanhã pode nem vir. Mas hoje, estamos aqui e somos assim e sentimos assim. Amanhã logo se vê!
O presente é sempre aquele momento em que nem nos apercebemos do que está a acontecer, aquele momento quase inexistente, em que nem vemos as consequências nem a beleza de algo que provávelmente não repetiremos da mesma maneira, e mesmo assim, temos tendência a ignorar o presente, os acontecimentos mais singelos, os mais subtis, aqueles que nos acontecem neste momento sem nada nem porquê...esses, que sem nos apercebermos nos marcam e tatuam em nós a impressão geral do momento, bom ou mau. Quando olhamos para trás temos sempre uma impressão positiva ou negativa do que estamos a ver. Ás vezes pode ser uma lembrança de algo positivo, um momento, um beijo, umas férias e no entanto está marcada de algo negativo...e pronto...está estragada a lembrança e nem sabemos bem porquê que as coisas boas não se sobrepõem ás más, se a boa foi tão boa e a má tão insignificante e tão pequena...humm...estranho, não?
Somos assim, insensíveis e indigentes. Vagueamos pela vida sem nos darmos conta que é tudo o que temos e é tudo tão bom. O passeio na praia, os caminhos mal encontrados, os mergulhos sem pára-quedas nos infortúnios da nossa existência. Somos feitos de tudo isto e de nada nos apercebemos. Somos singelos, obscuros, masoquistas e profundos apreciadores de nós mesmos enquanto seres errantes e cheios de inteligência e certezas.
São tantas, tantas certezas que no fundo somos apenas um insuflado de dúvidas sem resposta... somos assim, um vazio cheio de tudo, uma certeza carregada de nada, uma vida intensa carregada de pequenas mortes. Somos assim, tanto e tão pouco. Andamos pela vida e vê-la passar e no entanto não paramos de correr para a agarrar...
Somos assim...e afinal o que somos mesmo??
sexta-feira, junho 24, 2011
...
De todas, uma certeza persiste...não é fácil.
Cada vez que vejo uma porta de rede a fechar-se, imagino-me lá dentro.
Consigo sentir o ar que passa por entre a rede e saber que ali é onde me sinto em casa.
Se um dia eu conseguir chegar a ter aquela porta por onde entrará o cheiro de alfazema e das folhas das árvores de fruto será o dia em que poderei dizer que consegui ...humm...ou talvez não, mas pelo menos estarei lá perto....bem pertinho de ter a vida que neste momento desejo, e que sei que será onde terei a paz que procuro...poderão faltar outros complementos à minha felicidade, mas pelo que sei hoje, o caminho está traçado...se não chegar ao fim chego pelo menos ao meio e de lá...bem...um passinho de cada vez...a solidão não me assusta, principalmente se estiver rodeada de aroma a alfazema, árvores de fruto, um bolo a arrefecer na janela e o som dos pássaros que brincam por perto...e claro, a voz dos amigos sempre prontos a aparecer!
Cada vez que vejo uma porta de rede a fechar-se, imagino-me lá dentro.
Consigo sentir o ar que passa por entre a rede e saber que ali é onde me sinto em casa.
Se um dia eu conseguir chegar a ter aquela porta por onde entrará o cheiro de alfazema e das folhas das árvores de fruto será o dia em que poderei dizer que consegui ...humm...ou talvez não, mas pelo menos estarei lá perto....bem pertinho de ter a vida que neste momento desejo, e que sei que será onde terei a paz que procuro...poderão faltar outros complementos à minha felicidade, mas pelo que sei hoje, o caminho está traçado...se não chegar ao fim chego pelo menos ao meio e de lá...bem...um passinho de cada vez...a solidão não me assusta, principalmente se estiver rodeada de aroma a alfazema, árvores de fruto, um bolo a arrefecer na janela e o som dos pássaros que brincam por perto...e claro, a voz dos amigos sempre prontos a aparecer!
terça-feira, maio 24, 2011
onde?
Para onde vai o sentimento que nos une?
Para onde vai a raiva, o amor, a saudade...?
Para onde foi o sentimento que nutriamos um pelo outro?
Para onde foi a raiva que sentia quando olhava para as tuas fotos?
Para onde foi o amor que senti?
Para onde foi a alegria, a tristeza, a solidão...?
Para onde nos deixámos levar para enganar os sentimentos...para onde se esgueira a dor, a amargura, o vazio que transportámos dentro de nós ou a leveza que nos impedia de ficar com os pés no chão?
Para onde vai tudo o que um dia fomos, o que um dia sentimos, o que um dia nos desesperámos por mostrar ao outro e fazê-lo sentir o que nós sentíamos?
Para onde vai tudo o que fomos, o que sonhámos, o que ambicionámos?
Para onde vamos nós...para onde vou eu...para onde foste tu...onde nos escondemos?
...
...cucu...estás ai?...estou ai?
Para onde vai a raiva, o amor, a saudade...?
Para onde foi o sentimento que nutriamos um pelo outro?
Para onde foi a raiva que sentia quando olhava para as tuas fotos?
Para onde foi o amor que senti?
Para onde foi a alegria, a tristeza, a solidão...?
Para onde nos deixámos levar para enganar os sentimentos...para onde se esgueira a dor, a amargura, o vazio que transportámos dentro de nós ou a leveza que nos impedia de ficar com os pés no chão?
Para onde vai tudo o que um dia fomos, o que um dia sentimos, o que um dia nos desesperámos por mostrar ao outro e fazê-lo sentir o que nós sentíamos?
Para onde vai tudo o que fomos, o que sonhámos, o que ambicionámos?
Para onde vamos nós...para onde vou eu...para onde foste tu...onde nos escondemos?
...
...cucu...estás ai?...estou ai?
segunda-feira, maio 23, 2011
Amigo
A distância ás vezes ajuda a clarificar a escuridão, a conseguir desenhar melhor os contornos do que achávamos que não tinha desenho possível...a ver com o coração o que os olhos já não conseguem ver...
Aos poucos o rosto que quem realmente está ao nosso lado vai-se formando, moldando, definindo, e quando damos por ela, não são tantos, ou talvez mais do que estávamos à espera mas com certeza serão os que merecem verdadeiramente ser chamados de Amigos!
Uns escrevem outros não, uns ligam outros não, uns mandam sinais outros não...mas inevitávelmente sabemos quem realmente lá está, distante, mas tão perto, tão atento, tão...cheio de tudo o que nos faz falta!
Aos poucos o rosto que quem realmente está ao nosso lado vai-se formando, moldando, definindo, e quando damos por ela, não são tantos, ou talvez mais do que estávamos à espera mas com certeza serão os que merecem verdadeiramente ser chamados de Amigos!
Uns escrevem outros não, uns ligam outros não, uns mandam sinais outros não...mas inevitávelmente sabemos quem realmente lá está, distante, mas tão perto, tão atento, tão...cheio de tudo o que nos faz falta!
sábado, maio 14, 2011
Casca grossa
Se eu tivésse de descrever agora o meu estado de espírito...não seria fácil.
Eu teria de falar dos problemas, das dificuldades, das angústias, das confusões, dos filmes...enfim de tudo o que se passa na minha cabeça...mas também teria de falar das coisas boas que compõem o meu mundo....teria de falar dos meus sonhos, das minhas viagens, dos meus amores, do meu coração... teria de revelar que sou casca grossa...uma casca grossa delicada e recheada de uma polpa elástica e resiliente. Sim, eu sou assim. Sofro, choro, arranco os cabelos, mas levanto-me e sigo sempre em frente. O meu estado de espírito esconde-se debaixo da casca grossa e por cima da polpa elástica.
Gostáva muito de ser daquelas pessoas que conseguem sempre ser protegidas, daquelas que os outros rodeiam de cuidados e meiguices para que não sofram.
Gostáva de ser delicada como uma flor...cheirosa...macia...todos gostam de flores!
Mas eu...eu sou mais um tamarindo, ou uma laranja...quem sabe até se não poderia ser um abacate (sempre tem a pele um bocadinho mais fina, e aqui eles podem ser bem doces!)!
Se gosto de ser assim? Ás vezes não...parece-me sempre que só conseguem ver o que eu realmente sou quando chegam à polpa, quando conseguem romper a casca que eu evito sempre que seja rompida (não vá o sumo escapar!) e que, infelizmente, não tem o charme das pétalas de uma flor, não inspira o cuidado que a flor inspira, não emociona como uma flor consegue emocionar.
Gostáva de vos conseguir falar de coisas bonitas, de escrever como uma poetiza, de deslumbrar os que me rodeiam como meu charme. Mas eu sou assim, casca grossa, dura e delicada...cheia de sumo e muito real...nada de etéreo, nada de transcendente, nada de espectacular.
Ás vezes tenho pena de não ser mais frágil ou de o conseguir demonstrar...talvez me facilitásse a vida...talvez não me magoásse tão profundamente nem o sentísse tão dramáticamente quando me perfurássem a casca, porque esta seria mais fina e o pico não teria de entrar com tanta força para magoar, seria sempre mais superfícial, mas não, está tudo tão fundo que quando finalmente chega é forte o suficiente para quase me derrubar...quaaaase...salvam-me sempre as características da polpa que guardo cá dentro!
Mas eu sou a sim...este é o meu mundo....carregado de sonhos, de viagens, de amores, de um coração que se entrega, se emociona, se perde... um coração escondido bem no centro de um fruto de casca grossa ...e sabem que mais? Ainda bem que existe essa casca e essa polpa resiliente senão, como é que eu ia conseguir ser como sou, levantar-me e seguir em frente?
Eu teria de falar dos problemas, das dificuldades, das angústias, das confusões, dos filmes...enfim de tudo o que se passa na minha cabeça...mas também teria de falar das coisas boas que compõem o meu mundo....teria de falar dos meus sonhos, das minhas viagens, dos meus amores, do meu coração... teria de revelar que sou casca grossa...uma casca grossa delicada e recheada de uma polpa elástica e resiliente. Sim, eu sou assim. Sofro, choro, arranco os cabelos, mas levanto-me e sigo sempre em frente. O meu estado de espírito esconde-se debaixo da casca grossa e por cima da polpa elástica.
Gostáva muito de ser daquelas pessoas que conseguem sempre ser protegidas, daquelas que os outros rodeiam de cuidados e meiguices para que não sofram.
Gostáva de ser delicada como uma flor...cheirosa...macia...todos gostam de flores!
Mas eu...eu sou mais um tamarindo, ou uma laranja...quem sabe até se não poderia ser um abacate (sempre tem a pele um bocadinho mais fina, e aqui eles podem ser bem doces!)!
Se gosto de ser assim? Ás vezes não...parece-me sempre que só conseguem ver o que eu realmente sou quando chegam à polpa, quando conseguem romper a casca que eu evito sempre que seja rompida (não vá o sumo escapar!) e que, infelizmente, não tem o charme das pétalas de uma flor, não inspira o cuidado que a flor inspira, não emociona como uma flor consegue emocionar.
Gostáva de vos conseguir falar de coisas bonitas, de escrever como uma poetiza, de deslumbrar os que me rodeiam como meu charme. Mas eu sou assim, casca grossa, dura e delicada...cheia de sumo e muito real...nada de etéreo, nada de transcendente, nada de espectacular.
Ás vezes tenho pena de não ser mais frágil ou de o conseguir demonstrar...talvez me facilitásse a vida...talvez não me magoásse tão profundamente nem o sentísse tão dramáticamente quando me perfurássem a casca, porque esta seria mais fina e o pico não teria de entrar com tanta força para magoar, seria sempre mais superfícial, mas não, está tudo tão fundo que quando finalmente chega é forte o suficiente para quase me derrubar...quaaaase...salvam-me sempre as características da polpa que guardo cá dentro!
Mas eu sou a sim...este é o meu mundo....carregado de sonhos, de viagens, de amores, de um coração que se entrega, se emociona, se perde... um coração escondido bem no centro de um fruto de casca grossa ...e sabem que mais? Ainda bem que existe essa casca e essa polpa resiliente senão, como é que eu ia conseguir ser como sou, levantar-me e seguir em frente?
segunda-feira, maio 02, 2011
what to do
"This is me changing the world...what the fuck have you done lately?"
Have you been doing? what you realy want? Have you been fallowing your dreams?
Have you been working without questioning why you are really doing it?
Have you been loving anyone?
Have you been anywhere?
Have you been living until now?
Are you realy alive?
Do you feel alive?
So...
You know what to do!
Have you been doing? what you realy want? Have you been fallowing your dreams?
Have you been working without questioning why you are really doing it?
Have you been loving anyone?
Have you been anywhere?
Have you been living until now?
Are you realy alive?
Do you feel alive?
So...
You know what to do!
quinta-feira, abril 21, 2011
The Quest
Os dias correram e o som dos meus murmúrios perderam-se no tempo...
Hoje nada tenho para escrever aqui, excepto isto:
Tudo o que passamos e vivemos serve para construir os que somos.
É importante que, ao descobrirmos como realmente somos e o que queremos, não nos esqueçamos de lutar por isso, senão de que serviu termos passado por tudo o que passámos e termos aprendido tudo o que aprendemos?
Porquê termo-nos tornado no que somos senão para alcançarmos os nossos sonhos!?!?
Assim sendo...vão, corram, voem, mas não deixem escapar o que vos faz feliz.

(Foto sobre as margens do lago Titicaca)
Hoje nada tenho para escrever aqui, excepto isto:
Tudo o que passamos e vivemos serve para construir os que somos.
É importante que, ao descobrirmos como realmente somos e o que queremos, não nos esqueçamos de lutar por isso, senão de que serviu termos passado por tudo o que passámos e termos aprendido tudo o que aprendemos?
Porquê termo-nos tornado no que somos senão para alcançarmos os nossos sonhos!?!?
Assim sendo...vão, corram, voem, mas não deixem escapar o que vos faz feliz.
(Foto sobre as margens do lago Titicaca)
terça-feira, abril 05, 2011
=)
Ela - Que estás a fazer?
Eu - A lavar a loiça.
Ela - Isso vejo eu, mas para que é tanta água?
Eu - Tanta água?
Ela - Sim, não é preciso encher o lava-loiça com tanta água.
Eu - É, é. Se não puser muita água isto fica cheio de resíduos de comida.
Ela - Se puseres muita água, a densidade do detergente é menor e portanto lava pior a loiça.
Eu - Ponho mais detergente até a densidade me parecer bem.
Ela - E gastas mais água e mais detergente. Para isso não ficar com resíduos de comida passas a loiça por água antes de a lavar.
Eu - Assim gastas ainda mais água.
Ela - Gasto mais água mas não gasto mais detergente.
Eu - Mas gastas ainda mais água do que água e detergente juntos com a minha técnica.
Ela - E não.
Eu - E sim.
Ela - E não, e como estás na minha casa fazes como eu quero.
Eu - Então fazes tu, que eu tenho mais que fazer que obedecer a regras com que não concordo.
Ela - Muito bem. Prefiro fazer eu do que ficar mal feito. E não tornas a aproveitar eu ir à casa de banho para começares a lavar a loiça.
Eu - Não torno? Pois não. Acho que para a próxima é melhor jantarmos num restaurante. Assim ninguém lava a loiça.
Ela - Se calhar é melhor, é. Aí estamos de acordo.
Retirado do Blog "nao compreendo as mulheres"
Eu - A lavar a loiça.
Ela - Isso vejo eu, mas para que é tanta água?
Eu - Tanta água?
Ela - Sim, não é preciso encher o lava-loiça com tanta água.
Eu - É, é. Se não puser muita água isto fica cheio de resíduos de comida.
Ela - Se puseres muita água, a densidade do detergente é menor e portanto lava pior a loiça.
Eu - Ponho mais detergente até a densidade me parecer bem.
Ela - E gastas mais água e mais detergente. Para isso não ficar com resíduos de comida passas a loiça por água antes de a lavar.
Eu - Assim gastas ainda mais água.
Ela - Gasto mais água mas não gasto mais detergente.
Eu - Mas gastas ainda mais água do que água e detergente juntos com a minha técnica.
Ela - E não.
Eu - E sim.
Ela - E não, e como estás na minha casa fazes como eu quero.
Eu - Então fazes tu, que eu tenho mais que fazer que obedecer a regras com que não concordo.
Ela - Muito bem. Prefiro fazer eu do que ficar mal feito. E não tornas a aproveitar eu ir à casa de banho para começares a lavar a loiça.
Eu - Não torno? Pois não. Acho que para a próxima é melhor jantarmos num restaurante. Assim ninguém lava a loiça.
Ela - Se calhar é melhor, é. Aí estamos de acordo.
Retirado do Blog "nao compreendo as mulheres"
domingo, março 27, 2011
Na companhia da minha solidão
A solidão tem destas coisas...
É nestes momentos que nos damos conta do que realmente sentimos, do que gostamos, do que queremos, e até conseguimos superar as nossas expectativas ao descobrir do que somos capazes.
Os momentos em que conseguimos estar realmente a sós são de facto uma benção para a nossa sanidade. É necessário termos o nosso espaço e a nossa identidade livre para ser explorada.
Quando era nova não sabia que precisava disto. Sabia que precisava de voar, de conhecer, de aprender, de errar e de sentir...acima de tudo sentir.
Mas a vida vai-nos levando por onde quer, mesmo que achemos que somos donos do nosso destino e que fazemos dele o que queremos...na verdade não fazemos.
Somos dependentes de muita coisa. Dinheiro, saúde, família, sentimentos...tudo isto nos controla, nos domina. Achamos que somos racionais e se soubermos bem dar a volta havemos sempre de conseguir o que ambicionamos.
Eu acredito que conseguiremos o que ambicionamos sempre, mas as nossas ambições mudam...consoante o nosso dinheiro, saúde, familia...sentimentos...
A solidão obriga-nos ao confronto com as nossas possibilidades e impossibilidades.
A solidão pode-nos oprimir ou até libertar...depende bastante de tudo o que referi acima e talvez até de mais coisas.
Hoje estou sozinha.
Consegui até ficar sozinha em casa!! Quem diria...depois de tanto tempo!
Hoje estou feliz. Consegui ter o meu silêncio nem que seja apenas por este dia e meio. Consegui de novo ser dona do meu tempo e das minhas vontades.
Está na hora de ligar a musica, sentar-me naquela mesa e ocupar as mãos para desocupar a mente que está tão carregada de ideias que ainda não consegui passar para a realidade.
Hoje é o dia.
Agora é o momento...
...o momento em que transformo o tempo e o espaço exactamente naquilo que quero e que me satisfaz.
É nestes momentos que nos damos conta do que realmente sentimos, do que gostamos, do que queremos, e até conseguimos superar as nossas expectativas ao descobrir do que somos capazes.
Os momentos em que conseguimos estar realmente a sós são de facto uma benção para a nossa sanidade. É necessário termos o nosso espaço e a nossa identidade livre para ser explorada.
Quando era nova não sabia que precisava disto. Sabia que precisava de voar, de conhecer, de aprender, de errar e de sentir...acima de tudo sentir.
Mas a vida vai-nos levando por onde quer, mesmo que achemos que somos donos do nosso destino e que fazemos dele o que queremos...na verdade não fazemos.
Somos dependentes de muita coisa. Dinheiro, saúde, família, sentimentos...tudo isto nos controla, nos domina. Achamos que somos racionais e se soubermos bem dar a volta havemos sempre de conseguir o que ambicionamos.
Eu acredito que conseguiremos o que ambicionamos sempre, mas as nossas ambições mudam...consoante o nosso dinheiro, saúde, familia...sentimentos...
A solidão obriga-nos ao confronto com as nossas possibilidades e impossibilidades.
A solidão pode-nos oprimir ou até libertar...depende bastante de tudo o que referi acima e talvez até de mais coisas.
Hoje estou sozinha.
Consegui até ficar sozinha em casa!! Quem diria...depois de tanto tempo!
Hoje estou feliz. Consegui ter o meu silêncio nem que seja apenas por este dia e meio. Consegui de novo ser dona do meu tempo e das minhas vontades.
Está na hora de ligar a musica, sentar-me naquela mesa e ocupar as mãos para desocupar a mente que está tão carregada de ideias que ainda não consegui passar para a realidade.
Hoje é o dia.
Agora é o momento...
...o momento em que transformo o tempo e o espaço exactamente naquilo que quero e que me satisfaz.
terça-feira, março 22, 2011
Dores inesquecíveis
As coisas são mesmo assim.
A morte, a ausência, a solidão...são momentos que nos marcam sempre mais do que qualquer momento de alegria, êxtase ou paixão.
Um momento de alegria, ás vezes causado por coisas muito desejadas não consegue superar os momentos em que o nosso coração aperta. Um sorriso não absorve a dor da ausência, um beijo não compensa a ausência causada pela morte, e uma palavra, embora quebre, não acaba com a solidão. Tudo o que nos entristece fica guardado por muito mais tempo. Fica a matar por dentro, a corroer como um parasita... Há que matar o parasita e transformar as nossas dores e momentos tristes naquilo que nos faz melhor ... A alegria!
Para ti, meu doce amigo...um beijo carregado de alegria e amor para te aliviar a dor.
(Viste?!!?! Fiz uma rima!!)
PS: Gosti :)
A morte, a ausência, a solidão...são momentos que nos marcam sempre mais do que qualquer momento de alegria, êxtase ou paixão.
Um momento de alegria, ás vezes causado por coisas muito desejadas não consegue superar os momentos em que o nosso coração aperta. Um sorriso não absorve a dor da ausência, um beijo não compensa a ausência causada pela morte, e uma palavra, embora quebre, não acaba com a solidão. Tudo o que nos entristece fica guardado por muito mais tempo. Fica a matar por dentro, a corroer como um parasita... Há que matar o parasita e transformar as nossas dores e momentos tristes naquilo que nos faz melhor ... A alegria!
Para ti, meu doce amigo...um beijo carregado de alegria e amor para te aliviar a dor.
(Viste?!!?! Fiz uma rima!!)
PS: Gosti :)
sábado, março 12, 2011
No barulho das luzes os olhos fecham e os sentidos acordam
Finalmente consegui matar as minhas saudades de uma boa noitada.
Fomos parar a um lugar escuro, pequeno, e com o cheiro flutuante de chicha. Sabem aquele cheiro a fumo branco com sabores que se entranha nos nossos pulmões quando inspiramos o fumo da chicha? Era ssim que o ar estava naquele pequeno espaço escuro em que nos fomos enfiar.
Ninguém sabia bem onde nos metíamos, mas diziam que era um lugar onde, sem prometer nada, nos poderíamos surpreender! E assim foi.
No início soube-me a saudade. Recordei as noites lisboetas onde para terminar em grande nos enfiámos tantas vezes em lugares idênticos áquele, e onde, sem uma palavra e ao som de muita música, cada um se exprimia e libertava as suas vontades de tristeza, alegria ou até romance.
O ambiente era bom, mas as pessoas eram diferentes dos lugares onde fui tantas vezes.
Eles eram dois. O 1 e o 2 que resultavam num total de dois bonitões vestidos de preto. Amigos pensei eu, embora com algumas reservas. Quando dei por ela havia um 3 próximo. Pareceu-me que se queria fazer amigo deles mas afinal acabou em pouco tempo a dar beijos intensos ao 1. O 3 afastou-se lentamente. Regressou. Chegou-se a eles, ora de costas, ora de frente, meio perdido, sozinho. Nem o boné que leváva conseguia esconder a sua busca por companhia.
Atrás de mim, pertinho da parede estava o "A" e o "B". O "A" era bonito e de meia estatura. Permaneceu a noite toda docemente enlaçado num beijo longo com o "B". Os braços de "B" tinham uma pele suave e morena que se deixavam revelar por uma meia-cava branca. Tinha uma barbinha rala, e com as ajuda das mãos escondia no seu rosto de olhos fechados, o sentimento que deles os dois emanava.
À frente dei de caras com o "X" e o "Y". Com um sorriso puxado na boca que mantinha fechada, "Y" apontava o rosto para cima e não conseguia deixar de mostrar a satisfação que sentia em ter "X" ali, de costas para ele, a subir e a descer o seu corpo de encontro ao dele. Não foi surpresa encontrá-los mais tarde próximo do espelho escuro, dando beijos carregados da satisfação que se tem quando se saboreia finalmente um fruto à muito tempo desejado.
Foi então, que no meio da confusão de pessoas pareceu ele. Ou melhor, eles! Ele era pequeno, roliço e escondia-se numa t-shirt "oversized" branca que lhe chegava quase ao joelho e apenas revelava uma parte dos calções de ganga que chegavam até meio da canela. Estava de havaianas. No rosto escondia uma covinha do lado direito que ficava visivel nos poucos momentos que o vi sorrir. Tinha um ar de duende que era reforçado pela barbicha em bico que lhe pendia do queixo. Estava envolto numa núvem de silêncio e alheamento do espaço onde estava. Ela, sorridente, encostava o rosto ao dele, e, de narizes juntos trocavam palavras intercaladas por beijos esporádicos e alegres. Era mais alta que ele mas isso só o tornava mais doce aos meus olhos.
E ali estava eu, aos saltos, dançando no meio de amigos e desconhecidos que preencheram o meu mundo por umas horas. E o pouco tempo que ali estive, não consegui parar de sorrir, e de me sentir isolada mas tão acompanhada, porque afinal estava no lugar onde até os mais tristes e solitários encontram o conforto para as suas almas...mesmo que apenas por umas horas, mesmo que das maneiras mais estranhas e promíscuas...mas afinal, todos somos iguais, todos precisamos de sentir uma mão quente percorrer-nos o rosto de vez em quando, um beijo ardente queimar-nos os lábios dormentes, ou até mesmo o fogo do corpo a acordar porque por uns breves instantes o mais improvável dos fósforos nos acendeu a chama que tantas vezes esquecemos que existe em nós ou que simplesmente aceitámos que se mantivésse apagada em prol da moral e dos bons costumes...
Fomos parar a um lugar escuro, pequeno, e com o cheiro flutuante de chicha. Sabem aquele cheiro a fumo branco com sabores que se entranha nos nossos pulmões quando inspiramos o fumo da chicha? Era ssim que o ar estava naquele pequeno espaço escuro em que nos fomos enfiar.
Ninguém sabia bem onde nos metíamos, mas diziam que era um lugar onde, sem prometer nada, nos poderíamos surpreender! E assim foi.
No início soube-me a saudade. Recordei as noites lisboetas onde para terminar em grande nos enfiámos tantas vezes em lugares idênticos áquele, e onde, sem uma palavra e ao som de muita música, cada um se exprimia e libertava as suas vontades de tristeza, alegria ou até romance.
O ambiente era bom, mas as pessoas eram diferentes dos lugares onde fui tantas vezes.
Eles eram dois. O 1 e o 2 que resultavam num total de dois bonitões vestidos de preto. Amigos pensei eu, embora com algumas reservas. Quando dei por ela havia um 3 próximo. Pareceu-me que se queria fazer amigo deles mas afinal acabou em pouco tempo a dar beijos intensos ao 1. O 3 afastou-se lentamente. Regressou. Chegou-se a eles, ora de costas, ora de frente, meio perdido, sozinho. Nem o boné que leváva conseguia esconder a sua busca por companhia.
Atrás de mim, pertinho da parede estava o "A" e o "B". O "A" era bonito e de meia estatura. Permaneceu a noite toda docemente enlaçado num beijo longo com o "B". Os braços de "B" tinham uma pele suave e morena que se deixavam revelar por uma meia-cava branca. Tinha uma barbinha rala, e com as ajuda das mãos escondia no seu rosto de olhos fechados, o sentimento que deles os dois emanava.
À frente dei de caras com o "X" e o "Y". Com um sorriso puxado na boca que mantinha fechada, "Y" apontava o rosto para cima e não conseguia deixar de mostrar a satisfação que sentia em ter "X" ali, de costas para ele, a subir e a descer o seu corpo de encontro ao dele. Não foi surpresa encontrá-los mais tarde próximo do espelho escuro, dando beijos carregados da satisfação que se tem quando se saboreia finalmente um fruto à muito tempo desejado.
Foi então, que no meio da confusão de pessoas pareceu ele. Ou melhor, eles! Ele era pequeno, roliço e escondia-se numa t-shirt "oversized" branca que lhe chegava quase ao joelho e apenas revelava uma parte dos calções de ganga que chegavam até meio da canela. Estava de havaianas. No rosto escondia uma covinha do lado direito que ficava visivel nos poucos momentos que o vi sorrir. Tinha um ar de duende que era reforçado pela barbicha em bico que lhe pendia do queixo. Estava envolto numa núvem de silêncio e alheamento do espaço onde estava. Ela, sorridente, encostava o rosto ao dele, e, de narizes juntos trocavam palavras intercaladas por beijos esporádicos e alegres. Era mais alta que ele mas isso só o tornava mais doce aos meus olhos.
E ali estava eu, aos saltos, dançando no meio de amigos e desconhecidos que preencheram o meu mundo por umas horas. E o pouco tempo que ali estive, não consegui parar de sorrir, e de me sentir isolada mas tão acompanhada, porque afinal estava no lugar onde até os mais tristes e solitários encontram o conforto para as suas almas...mesmo que apenas por umas horas, mesmo que das maneiras mais estranhas e promíscuas...mas afinal, todos somos iguais, todos precisamos de sentir uma mão quente percorrer-nos o rosto de vez em quando, um beijo ardente queimar-nos os lábios dormentes, ou até mesmo o fogo do corpo a acordar porque por uns breves instantes o mais improvável dos fósforos nos acendeu a chama que tantas vezes esquecemos que existe em nós ou que simplesmente aceitámos que se mantivésse apagada em prol da moral e dos bons costumes...
sexta-feira, março 11, 2011
A grandiosidade da nossa pequenez
Foi no chamada "ônibus" que me lembrei dele.
Há quanto tempo já não o vejo? 2, 3 anos? Sim, talvez uns 3.
Os meus pensamentos escorreram até ele quando me debruçava sobre o nosso último e mais recente contacto. As palavras frias e existentes quase só por educação são a única coisa que hoje trocamos. E só pelos aniversários! Quase como se fôsse para que não fique no ar a sombra de uma ausência mal educada e desinteressada. Não depois de tudo o que vivemos. Foi muito tempo, iria parecer mal!!
E hoje eu pergunto:
Como é que as pessoas conseguem pôr de lado anos de convivência, luta, amor e crescimento em tão pouco tempo, e nem sequer se ressentirem da ausência do outro?
Como é possível que os vários anos, meses e meses de convivência se percam no silêncio da ausência total e desinteressada?
Como é possível que sejamos capazes de substituir sem dó nem piedade os momentos doces, alegres ou mesmo os maus, pela completa ausência, como se essa pessoa nunca nos tivésse sido importante? Como se os anos não tivéssem deixado marcas, como se o correcto fôsse esquecer o passado e viver o presente, porque o presente é sempre mais apelativo, mais surpreendente e misterioso...E depois até se chegar ao cansaço que leva à separação, ainda há muitos bons anos para viver, mas...e depois? É assim? Tem mesmo de ser assim?
Lembrei-me dele porque nunca percebi como fomos capazes de chegar a este ponto. Será que se lembra de mim? Não digo lembrar de sentir saudades, mas lembrar-se simplesmente, tal como eu o faço por um motivo ou outro que me leva às minhas experiências anteriores? Será que é possível que nunca tenha vontade de saber como estou, se eu, apesar de tudo, ainda tenho curiosidade por saber dele?
Os anos passam e tudo acalma. E o Ser Humano a tudo se adapta, mas não posso deixar que passe despercebida a minha falta de compreensão para a indiferença a que somos capazes de nos entregar, sem esforço algum, a um incontável número de coisas e situações e pessoas...
Somos de facto grandiosos como Seres... mas conseguimos ser tão pequenos nos nossos sentimentos!
Há quanto tempo já não o vejo? 2, 3 anos? Sim, talvez uns 3.
Os meus pensamentos escorreram até ele quando me debruçava sobre o nosso último e mais recente contacto. As palavras frias e existentes quase só por educação são a única coisa que hoje trocamos. E só pelos aniversários! Quase como se fôsse para que não fique no ar a sombra de uma ausência mal educada e desinteressada. Não depois de tudo o que vivemos. Foi muito tempo, iria parecer mal!!
E hoje eu pergunto:
Como é que as pessoas conseguem pôr de lado anos de convivência, luta, amor e crescimento em tão pouco tempo, e nem sequer se ressentirem da ausência do outro?
Como é possível que os vários anos, meses e meses de convivência se percam no silêncio da ausência total e desinteressada?
Como é possível que sejamos capazes de substituir sem dó nem piedade os momentos doces, alegres ou mesmo os maus, pela completa ausência, como se essa pessoa nunca nos tivésse sido importante? Como se os anos não tivéssem deixado marcas, como se o correcto fôsse esquecer o passado e viver o presente, porque o presente é sempre mais apelativo, mais surpreendente e misterioso...E depois até se chegar ao cansaço que leva à separação, ainda há muitos bons anos para viver, mas...e depois? É assim? Tem mesmo de ser assim?
Lembrei-me dele porque nunca percebi como fomos capazes de chegar a este ponto. Será que se lembra de mim? Não digo lembrar de sentir saudades, mas lembrar-se simplesmente, tal como eu o faço por um motivo ou outro que me leva às minhas experiências anteriores? Será que é possível que nunca tenha vontade de saber como estou, se eu, apesar de tudo, ainda tenho curiosidade por saber dele?
Os anos passam e tudo acalma. E o Ser Humano a tudo se adapta, mas não posso deixar que passe despercebida a minha falta de compreensão para a indiferença a que somos capazes de nos entregar, sem esforço algum, a um incontável número de coisas e situações e pessoas...
Somos de facto grandiosos como Seres... mas conseguimos ser tão pequenos nos nossos sentimentos!
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